O que Colisa lalia come?

Você chega do trabalho, acende a luz da sala e vai conferir o aquário. Mal se aproxima do vidro e lá está o seu Gourami anão, a Colisa lalia, fazendo acrobacias na superfície como se não comesse há semanas. Dá até vontade de abrir o potinho e jogar mais um pouco de ração para ver aquele entusiasmo todo. Mas será que ele está mesmo faminto ou é só o bom e velho teatro dos peixes por atenção?
A Colisa lalia é um peixe onívoro e precisa de uma base diária de ração seca de boa qualidade em flocos ou micro-pellets, complementada de vez em quando com alimentos congelados ou vivos, como artêmias. O segredo da alimentação desse pequeno peixe exótico não está em quanto ele quer comer, mas no que o organismo dele e a água do aquário conseguem suportar.
Para entender melhor a rotina alimentar dessa espécie, vale olhar para o comportamento natural dela. Na natureza, ou em um tanque bem montado, esses peixes exploram a superfície e a meia-água. Eles têm uma boca pequena, o que significa que o tamanho do grão da comida importa muito. Esqueça pedaços grandes. Se a ração for desproporcional à boca do animal, ele vai ignorar ou brigar com o alimento sem conseguir engolir.
Uma dúvida muito comum entre quem está começando no aquarismo é saber a quantidade exata de comida. É aqui que entra a regra de ouro das porções. Você deve oferecer apenas o que os peixes conseguem consumir totalmente em dois minutos, uma ou duas vezes ao dia.
Pense nisso como servir um prato individual para uma visita. Se você coloca uma montanha de comida que ninguém consegue terminar, o excedente vai sobrar no prato, estragar e deixar o ambiente desagradável. No aquário, a dinâmica é rigorosamente a mesma, só que muito mais rápida e perigosa.
O perigo das sobras no aquário
Quando sobra comida, os flocos afundam, caem no substrato e começam a se decompor rapidamente. Bactérias entram em ação para dar conta daquela matéria orgânica, consumindo o oxigênio dissolvido da água e gerando picos de amônia livre. Esse composto é altamente tóxico para os peixes, causando desde lesões nas brânquias até o surgimento de parasitas indesejados.
Por causa disso, se restar qualquer farelo de comida boiando ou acumulado no fundo passado esse tempo, vale a pena retirar o excedente com uma redinha ou sifão. Aquele bom e velho dia de jejum planejado, como pular a refeição uma vez por semana, serve para aliviar o sistema digestivo do animal e diminui a sujeira acumulada no sistema sem trazer nenhum prejuízo à saúde dele.
Outro detalhe que costuma pegar muita gente desprevenida é o prazo de validade da ração. A tendência natural é olhar apenas para a data impressa pelo fabricante no rótulo e acreditar que o produto continua ótimo por anos. Só que, logo após romper o lacre pela primeira vez, o relógio começa a correr contra a conservação daquele pote.
Pense naquele pacote de biscoito esquecido no armário da cozinha. Mesmo dentro do prazo de validade, depois de semanas aberto ele puxa a umidade do ar, perde a crocância, o gosto e as vitaminas principais vão pelo ralo. Com a comida do seu peixe acontece exatamente a mesma coisa. O período ideal de uso depois de destampar a embalagem não passa de três meses, contanto que o pote fique guardado em lugar seco, arejado e bem fechado.
Mitos sobre a limpeza e a fome dos peixes
Muitos donos ainda caem no conto de que peixe come sujeira e fezes, acreditando que o tanque se mantém limpo sozinho se economizarem na comida. Pode tirar essa ideia da cabeça. Nenhum peixe ornamental se alimenta de dejetos. Aquela sujeira que desaparece na água é trabalho de bactérias e do sistema de filtragem, e não um apetite faxineiro dos moradores do aquário.
A Colisa lalia, como espécie exótica regulamentada e autorizada para o aquarismo no Brasil conforme as normas do IBAMA, vive muito bem em tanques comunitários, mas pede cuidado com o tamanho dos vizinhos de aquário e com a distribuição da comida. Peixes novos no pedaço passam por um momento sensível de adaptação e transporte, precisando ficar sem comer nas primeiras horas até se acostumarem com a nova água.
Se você perceber que a sua Colisa lalia parou de comer de repente, recusando qualquer alimento por mais de vinte e quatro horas, ou notar alguma mudança estranha no comportamento e no corpo do bicho, o passo certo é procurar um médico-veterinario especializado em pets exóticos e aquáticos, fugindo de receitas caseiras ou tentativas de medicar a água por conta própria.
Manter o aquário em ordem pede atenção aos detalhes da rotina, respeito ao limite do estômago do seu pet e a consciência de que aquela festa toda perto do vidro é só um truque de quem quer comer mais, e não um sinal real de fome extrema.






