O que Betta Halfmoon come?

Você chega com o pote de ração na mão, encosta perto do aquário e, antes mesmo de tocar na tampa, o seu Betta Halfmoon já está fazendo acrobacias no vidro, como se não comesse há semanas. Dá até vontade de jogar uma colherada generosa só para ver o bicho contente. Mas calma lá. O apetite empolgado dele é puro reflexo condicionado, e a verdade é que o estômago desse pequeno nadador tem praticamente o mesmo tamanho do olho dele.
O Betta Halfmoon (Betta splendens) precisa de uma dieta rica em proteína animal, oferecida de uma a duas vezes ao dia por meio de rações específicas em micro grãos flutuantes de alta digestibilidade. Como ele é um peixe de hábito essencialmente carnívoro e insetívoro, a escolha dos ingredientes certos faz toda a diferença para manter a cor viva e a energia em dia.
Sabe por que a ração precisa flutuar? Se você reparar na boca do Betta, vai notar que ela é levemente voltada para cima. Na natureza, os ancestrais dele viviam na superfície de águas calmas caçando pequenos insetos e pequenos animais aquáticos que caíam na água. Por isso, ração que afunda rápido demais vira lixo no fundo antes que ele perceba.
Aquela velha ideia de que peixe come qualquer farelo ou pedaço de vegetal de raiz está completamente errada. O trato digestivo do Betta não foi desenhado para processar carboidratos complexos ou matéria vegetal pesada. Oferecer flocos genéricos para peixes comunitários ou encher o aquário de plantas achando que ele vai beliscar por conta própria é um caminho certeiro para problemas de saúde. A ração seca processada, inclusive, deve ser consumida rapidamente após aberta, pois o armazenamento incorreto em locais úmidos reduz drasticamente os nutrientes e pode estragar os grânulos.
Qual é a quantidade certa e como evitar erros?
A regra de ouro do aquarismo para essa espécie é simples: ofereça apenas a quantidade de grãos que o peixe consiga devorar integralmente em um ou dois minutos. Para a maioria dos adultos, isso significa de dois a quatro micro grãos por refeição.
Sabe o que acontece com o excedente? A comida que sobra afunda, entra em decomposição e estraga a água. Imagine ficar trancado em um quarto pequeno com um monte de lixo orgânico apodrecendo no chão. É mais ou menos isso que o excesso de ração faz em um aquário, liberando substâncias tóxicas que sufocam as brânquias do peixe e destroem a imunidade dele rapidamente.
Além disso, como o estômago do Betta é minúsculo, entupir o animal de comida seca causa uma expansão interna dos grânulos. Isso comprime órgãos vitais, incluindo a bexiga natatória, que é o órgão responsável pelo equilíbrio. O resultado visível é um peixe com a barriga avantajada, nadando de lado ou incapaz de afundar. Quedas bruscas na temperatura da água, deixando-a abaixo dos vinte e quatro graus, também travam o metabolismo do peixe e cortam o apetite, tornando a sobra de comida ainda mais perigosa.
Para dar um descanso ao sistema digestivo do animal, vale adotar um dia de jejum tático por semana. Pode parecer maldade deixar o peixe vinte e quatro horas sem comer, mas essa pausa ajuda a esvaziar o trato intestinal e previne a prisão de ventre.
O cardápio pode ser variado?
Pode e deve. Embora a ração seca de boa qualidade seja a base da rotina, você pode complementar a alimentação de duas a três vezes por semana com pequenos crustáceos congelados ou vivos, como artêmias, ou spirulina em flocos. Esse agrado mexe com o instinto de caça do peixe e melhora o condicionamento físico.
A exuberante nadadeira caudal em forma de meia-lua, que dá nome ao morfótipo Halfmoon, funciona como um belo vestido de gala. Ela exige muita energia para se movimentar e é extremamente sensível. Se a qualidade da água cai por causa de restos de comida, essas nadadeiras longas são as primeiras a sofrer, desfiando ou desenvolvendo infecções.
Para manter o apetite e o metabolismo funcionando perfeitamente, o ambiente precisa de alguns cuidados básicos. O aquário precisa ter entre quinze e trinta litros, a água deve ser mantida sempre limpa, com temperatura entre vinte e quatro e vinte e oito graus controlada por aquecedor com termostato, pH neutro a levemente ácido, e filtragem muito suave. Correntezas fortes geradas por filtros desregulados estressam o animal e drenam a energia dele. É preciso refutar de vez a criação em beteiras sem aquecedor ou filtro.
Se o seu Betta Halfmoon de repente recusar a comida, ficar letárgico ou apresentar manchas e inchaços anormais, não tente adivinhar o problema nem invente receitas caseiras. Interrompa a alimentação momentaneamente, verifique os parâmetros da água e procure orientação de um veterinário especializado para avaliar a saúde do peixe com segurança, já que o diagnóstico de doenças e a prescrição de medicamentos exigem avaliação profissional habilitada.





