O que Peixe-coelho come?

A cena é clássica. Você se aproxima do aquário marinho, o Peixe-coelho imediatamente nada até o vidro e começa a fazer movimentos rápidos, parecendo implorar por comida como um cachorro faminto ao lado da mesa de jantar. Dá até uma ponta de culpa não jogar mais um pouco de ração ali. Mas será que ele está realmente com fome, ou você está prestes a transformar o fundo da sua sala em uma zona tóxica?
Para responder direto ao ponto: o Peixe-coelho come principalmente rações marinhas de alta qualidade enriquecidas com algas e espirulina, complementadas por vegetais e petiscos congelados ocasionais. Trata-se de um peixe ornamental marinho cuja importação é permitida no Brasil conforme as normas do IBAMA, exigindo um cuidado rigoroso com a dieta e com a qualidade da água.
A grande questão não é apenas o que colocar no aquário, mas como e quanto oferecer. Se você já teve a tentação de encher o tanque porque o animal parece sempre voraz, vale a pena entender como funciona o metabolismo desses bichos e o perigo invisível que se esconde nas sobras do fundo.
O cardápio ideal para o Peixe-coelho
Na natureza, esses peixes passam o dia raspando algas das rochas. No aquário doméstico, replicar essa rotina exige um equilíbrio entre alimentos secos e vegetais para atender ao perfil fisiológico do gênero.
As rações formuladas especificamente para peixes marinhos onívoros e herbívoros devem formar a base da dieta. Como esse tipo de peixe precisa de uma boa dose de matéria vegetal para funcionar direitinho, vale a pena intercalar essas rações com folhas de algas secas, daquelas usadas em culinária japonesa, ou suplementos ricos em espirulina.
De vez em quando, você pode incluir alimentos congelados, como artêmias, para dar aquela variada que eles adoram. Só tome cuidado para não transformar o congelado na base da alimentação, já que o foco desse peixe é essencialmente herbívoro. E esqueça qualquer ração comum de peixe de água doce. O perfil nutricional e o teor de gordura exigidos no ambiente marinho são completamente diferentes.
A armadilha do peixe faminto
Aquele entusiasmo do peixe assim que você chega perto do aquário costuma enganar muita gente. Não é fome real, é puro instinto associativo. O animal aprendeu que a sua aproximação significa comida e age no reflexo, mas isso não significa que ele precise de novas refeições o tempo todo.
Se você ceder toda vez e despejar ração além da conta, o excesso vai afundar e se acumular no substrato ou nas rochas. É aqui que o cenário complica. Deixar comida sobrando no aquário é o equivalente a esquecer um prato de restos de comida em um quarto abafado por dias.
Bactérias começam a decompor essa matéria orgânica rapidamente, consumindo o oxigênio dissolvido na água e disparando os níveis de amônia, uma substância altamente tóxica para qualquer organismo aquático. Em poucas horas, a qualidade da água despenca e a saúde dos moradores vai junto, podendo levar os animais a um quadro de letargia ou óbito.
A regra dos dois minutos
Para evitar qualquer desastre químico, existe uma medida simples que todo aquarista deveria seguir à risca, conhecida como a regra dos dois minutos.
Forneça a ração uma ou duas vezes ao dia, mas ofereça apenas a quantidade que o Peixe-coelho e os companheiros de tanque conseguem devorar completamente nesse intervalo. Se ainda sobrar comida boiando ou afundando depois desse tempo, você pesou a mão na quantidade.
Outro hábito interessante adotado por quem já tem estrada na área é programar um dia de jejum semanal para os animais. Isso ajuda a limpar o trato digestivo dos peixes e dá aquela folga providencial para o filtro dar conta dos resíduos. Caso alguma sobra escape e acabe no fundo, pegue o sifão ou uma redinha para tirá-la na mesma hora, evitando que a matéria orgânica comece a estragar na água.
Exceções que pedem cautela na rotina
Nem sempre a rotina alimentar segue o mesmo figurino. Se você acabou de buscar o Peixe-coelho na loja ou passou por um transporte longo, segure a vontade de jogar comida logo nas primeiras horas. Bichos recém-chegados chegam com o metabolismo no limite pelo estresse, e colocar comida agora só vai sujar o aquário enquanto eles tentam entender onde estão.
Por outro lado, peixes que já passaram por essa fase de adaptação e estão na quarentena ganham porções menores e bem divididas ao longo do dia, exigindo trocas parciais diárias na água para manter o ambiente impecável e sem detritos acumulados.
Agora, se o Peixe-coelho resolver parar de comer de uma hora para a outra, perder o interesse por tudo e nadar esquisito, abra o olho. A recusa por comida costuma ser o primeiríssimo aviso de que a água desandou ou de que tem alguma doença rondando o tanque. Insistir em oferecer petisco só serve para poluir mais a água sem ajudar o bicho.
Se você notar apatia prolongada, mudanças estranhas nas cores, respiração pesada perto da superfície ou machucados pelo corpo, o mais sensato é procurar um veterinário especialista em animais aquáticos para investigar o caso com calma, deixando de lado receitas caseiras ou tentativas de resolver tudo por conta própria.







