Gato pode comer milho?

Enquanto você descasca uma espiga de milho na pia da cozinha para o almoço de domingo, percebe um par de olhos atentos te encarando de cima da bancada. O gato estica o pescoço, fareja o ar com interesse e mia baixinho, como se estivesse exigindo uma fatia daquele banquete amarelo. Dá vontade de ceder e jogar um grãozinho para ver a reação dele, mas será que existe algum problema nisso?
O gato pode comer milho, sim, desde que sejam apenas alguns grãos cozidos e puros, oferecidos de forma bem esporádica. O milho não tem nenhuma substância venenosa para os felinos, então um ou dois grãozinhos roubados do seu prato não vão causar uma intoxicação fulminante. Acontece que não ser tóxico está muito longe de significar ser um bom alimento para um gato. Na rotina da natureza, os felinos são carnívoros estritos. Isso quer dizer que o organismo deles foi desenhado exclusivamente para processar carne, obter nutrientes essenciais e extrair energia de tecidos animais. O sistema digestivo do gato simplesmente não processa carboidratos vegetais da mesma forma que o nosso ou o de um cão.
O milho faz falta na dieta do gato?
De jeito nenhum. Se o seu gato come uma ração comercial de boa qualidade, seja ela seca ou úmida, ele já recebe tudo o de que o corpo precisa para funcionar bem. A ração de prateleira já passa por processos industriais que equilibram proteínas, vitaminas e minerais na medida exata para a espécie, tornando qualquer complementação com comida humana totalmente dispensável.
Quando você oferece milho, o grão funciona apenas como uma curiosidade de textura para o animal. O interesse dele costuma nascer da barulheira dos grãos, do cheiro atraente ou do simples fato de que você está comendo aquilo na frente dele. Não existe nenhuma necessidade nutricional escondida por trás daquele olhar pidão. Se o seu gato insiste em participar da sua refeição, o motivo é muito mais a curiosidade felina do que qualquer deficiência na tigela dele. Além disso, filhotes e gatos idosos merecem atenção redobrada com petiscos fora da rotina, pois o sistema digestivo deles lida ainda pior com qualquer ingrediente sem função biológica clara no organismo.
Qual é o perigo real do milho para os gatos?
O verdadeiro problema do milho não mora no grão cozido e simples, mas na forma como ele chega até a sua mesa. É justamente aí que muita gente escorrega por falta de atenção, colocando o bicho em risco sem nem desconfiar.
Se o seu milho cozido ganhou uma boa camada de manteiga, um toque generoso de sal ou aquela pitada de alho e cebola, esqueça a ideia de dividir com o gato. Alho e cebola entram na lista dos grandes vilões felinos porque destroem as células vermelhas do sangue e abrem a porta para uma anemia grave. O mesmo vale para a latinha de milho industrializada lotada de conservantes ou para aquela tigela de pipoca gorda e salgada que você come assistindo a um filme. Comer milho cru também está fora de cogitação, já que o estômago do felino lida muito mal com a dureza do grão in natura.
Outro tropeço comum acontece em dias de churrasco ou festa junina, quando a espiga inteira fica abandonada ao alcance das patas curiosas. Permitir que o gato brinque ou tente roer o sabugo é procurar sarna para se coçar. O sabugo é totalmente indigesto para o organismo deles. Se o animal arrancar e engolir um pedaço daquela fibra dura, o material pode enroscar no intestino e causar uma obstrução mecânica perigosa, daquelas que exigem cirurgia de urgência para salvar o dia.
Quando procurar ajuda veterinária?
Se o seu gato roubou apenas uns grãozinhos cozidos na água pura e sem nenhum tempero, a tendência é que ele apenas digira a novidade e siga com a rotina de sempre. O estômago aguenta essa escorregadela ocasional sem maiores crises, desde que o felino não conviva com doenças crônicas como diabetes ou falhas renais, situações em que qualquer petisco exige luz verde do médico responsável.
Por outro lado, caso você desconfie que ele engoliu um pedaço do sabugo ou se pegou o gato comendo milho temperado com os infames alho e cebola, abra bem os olhos. Vômitos frequentes, desânimo total, recusa por qualquer alimento, dor evidente ao toque na barriga e gengivas esbranquiçadas exigem ação rápida. Diante de qualquer um desses sinais ou de um mal-estar repentino após um incidente na cozinha, a única atitude sensata é ligar para o veterinário e correr para uma consulta de emergência.





