Periquito-rei fala, canta ou imita sons?

Você acorda com o som do despertador, levanta ainda meio cambaleante em direção à cozinha para passar o café e, antes mesmo de a água esquentar, ouve o rádio do bando começar a transmitir na sala. É o seu periquito-rei abrindo os trabalhos do dia com aquela sequência rítmica e estridente de pios.
Afinal, o periquito-rei fala, canta ou imita sons?
Colocando os pingos nos is logo de cara, ele não possui o canto melodioso de uma ave canora nem fala de forma consciente e gramatical, mas é um verdadeiro artista do mimetismo vocal. O periquito-rei pertence à família dos psitacídeos, o mesmo grupo dos papagaios e araras. Graças a um cérebro sofisticado e muita curiosidade social, ele consegue copiar palavras curtas, pequenos trechos de melodias que você assobia e ruídos da casa, além de emitir seus chamados naturais.
Mas calma, porque essa imitação toda não passa de uma grande estratégia de socialização. Quando ele repete o seu bom dia ou imita o barulho do micro-ondas, ele não faz ideia do significado linguístico daquilo. Ele apenas percebe que esses sons funcionam muito bem para se enturmar com o grupo dele, que no caso é você e o resto da sua família humana.
A diferença entre cantar e simplesmente fazer barulho
Muita gente compra uma ave esperando aquele repertório musical elaborado de um canário. Só que a biologia aqui opera em outra frequência. Os periquitos não têm um canto territorialista estruturado para acasalamento no galho da árvore. Eles se comunicam por meio de chamados sociais, aqueles pios e rinchos que costumam pipocar com força total bem cedo, quando o sol nasce, e no finzinho da tarde.
Esse hábito de falar o que ouve depende muito de indivíduo para indivíduo. Existem periquitos-rei que aprendem a reproduzir nomes e sons com facilidade surpreendente, enquanto outros decidem passar a vida inteira limitados aos pios típicos da espécie. Forçar a barra ou garantir que qualquer filhote vá repetir frases inteiras é promessa furada de quem quer apenas vender o animal.
Por que o bico não para e como lidar com os gritos excessivos
Se o seu periquito resolveu adotar o hábito de gritar sem parar durante o dia inteiro, vale a pena olhar para o ambiente antes de perder a paciência. Na natureza, o chamado servia para manter o bando unido na mata. Em casa, quando a rotina é monótona e a gaiola parece um espaço estéril sem distrações, o grito vira um pedido de socorro contra o tédio.
Aqui entra um erro clássico que a maioria dos tutores comete sem perceber. Quando a ave começa a gritar por atenção e você vai correndo até lá gritar para ela calar a boca, o estrago está feito. Para o periquito, o seu grito raivoso soa exatamente como um incentivo, como se você estivesse participando do chamado de bando e dizendo que a gritaria geral foi aprovada.
A regra de ouro para aplacar o barulho é o reforço positivo combinado com o silêncio estratégico. Se o bico dele estiver disparado chamando atenção, ignore completamente. Não olhe, não fale e não vá até a gaiola. Volte a interagir e dar atenção apenas no exato momento em que fizer silêncio.
Além disso, pense nos brinquedos como o quebra-cabeça de uma criança entediada. Fornecer blocos de madeira atóxica para roer e comedouros interativos, onde a ave precisa gastar tempo e energia para conseguir acessar a comida, mantém o cérebro ocupado e afasta a frustração que gera os gritos.
Cuidados que vão muito além da imitação
Criar um periquito-rei exige entender que estamos diante de uma ave da fauna silvestre nativa brasileira. Diferente do periquito-australiano, que é considerado uma espécie doméstica, o periquito-rei tem exigências legais bem claras. Para ter um exemplar em casa de forma totalmente regularizada, é obrigatório comprar de criadouros comerciais autorizados pelos órgãos ambientais, exigindo a nota fiscal e a anilha fechada na patinha da ave.
No dia a dia, a saúde e o humor do pet também dependem de um detalhe básico: sono de qualidade. Aves precisam de dez a doze horas de descanso absoluto por noite, em um ambiente silencioso, escuro e com a gaiola coberta.
Fique de olho em qualquer mudança brusca de comportamento. Se o periquito que costuma ser barulhento e curioso de repente amanhecer calado no fundo da gaiola, com as penas eriçadas e sem vontade de comer, saiba que ele pode estar escondendo algum problema de saúde por instinto de sobrevivência. Esconda os palpites caseiros e leve o animal imediatamente a um veterinário especializado em pets exóticos e silvestres. Com manejo adequado, respeito à natureza da espécie e um bocado de paciência, a convivência com esse pequeno falastrão verde se torna uma das companhias mais divertidas que você poderia ter em casa.







