Peixe paraíso pode viver com quais peixes?

Você passou a semana inteira montando aquele aquário na sala. Colocou substrato escuro, encaixou um tronco bonito no centro, prendeu mudas de plantas de folhas largas e esperou a água ciclar pacientemente. Na hora de povoar o tanque, a vontade é colocar todas as cores e formatos disponíveis na loja de aquariofilia. Mas aí surge a pergunta inevitável sobre o morador mais chamativo do projeto: o peixe paraíso pode viver com quais peixes?
O peixe paraíso (Macropodus opercularis, pertencente à família Anabantidae) pode viver com peixes pacíficos de porte médio, nado rápido e sem nadadeiras longas, contanto que eles compartilhem dos mesmos parâmetros de água e o aquário seja espaçoso o bastante, contando com vegetação e barreiras visuais para segurar o ímpeto territorial da espécie. Para entender o gênio desse peixe, vale olhar para a biologia dele sem frescura técnica. Ele pertence a uma família que possui um órgão chamado labirinto. Em termos práticos, isso significa que ele consegue respirar o ar da superfície, o que o faz transitar bastante pela meia-água e pelo topo do aquário. Só que essa facilidade toda para respirar costuma vir acompanhada de uma personalidade marcante. Ele não é exatamente o anfitrião mais hospitaleiro do mundo subaquático.
Quem combina de verdade com o peixe paraíso?
Pense nos companheiros ideais como vizinhos que moram em andares diferentes de um mesmo prédio. Como o peixe paraíso gosta de ocupar o topo e a meia-água, os melhores parceiros são aqueles que vivem no fundo do tanque, a exemplo das coridoras e dos cascudos pacíficos. Eles usam espaços totalmente diferentes no dia a dia, o que evita esbarrões desnecessários no corredor. A biologia da espécie pede esse respiro espacial, pois o animal mantém hábitos caçadores perante organismos menores e defende seu espaço com afinco.
Outra boa opção são os peixes de cardume que nadam muito rápido e têm o corpo alongado, como o paulistinha (Danio rerio). Eles passam tão velozes pela área que o peixe paraíso mal tem tempo de prestar atenção neles. O segredo é manter apenas um macho da espécie no aquário e garantir que a água tenha pH e temperatura adequados para todo mundo, evitando variações bruscas que deixem os animais estressados e vulneráveis a doenças.
Quem você deve manter bem longe dele?
Aqui é onde muita gente erra por puro otimismo, imaginando que todo peixe colorido vai se dar bem em um ambiente aquático pacífico. A realidade costuma ser bem menos romântica.
Colocar um peixe paraíso junto com um peixe Betta macho é pedir por confusão garantida. Os dois compartilham hábitos territoriais parecidos na superfície e o resultado costuma ser violento. Outros machos da mesma espécie também não devem ficar juntos de jeito nenhum, pois a disputa pelo território é constante e costuma terminar mal. A semelhança no formato do corpo e a disputa pela zona de superfície geram agressões severas e incompatibilidade direta.
Existe também o erro clássico de colocar o peixe paraíso com espécies de nadadeiras longas e nado lento, como os guppies ornamentais ou acarás com barbatana em formato de véu. Para o peixe paraíso, aquela cauda balançando funciona como um convite irresistível para uma mordida. É quase como balançar um fio na frente de um gato curioso. Invertebrados como camarões ornamentais e caramujos também entram na lista de risco, pois acabam tendo antenas e apêndices danificados ou sofrem predação de filhotes.
A importância de uma boa decoração
Mesmo escolhendo os vizinhos certos, o ambiente precisa de ajuda para manter a paz. A instalação de plantas densas, troncos e rochas não serve apenas para deixar o aquário bonito. Esses elementos funcionam como barreiras visuais, agindo exatamente como uma cerca alta entre duas casas ou divisórias em um escritório aberto.
Quando o peixe paraíso não consegue enxergar os outros habitantes o tempo todo, o estresse despenca e os ataques territoriais diminuem radicalmente. Em um aquário pelado e sem esconderijos, o macho dominante passa o dia inteiro em estado de alerta, perseguindo os outros moradores até esgotar a paciência e a saúde de todo mundo. O estresse crônico gerado por perseguições constantes abaixa a imunidade dos animais e abre portas para infecções por fungos e bactérias oportunistas. Por isso, antes de soltar qualquer peixe novo, vale a pena submetê-lo a uma quarentena isolada de quinze a trinta dias, além de acostumá-lo gradualmente à temperatura e à acidez da água.
Se notar que algum peixe está permanentemente escondido, com as nadadeiras roídas ou recusando comida, reveja o espaço e a dinâmica do aquário. E caso surjam lesões corporais sérias ou sinais persistentes de doença, consulte sempre um veterinário especializado em animais aquáticos para garantir o tratamento adequado.





