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O Griffon de Bruxelas é fácil de adestrar?

Resposta rápida

Sim, o Griffon de Bruxelas aprende com bastante facilidade, mas desde que você esqueça qualquer ideia de mandar nele pela força. Essa raça inteligente exige sessões curtas de cinco a dez minutos baseadas em reforço positivo, pois castigos severos geram apenas teimosia e desconfiança.

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O Griffon de Bruxelas é fácil de adestrar?

ComportamentoPor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de cachorro

Você chega em casa depois de um dia longo, tira os sapatos na entrada e percebe que tem um pequeno ser barbudo sentado no tapete, encarando você com uma expressão que mistura a seriedade de um filósofo antigo e a indignação de quem foi negligenciado por cinco minutos inteiros. É o Griffon de Bruxelas. Logo surge a dúvida na cabeça de quem convive com um: afinal, esse pequeno exemplar de cara achatada e olhar quase humano é fácil de adestrar? Sim, o Griffon de Bruxelas aprende com bastante facilidade, mas desde que você esqueça qualquer ideia de mandar neles pela força. Trata-se de um cão inteligente, muito atento e que genuinamente quer agradar a sua gente. Descendentes dos antigos caçadores de ratos das estrebarias belgas, conhecidos como Griffons d'Écurie, eles carregam no corpinho compacto uma mistura curiosa entre a vivacidade dos terriers e a dependência afetuosa de cães de companhia. Eles entendem comandos e rotinas novas num piscar de olhos. O problema não é a capacidade de aprendizado, e sim o método que você escolhe para ensinar. Se você tentar impor disciplina com berros, puxões na coleira ou broncas ríspidas, vai encontrar uma parede de teimosia. Acontece que essa raça tem uma memória impressionante para experiências ruins. Uma correção mais severa hoje pode significar um cão desconfiado e esquivo amanhã. O clube oficial da raça nos Estados Unidos deixa claro que eles simplesmente não foram feitos para o manejo bruto e guardam cada puxão na memória. O que acontece quando você decide transformar o treino em uma queda de braço? A resposta é simples: você perde. Eles se fecham, viram o rostinho para o lado e decidem que ignorar a sua existência é a melhor forma de protesto. É preciso entender que a teimosia deles costuma ser apenas um sinal de exaustão ou confusão diante de um pedido mal explicado.

Como funciona a cabeça de um pequeno chefe

Existe uma certa ironia no comportamento do Griffon. Eles pesam entre três e seis quilos, mas caminham pela casa com a postura de quem comanda um império. Essa autoconfiança toda, misturada com uma carinha que lembra um pequeno macaco barbudo, faz com que muita gente ache que eles precisam de pulso firme para não montarem no tutor. Essa é uma armadilha perigosa. Quando o Griffon empina o focinho e recusa um comando, ele não está testando a sua liderança de forma maquiavélica. Na maioria das vezes, ou ele não entendeu o que você quer, ou o ambiente está estressante demais. O motor que faz essa raça funcionar é o reforço positivo. Petiscos saborosos, elogios entusiasmados e sessões curtas de aprendizado funcionam muito melhor do que qualquer cara amarrada da sua parte. Afinal, por que um cão iria querer colaborar com alguém que parece estar sempre prestes a aplicar uma multa de trânsito? A cooperação deles é conquistada pelo estômago e pelo bom humor. Se você variar o tom de voz e transformar cada acerto em uma festa genuína, o animal percebe que vale a pena prestar atenção em você.

O treino na prática diária

Esqueça aquelas aulas longas de meia hora onde o cão precisa obedecer a dezenas de comandos repetidos. Com o Griffon, o ideal é fatiar o aprendizado em sessões relâmpago de cinco a dez minutos, espalhadas pelo dia. Como manter the interesse de um bicho tão curioso sem virar uma chateação? Faça da seguinte forma:

  • Use petiscos de alto valor, como pequenos pedaços de frango cozido ou carne seca, reservados apenas para esses momentos.
  • Termine sempre com um acerto e uma festa enorme, deixando um gostinho de quero mais para a próxima sessão.
  • Evite ao máximo tocar na região do focinho de forma brusca durante o treino.

Aqui entra um detalhe físico fundamental. Por serem braquiocefálicos, ou seja, terem o focinho extremamente curto, qualquer pressão indevida no lábio superior ou nas narinas pode bloquear a passagem de ar e causar pânico instantâneo no animal. Se você precisar abrir a boca dele para verificar um dente ou limpar a carinha, faça isso com extrema delicadeza e de forma gradual, acostumando o cão aos poucos.

O compromisso da casa inteira e os limites da convivência

Outro ponto que pega bastante é a dinâmica familiar. O Griffon de Bruxelas tem a tendência de escolher uma pessoa favorita e colar nela como um carrapato. Se apenas você treinar e alimentar o cão, ele provavelmente vai ignorar solenemente os pedidos de qualquer outra pessoa da casa. Como a expectativa de vida deles gira em torno de doze a quinze anos, a compra ou adoção é um compromisso de longo prazo para todo o núcleo familiar. Todos precisam participar da rotina de carinhos, regras e petiscos.

Também existe uma restrição importante quanto ao ambiente doméstico. As associações especializadas não recomendam a raça para lares com crianças menores de cinco anos. Crianças nessa faixa etária ainda não compreendem os limites corporais de um cão tão pequeno e sensível, o que aumenta o risco de acidentes e pode traumatizar o animal para o resto da vida. Se a casa tem um ritmo muito caótico ou barulhento, o cão pode desenvolver uma postura excessivamente vigilante e ansiosa. Eles preferem ambientes previsíveis onde possam acompanhar os passos de seus tutores sem o estresse de surpresas constantes.

Durante o adestramento ao ar livre, preste muita atenção no clima. Dias quentes ou abafados são péssimos para cães de focinho curto. O esforço físico combinado com temperaturas elevadas pode desencadear desconforto respiratório, respiração acelerada de boca aberta e muito estresse. Se o tempo estiver abafado, transfira as atividades para a sala de casa, com o ventilador ou ar-condicionado ligados. Adestrar um Griffon de Bruxelas exige mais do tutor do que do próprio cão. Se você trocar a rigidez pela paciência e transformar o aprendizado numa espécie de jogo divertido, vai descobrir um companheiro leal, inteligente e absurdamente carinhoso.

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