Hamster faz barulho ao respirar: o que pode ser?

Imagine que você passa pela gaiola do hamster no silêncio da noite, bem na hora em que o bicho acorda para começar a girar na rodinha, e percebe um som estranho. Parece um tique sutil, um estalido rápido ou um chiado abafado, como se houvesse um pequeno relógio de corda quebrado funcionando ali dentro.
Hamsters fazem barulho ao respirar por um motivo simples e direto: qualquer ruído audível, seja um clique, um assobio ou uma respiração ruidosa, é estritamente anormal e indica que as vias aéreas do animal estão irritadas, inflamadas ou bloqueadas.
Na rotina normal, esses pequenos roedores respiram de forma tão rápida e silenciosa que o corpo mal parece se mover. Mais do que isso, eles são considerados respiradores nasais obrigatórios pela biologia. Isso significa que a troca de ar acontece exclusivamente pelas narinas. Quando o hamster precisa abrir a boca para respirar, a situação já deixou de ser um simples incômodo e virou uma emergência médica de falta de ar.
Por que raios um bicho tão pequeno começa a chiar? A resposta costuma se dividir em três frentes principais: o ambiente onde ele vive, a presença de alguma infecção ou, no caso dos mais velhos, o coração.
A armadilha mais comum está escondida na própria gaiola. Se você usa maravalha ou serragem feita de madeira macia, como pinus ou cedro, saiba que esses materiais liberam compostos químicos voláteis e fenóis. Para o hamster, viver sobre esse tipo de forração equivale a passar o dia inteiro respirando em um ambiente com cheiro forte de produto de limpeza que destrói a proteção natural das vias aéreas. O mesmo vale para a amônia que se acumula no canto onde ele faz xixi, caso a limpeza daquele cantinho específico não seja feita com frequência.
Além disso, cheiros que parecem inofensivos para nós costumam ser devastadores para o sistema respiratório deles. Velas perfumadas, incensos, difusores de óleos essenciais, fumaça de cigarro e sprays de ambiente transformam o ar da casa em uma verdadeira zona de perigo para o roedor.
Mas e quando o problema não é o ambiente?
Quando a idade e o coração pesam no fôlego
Chega uma fase em que o relógio biológico cobra a conta, e é aqui que muitos tutores acabam pegando uma surpresa desagradável. Se o seu hamster já passou da marca dos dezoito meses de idade, aquele chiado persistente ou a respiração acelerada pode não ser uma simples gripe, mas sim uma falha no coração. Com a velhice, o músculo cardíaco perde a eficiência no bombeamento e o sangue acaba represado, o que resulta em líquido acumulado nos pulmões. Quando esse quadro se instala, a postura do animal muda de figura. Em vez de se enrolar na bolinha de sempre para dormir, o idoso passa a adotar um estilo de estátua, ficando sentado com os cotovelos abertos para fora do peito apenas para conseguir puxar o ar, numa tentativa desesperada de aliviar o sufoco.
O que evitar na tentativa de ajudar
O desespero ao ouvir qualquer som esquisito costuma empurrar muita gente para soluções caseiras desastrosas. Esqueça aquela ideia de levar o bicho para o banheiro abafado enquanto o chuveiro está ligado para criar vapor, pois o calor misturado com a umidade alta dispara a necessidade de oxigênio e pode provocar um colapso respiratório fulminante. Da mesma forma, esfregar pomadas mentoladas, cânfora ou óleos de eucalipto e melaleuca perto dele é um erro imperdoável, já que essas substâncias funcionam como verdadeiros venenos para organismos tão minúsculos e são absorvidas num piscar de olhos pela pele.
Primeiros passos e sinais de alerta
Antes de conseguir uma vaga com o veterinário especializado em animais silvestres, a sua prioridade deve ser ajustar o básico do manejo. Elimine qualquer serragem aromática da gaiola e substitua por papel picado livre de poeira, faça aquela faxina caprichada no canto do xixi para acabar com o cheiro de amônia, mande para longe qualquer produto com cheiro forte daquele aposento e aproxime a comida e a água do chão para que ele não gaste energia preciosa subindo rampas.
Agora, se o chiado vier acompanhado de sinais que não deixam margem para dúvida, como respirar de boca aberta, esticar o pescoço para a frente, erguer a cabeça de forma exagerada ou apresentar a pele com um tom pálido, a hora é de ação imediata. Coloque o animal com cuidado dentro de uma caixa de transporte acolchoada com o próprio material do ninho e corra para o atendimento profissional. Ficar de olho nos detalhes logo no começo e manter o espaço limpo são atitudes que garantem um mínimo de paz para o seu pequeno companheiro.






