O que Agapornis Nigrigenis come?

Sabe aquela cena em que você chega perto da gaiola e o pequeno morador de máscara preta faz aquela festa barulhenta, esperando qualquer coisinha para bicar? Se você já se pegou pensando se a tigela dele está realmente bem servida, o Agapornis nigrigenis precisa ter como base alimentar a ração extrusada própria para pequenos psitacídeos, preenchendo a maior parte do que ele come no dia a dia. Parece simples, mas quem já teve a experiência de abrir um pacote de sementes mistas sabe que a tentação de encher o comedouro com grãos coloridos e girassol é enorme. Acontece que tratar essas sementes como prato principal é o equivalente a manter uma pessoa adulta à base exclusiva de fast-food. É gostoso no começo, mas o estrago no organismo aparece logo ali na frente.
Por que a ração extrusada deve ser a estrela da tigela?
Na natureza, essas aves passam o dia voando quilômetros para encontrar sementes e gastam uma quantidade impressionante de energia. Dentro de casa, o cenário muda bastante. Se o comedouro fica entupido de sementes gordurosas, o bichinho come só o que é mais saboroso e descarta o resto, um comportamento conhecido como alimentação seletiva. A extrusada resolve isso porque cada grãozinho tem um perfil nutricional completo. Ele não consegue separar o que é bom do que é ruim, porque tudo é igualmente nutritivo. Mas deixar a dieta restrita apenas à ração industrializada também seria meio monótono. A rotina alimentar precisa de variedade fresca para manter a cabeça e o corpo da ave funcionando bem.
Como dividir os pratos ao longo da semana?
Pensando no volume total que ele consome, a divisão ideal costuma seguir uma lógica bem prática. A maior parte fica com a ração extrusada. O restante se divide entre vegetais frescos e, bem de vez em quando, algumas sementes. Os vegetais folhosos verde-escuros entram com força total. Couve, rúcula, agrião e chicória são excelentes escolhas. Entre os legumes, a cenoura crua, a abóbora, a abobrinha e até o milho verde cru fazem muito sucesso e ajudam a ocupar o tempo da ave. Já as frutas, como mamão, maçã, banana e pera, devem aparecer de forma bem controlada, de duas a três vezes por semana e sempre sem nenhuma semente, já que o açúcar natural em excesso não faz bem. As sementes e os grãos germinados não estão proibidos, mas mudaram de categoria. Eles viraram petiscos. Devem ocupar uma parcela pequena da dieta e ser usados como recompensa ou escondidos em brinquedos para estimular o comportamento de procurar comida.
O passo a passo para mudar a ração sem estresse
E se o seu companheiro emplumado faz cara feia para a ração nova? A transição alimentar exige paciência e não deve acontecer do dia para a noite. Se você recolher as sementes de repente e colocar só a extrusada, o pássaro pode simplesmente se recusar a comer por não reconhecer aquilo como alimento, o que é perigoso. O segredo é misturar as coisas aos poucos. Na primeira semana, mantenha a maior parte de sementes e adicione um punhado pequeno da ração nova. Nas semanas seguintes, vá invertendo essa proporção bem devagar, até que a extrusada vire a dona absoluta da tigela e as sementes virem um agrado ocasional. Outro detalhe que parece menor, mas não é, diz respeito à higiene. As porções de vegetais e frutas frescas que sobram no comedouro não devem passar de poucas horas na gaiola. O calor estraga esses alimentos rapidinho, virando um convite aberto para fungos e bactérias. Água limpa trocada todos os dias e potes bem lavados completam o básico para manter a saúde em dia.
Alimentos que entram na lista dos proibidos
Existem alguns itens que entram na lista dos terminantemente proibidos para a espécie. O abacate encabeça o topo por conter uma substância que é letal para aves. A alface comum também fica de fora, pois costuma provocar diarreias severas e desidratação. Chocolate, café, alho, cebola, laticínios e alimentos muito salgados ou fritos causam estragos profundos no organismo delicado de um psitacídeo. As sementes de maçã e pera também devem ser evitadas a todo custo, devido aos compostos que liberam toxinas durante a digestão. Se a rotina alimentar estiver tinindo, o visual do animal costuma denunciar. Penas brilhantes, disposição para voar pela gaiola e peso corporal estável são ótimos sinais. Mesmo com todo o cuidado na cozinha, os bichinhos às vezes dão sustos. Caso você note que a ave está amuada, com as penas opacas, o osso do peito muito aparente ou apresentando alterações persistentes nas fezes, o melhor caminho não envolve receitas caseiras ou palpites na internet. Um veterinário especializado em animais silvestres e exóticos é quem deve avaliar a situação de perto para garantir que o seu pequeno parceiro continue cantando por muito tempo.








