LaPerm é indicado para tutor de primeira viagem?

Sabe aquela história de que quem nunca teve gato precisa começar com um felino invisível que só aparece para comer e dormir o dia todo na estante? Esqueça isso. Se você está pensando em dividir o sofá com um LaPerm, a resposta é sim, ele é super indicado para tutores de primeira viagem.
A principal razão para isso não é o fato de ele parecer uma pequena ovelha charmosa que acabou de sair de um salão de cabeleireiro. O bicho é simplesmente descomplicado na essência. Diferente de outras raças que exigem um manual de engenharia reversa para entender a saúde ou o humor, o LaPerm nasceu de forma natural em uma fazenda no Oregon lá em 1982, vindo de gatinhos de celeiro rústicos e resistentes. Por causa dessa origem pé no chão, a raça não carrega aquele histórico de doenças genéticas pesadas que costuma assustar quem está marinando na vida de tutor agora.
A rotina e o temperamento na prática
Imagine chegar em casa depois de um dia longo, abrir a porta e dar de cara com um gato que não só te espera no hall como faz questão de escalar seus ombros assim que você abaixa para tirar os sapatos. Ele tem essa mania curiosa e muito afetuosa. Não é o tipo de felino que decora o tapete e finge que você é um móvel que paga boleto. Ele quer participar, conversar com um miado suave, acompanhar você até a cozinha e, quem diria, até buscar um ratinho de pelúcia arremessado no corredor como se fosse um cachorro miniatura.
O temperamento amigável e a inteligência marcante facilitam bastante a adaptação de quem está aprendendo a decifrar a linguagem corporal felina. Enquanto algumas raças exigem anos de prática para você entender quando o animal quer espaço, o LaPerm costuma ser bastante vocal e expressivo. Ele mia para pedir atenção, ronrona ao menor sinal de carinho e segue os passos humanos pela casa com uma curiosidade genuína. Isso ajuda muito o tutor iniciante a ganhar confiança, porque o feedback do gato é constante e claro, eliminando aquela sensação incômoda de estar cuidando de uma planta com pelos.
A convivência com crianças e outros animais, como cães, costuma ser excelente, desde que a interação com os menores tenha aquela supervisão básica para evitar que o gato, empolgado com um salto mal calculado, acabe levando um susto. Na rotina de uma casa movimentada, ele não se esconde no primeiro barulho mais alto. Pelo contrário, investiga a origem do som com a mesma desenvoltura de quem domina o ambiente.
Cuidados com a pelagem e surpresas do ciclo biológico
Uma das maiores preocupações de quem nunca teve gato é a limpeza da casa e o trabalho com a pelagem. Aqui entra o grande alívio. Aquele visual encaracolado característico, causado por uma mutação genética dominante bem peculiar, tem uma vantagem prática enorme: tem pouco subpelo e uma tendência mínima a formar nós. A sensação ao tocar o pelo lembra a textura leve de uma lã de cordeiro arejada.
Em vez de gastar horas diárias com rasqueadeiras agressivas, você só vai precisar passar um pente de dentes largos ou giratórios uma ou duas vezes por semana. E tem um detalhe curioso sobre o banho que pouca gente acredita de primeira. Se por acaso ele resolver se meter em uma confusão e precisar de água e sabão, nada de ligar o secador de cabelo. O jato quente alisa os cachos e estraga o visual do animal. O segredo é deixar secar naturalmente ao ar livre e, se quiser dar um trato no penteado depois, basta molhar levemente as mãos com água e passar suavemente pelos fios para os caracóis voltarem ao lugar. Simples assim, sem frescura.
Apesar de toda essa tranquilidade, vale um alerta importante para não tomar um susto desnecessário no meio do caminho. O LaPerm passa por um processo biológico chamado de muda não sazonal. Isso significa que, em algumas épocas, ele pode perder uma quantidade considerável de pelo de uma vez só, chegando a ficar com o manto bem ralo ou com pequenas áreas temporariamente desnudas. Se você não souber disso, vai achar que o gato pegou alguma doença dermatológica grave da noite para o dia. Na verdade, é apenas o ciclo biológico da raça fazendo o trabalho de renovação. A pelagem completa, com aquela textura leve que lembra lã de cordeiro e os bigodes igualmente enrolados, leva de dois a três anos para atingir o ápice. As variedades podem surgir tanto com o pelo curto quanto longo, mas em todas elas a manutenção continua sendo bem amigável para quem está estreando na tutoria.
Outro ponto que merece atenção é a energia do bicho. O LaPerm é um gato ativo, inteligente e curioso. Se você procura um animal estátua que passe vinte horas seguidas imóvel em cima da almofada, talvez encontre um concorrente à altura da sua paciência. Eles gostam de altura, de inventar o que fazer e de interagir. Por isso, vale a pena investir em um bom arranhador alto, torres de escalada e brinquedos que exijam raciocínio para evitar que o tédio bata à porta.
No fim das contas, se você quer um companheiro presente, inteligente, de manutenção capilar surpreendentemente tranquila e livre de grandes complicações de saúde, o LaPerm vai tirar de letra a sua estreia no mundo dos gatos.








