O que Bengalim do Japão come?

Sabe aquela tigela de sementes que a gente costuma encher para o passarinho sem pensar muito? Imagine o seu Bengalim do Japão, carinhosamente chamado de Manon, empoleirado ali, escolhendo a dedo apenas os grãos mais rechonchudos e deixando o resto para trás.
A base principal da alimentação de um Bengalim do Japão em cativeiro deve ser a ração extrusada própria para pequenos passeriformes, complementada com misturas de sementes limpas, farinhadas proteicas e vegetais frescos. Se você achava que bastava comprar um saquinho de painço e alpiste no mercado para manter seu pequeno cantor feliz e saudável para o resto da vida, vale a pena olhar mais de perto para o prato dele. O velho hábito de criar aves apenas com sementes tem seus problemas, e a ciência por trás da avicultura doméstica mudou bastante nos últimos tempos.
Por que a mistura de sementes pura não basta?
Vamos ser francos. Se deixassem você escolher entre comer uma salada cheia de fibras ou um balde de batata frita todos os dias, qual seria a sua escolha? O Bengalim faz exatamente a mesma coisa com as sementes.
As misturas tradicionais de grãos costumam ser muito ricas em gorduras e pobres em nutrientes essenciais, como cálcio e vitaminas fundamentais. Como a ave tem o péssimo hábito de comer apenas o que acha mais saboroso, ela acaba gerando um desequilíbrio nutricional enorme no próprio organismo. É aí que entra a ração extrusada. Pense nela como um prato feito completo e prensado em pequenos grânulos. No processo de fabricação, os ingredientes passam por alta temperatura e pressão, o que elimina qualquer micro-organismo indesejado e junta todos os nutrientes em cada pedacinho. A grande vantagem é que o passarinho não consegue separar o que gosta e deixar o resto de lado. Cada mordida é uma refeição equilibrada.
Isso significa que você nunca mais pode dar sementes? Não exatamente. As sementes continuam tendo um papel importante, mas devem funcionar como petisco, item de enriquecimento ambiental e recompensa, ocupando uma pequena fração do que ele come no dia. A ração extrusada assume o trono e fica com a maior parte do cardápio diário.
O perigo silencioso do sedentarismo
Manter uma ave em uma gaiola limita bastante a capacidade dela de voar longas distâncias para queimar calorias. Na natureza, o gasto de energia é constante, mas na sala de estar de casa a história é outra. Se o Bengalim passa o dia inteiro comendo sementes altamente calóricas e se movimentando pouco, o resultado é quase certo. Ele ganha peso rápido, acumula gordura subcutânea e pode desenvolver problemas graves no fígado, o que reduz bastante a expectativa de vida dele. Um peito excessivamente estufado de gordura ou amarelado é sinal vermelho de que o ponteiro da balança passou do limite saudável.
Por outro lado, o extremo oposto também é perigoso. Se você notar o osso do peito muito saliente, parecendo a lâmina de uma faca, estamos diante do famoso peito seco. Isso indica emagrecimento severo, que pode vir de uma desnutrição crônica ou de infecções que exigem avaliação rápida de um veterinário especializado em aves.
A fase de ama-seca e o cardápio reforçado
Se você cria Bengalins, provavelmente sabe que eles são famosos por atuar como excelentes pais adotivos, cuidando com o maior carinho de filhotes de outras espécies, como o Diamante-de-Gould. Só que ser a babá oficial da avicultura exige um esforço físico monumental. Para produzir o alimento que regurgita para os filhotes, o corpo do Bengalim consome uma quantidade absurda de energia e proteínas. Manter o pássaro apenas na ração de manutenção durante esse período é pedir para esgotar a saúde do animal.
Nessas fases de reprodução ou trato de filhotes, o cardápio precisa de um reforço substancial. Farinhadas ricas em proteínas e ovos cozidos picados entram em cena para fornecer o suporte necessário. Esse reforço ajuda a sustentar o desgaste da ave e garante que os pequenos adotados cresçam fortes, sem que os pais adotivos sofram com a desnutrição.
O que passa longe do bico do seu passarinho?
Com certeza você já viu alguém oferecendo um pedacinho de pão, biscoito ou restos de comida humana para um pássaro na tentativa de agradar. Esqueça essa ideia por completo. Alimentos industrializados para humanos contêm quantidades absurdas de sal, açúcar, conservantes e gorduras que o organismo delicado de um passarinho simplesmente não sabe processar. Dar pão ou salgados ao seu Bengalim é um convite aberto a distúrbios gastrintestinais graves e intoxicações.
O mesmo vale para as farinhadas baratas de procedência duvidosa ou o fornecimento exagerado de suplementos sem critério. Tudo o que foge da combinação segura de ração extrusada de qualidade, sementes selecionadas e vegetais higienizados precisa passar pelo crivo da moderação.
Como fazer a transição alimentar sem estresse?
Se o seu Bengalim passou a vida inteira comendo apenas sementes, ele vai olhar para a ração extrusada com uma cara de profunda desconfiança. Para ele, aquilo nem sequer é comida. A mudança não deve acontecer da noite para o dia. Comece misturando uma quantidade pequena da ração nova junto com as sementes habituais no comedouro. Ao longo de algumas semanas, reduza gradativamente os grãos e aumente a proporção dos grânulos.
Fique de olho no peso da ave e observe se ela está de fato comendo o novo alimento, prestando atenção inclusive no aspecto das fezes. Se notar qualquer alteração drástica na consistência ou sinais de apatia, recue um pouco no processo e busque orientação profissional. Um ajuste bem feito na dieta garante que o seu pequeno companheiro tenha uma vida longa, ativa e cheia de saúde ao seu lado.







