O que Periquito-rico come?

Imagine que você acabou de colocar uma tigela nova de comida na gaiola e, em poucos minutos, o fundo já está coberto por cascas vazias e pedaços que o seu pequeno morador simplesmente decidiu ignorar. Você olha para o pote e se pergunta se aquelas sementes coloridas que comprou no mercado são realmente tudo o que ele precisa para viver bem.
O periquito-rico precisa ter como base alimentar a ração extrusada específica para psitacídeos de pequeno e médio porte, complementada com vegetais frescos e apenas uma pitada de sementes como petisco.
Se você achava que bastava encher a tigela com girassol e deixar a natureza seguir seu curso dentro da sala, vale a pena olhar mais de perto para o prato do seu pequeno companheiro. Na natureza, esse periquito passa o dia voando em bandos, quebrando frutos secos e buscando polpas, brotos e sementes variadas por aí. Só que, dentro de casa, o gasto de energia despenca drasticamente. Quando oferecemos uma dieta baseada exclusivamente em sementes, cometemos um erro nutricional silencioso. É o equivalente a manter uma pessoa à base de batata frita todos os dias. No começo parece funcionar, mas a conta chega na forma de problemas de saúde.
As sementes mais comuns, especialmente o girassol, são ricas em gorduras e pobres em nutrientes fundamentais como cálcio, vitamina A e aminoácidos essenciais. O resultado desse excesso calórico associado à vida em espaço reduzido costuma ser a obesidade e o acúmulo perigoso de gordura no fígado.
Por que a ração extrusada deve ser a estrela do prato?
Aqui entra o grande ponto de mudança da avicultura moderna, que é a ração extrusada. Diferente das sementes soltas, cada grão desse alimento passa por um processo de alta temperatura e pressão que cozinha os ingredientes e une tudo em uma fórmula homogênea.
Isso resolve um problema clássico conhecido como alimentação seletiva. Quem convive com essas aves sabe exatamente como funciona. O periquito enfia o bico no pote, fuça tudo, escolhe apenas as sementes mais gordurosas e saborosas e joga o resto no fundo da gaiola. Com a ração extrusada, isso não acontece, pois cada pedacinho entrega a mesma proporção de vitaminas e minerais.
Em geral, a recomendação é que essa ração represente a maior parte de tudo o que ele consome diariamente. O restante do cardápio fica por conta de vegetais frescos.
O buffet diário do seu periquito
Montar o restante da dieta não exige habilidades dignas de programa de culinária, mas pede consistência e atenção aos ingredientes certos. Pense nisso como a preparação de uma salada bem colorida.
Certa proporção da rotina alimentar deve incluir folhas verde-escuras muito bem higienizadas, como couve, rúcula, agrião e chicória, além de legumes crus ou levemente cozidos no vapor, a exemplo de cenoura, abóbora e abobrinha. As frutas entram em proporções menores, com opções seguras como mamão, maçã sem sementes, pera e melão.
E as sementes? Elas não precisam ser banidas para sempre da vida do animal. Pelo contrário, uma pequena porção de alpiste, painço e até uma castanha com casca pode funcionar muito bem como recompensa durante o treino ou espalhada pela gaiola para estimular o forrageamento, que é o comportamento natural de procurar e desbravar a comida.
O perigo invisível em alguns alimentos
Embora seja tentador dividir o lanche da tarde com o pet, o sistema digestivo das aves funciona de uma maneira muito específica e reage mal a vários ingredientes comuns na nossa cozinha.
Existe uma lista de itens terminantemente proibidos que nunca devem chegar perto do seu periquito-rico. O abacate lidera essa lista por conter uma toxina capaz de causar falência cardiorrespiratória e morte rápida. Chocolate, café e qualquer bebida com cafeína também entram na proibição absoluta por acelerarem o coração da ave a níveis catastróficos.
Alho e cebola provocam a destruição das células vermelhas do sangue e geram quadros graves de anemia. A alface, apesar de parecer inofensiva e refrescante, contém substâncias que irritam a mucosa intestinal e podem provocar diarreia intensa. Além disso, as sementes de maçã e de pera contêm compostos que liberam cianeto no trato digestivo, exigindo que você limpe muito bem as frutas antes de oferecê-las.
Detalhes que mudam com a rotina e a idade
A quantidade e o tipo de comida não precisam ser engessados para o resto da vida. Durante o período de muda de penas, por exemplo, o corpo da ave gasta uma quantidade enorme de energia e nutrientes para formar novas estruturas, exigindo um aporte maior de proteínas e aminoácidos específicos.
Se você notar que a ave está com o bico o tempo todo no pote, mas o peito começa a ficar muito proeminente e magro ao toque, ou se as fezes mudarem de consistência de forma repentina, vale ligar o sinal de alerta. Qualquer mudança drástica na rotina alimentar ou suspeita de indisposição exige uma avaliação com um veterinário especializado, afinal, as aves costuma esconder os sinais de fraqueza até que o problema esteja avançado.
Convém destacar ainda que o periquito-rico é uma ave silvestre nativa da fauna brasileira, o que significa que sua manutenção em casa exige comprovação de origem legal por meio de criadouro autorizado, com anilha fechada e nota fiscal, respeitando as normas dos órgãos ambientais.
Com uma base sólida de ração extrusada, vegetais frescos bem lavados e longe de qualquer toxina caseira, você garante que o seu periquito tenha energia de sobra para voar, cantar e fazer bagunça pela casa por muitos anos.







