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Himalaio: características, temperamento e cuidados

Resposta rápida

O Himalaio é o resultado da mistura entre o Persa e o Siamês, herdando o corpo fofo com pelagem longa e a carinha amassada do primeiro, além da coloração marcada nas pontas e dos olhos azuis do segundo. Ele costuma ser um companheiro tranquilo, mas exige escovação diária e atenção redobrada aos rins.

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Himalaio: características, temperamento e cuidados

RaçasPor 🕒 6 min de leitura
Ilustração de gato

Imagine que você acabou de entrar na sala e encontrou um gato com o corpo fofo de um Persa, o rosto com aquela máscara escura de um Siamês e dois olhos que parecem duas safiras encarando o nada, com uma expressão de quem carrega o peso do universo nas costas peludas. Esse é o Himalaio, um felino que parece ter saído de um catálogo de design, mas que na prática age como um nobre entediado esperando o chá da tarde. Se um amigo te perguntar do que se trata essa raça, o Himalaio é o resultado da mistura entre o Persa e o Siamês, herdando a carinha amassada e a pelagem longa do primeiro, e a coloração marcada nas pontas com os olhos azuis intensos do segundo. Só que por trás daquela aparência de pelúcia aristocrática existe um animal que exige cuidados bem específicos, especialmente com a saúde dos rins.

De onde vem essa mistura e como ele se comporta

A história do Himalaio começou quando criadores decidiram unir características de duas raças totalmente diferentes para ver no que dava. Deu certo na estética, mas o pacote completo veio com peculiaridades que todo tutor precisa conhecer antes de levar um filhote para casa. Muita gente pensa que por ter sangue de Siamês o Himalaio vai escalar as cortinas da sala e miar sem parar para pedir atenção. Esqueça essa ideia. Ele puxou muito mais o temperamento do Persa. O Himalaio costuma ser um verdadeiro sócio silencioso da casa. Prefere observar o movimento da família do alto do sofá ou esticar todo o seu corpo rechonchudo no tapete da sala, bem longe de qualquer confusão. Aquele gato quietinho, no entanto, esconde uma armadilha que pega muita gente de surpresa. Como ele é um animal extremamente calmo e avesso a escândalos, ele não vai miar alto para avisar que tem algo errado com a saúde dele. Se ele estiver sentindo dor, vai apenas ficar mais quieto do que o normal. E é aí que entra o grande perigo da raça.

O grande alerta de saúde e a doença renal policística

A principal preocupação quando se fala em Himalaio é a Doença Renal Policística, conhecida pela sigla PKD. Para entender o problema sem precisar abrir um livro de medicina, pense em um rim saudável como uma esponja de cozinha macia e cheia de furinhos que filtram o sangue perfeitamente. No gato com PKD, pequenas bolhinhas cheias de líquido, chamadas de cistos, começam a se formar dentro dessa esponja desde que o animal ainda está na barriga da mãe. Esses cistos vão crescendo bem devagar ao longo dos anos, espremendo o tecido que deveria estar limpando o organismo. O grande problema é que esses cistos são silenciosos. O gato parece perfeitamente saudável na flor da idade, comendo bem e brincando de vez em quando, enquanto os cistos trabalham em silêncio. Os sintomas só aparecem quando grande parte do rim já perdeu a capacidade de funcionar. Por isso, na hora de adotar ou comprar um Himalaio, nunca aceite apenas a palavra de que os pais são saudáveis. Exija o laudo do teste genético ou do ultrassom que comprove que os ancestrais estão livres da mutação do gene PKD1. Se o criador hesitar ou tentar inventar desculpas, procure outro lugar. Castrar animais portadores da mutação é a única forma de impedir que a doença continue avançando nas próximas gerações.

A manutenção diária da pelagem longa

Além dos rins, a pelagem longa é a outra grande marca registrada do Himalaio e o passaporte para bastante trabalho diário. Pense naquele pelo farto como um casaco de lã caro que não pode pegar chuva e nem embolar. Se você passar dois ou três dias sem escovar o seu Himalaio, vai notar a formação de nós implacáveis perto da virilha e debaixo das axilas. Mais do que uma questão de estética para o gato não ficar com aspecto desarrumado, a escovação diária com uma rasqueadeira de pontas protegidas evita que ele engula dezenas de pelos soltos ao se lamber. Quando o gato ingere muito pelo, o material se acumula no estômago e forma as temidas bolas de pelo, que causam vômitos e podem até gerar obstruções intestinais perigosas. Transformar a escovação em um ritual de carinho logo nos primeiros meses de vida do animal resolve o problema e garante momentos tranquilos de conexão entre vocês.

Como cuidar da rotina e proteger o seu gato

Manter um Himalaio em segurança exige aceitar uma regra básica: ele é um gato de ambiente estritamente interno. A ideia de deixar o gato dar voltas na rua para ser livre simplesmente não funciona com essa raça. O Himalaio não tem reflexos de caçador ágil, não sabe brigar na rua e está totalmente desprotegido contra doenças graves transmitidas por outros animais, como a esporotricose e os vírus da imunodeficiência e da leucemia felina. Janelas e varandas precisam estar totalmente teladas, sem exceção. Dentro de casa, a hidratação deve virar uma prioridade estratégica. Como a raça tem predisposição a problemas renais, incentivar o gato a beber água é um ato de preservação. Vale espalhar potes de cerâmica ou vidro pela casa, investir em fontes elétricas de água corrente que chamam a atenção dos felinos e incluir sachês ou alimentos úmidos de boa qualidade na dieta diária. Menos densidade na urina significa menos esforço para os rins. Você também pode notar um detalhe curioso que costuma assustar tutores em exames pré-operatórios. Alguns Himalaios apresentam uma alteração em um exame de sangue chamado aPTT, que mede o tempo de coagulação. Isso acontece por causa de uma herança genética chamada Deficiência do Fator XII. Embora o resultado do laboratório pareça alarmante no papel, na vida real essa condição costuma ser inofensiva e não causa sangramentos espontâneos ou problemas cirúrgicos. É apenas uma curiosidade genética que o seu veterinário saberá identificar sem drama. Se você perceber que o seu Himalaio começou a beber água em quantidades exageradas, a usar a caixa de areia com muito mais frequência do que o habitual, a recusar a comida ou a apresentar episódios de vômito sem motivo aparente, procure avaliação profissional imediata. Esses são sinais claros de que os rins precisam de atenção. O Himalaio é um companheiro leal, tranquilo e de uma beleza impressionante, desde que o tutor compreenda que cuidar dele vai muito além de admirar a pelagem fofa no fim do dia.

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