Gato com perda de peso: o que pode ser?

Sabe aquela carícia despretensiosa que você faz nas costas do seu gato enquanto assiste à televisão, quando sua mão desliza pelos pelos dele e, de repente, você percebe que as vértebras parecem mais salientes do que no mês passado? Essa surpresa desagradável costuma pegar muita gente de surpresa, afinal, a pelagem densa de alguns felinos é uma verdadeira especialista em esconder mudanças corporais. A perda de peso em gatos pode ser o reflexo natural do envelhecimento, mas também costuma ser o primeiro aviso de problemas de saúde que vão desde distúrbios hormonais e doenças renais até infecções e dores crônicas que tiram o apetite ou aceleram o metabolismo do animal.
Anotar o peso do gato na balança de vez em quando é um hábito raro entre tutores, o que faz com que muita gente só perceba o emagrecimento quando a situação já está avançada. Por isso, vale a pena olhar para o bichano com mais atenção e entender o que está acontecendo por trás dessa mudança física, sem pânico mas também sem aquela mania de achar que tudo se resolve sozinho com uma ração diferente.
Como saber se a perda de peso é preocupante?
Um gato idoso pode perder um pouco de massa muscular com o passar dos anos, um processo natural chamado sarcopenia. No entanto, emagrecimento rápido ou visível nunca deve ser ignorado como se fosse apenas velhice. Para entender a gravidade da situação, o primeiro passo é observar o comportamento alimentar do felino. Ele continua comendo bem ou parou de tocar na ração?
Quando o gato emagrece mas continua comendo com voracidade, o problema costuma ter origem metabólica. O hipertireoidismo é um exemplo clássico disso, funcionando como um motor desregulado que acelera tanto o metabolismo que o animal queima calorias mais rápido do que consegue repor. O bichano passa o dia pedindo comida, devora o pote em segundos e, ainda assim, continua secando. A diabetes mellitus gera um efeito parecido, pois o organismo do gato não aproveita a glicose adequada e passa a consumir a própria massa gorda e muscular para gerar energia.
Por outro lado, se o gato está emagrecendo porque recusa a comida, a investigação muda de rumo. Doenças renais crônicas provocam o acúmulo de toxinas no sangue, gerando uma sensação constante de enjoo muito parecida com um estômago pesado. O gato chega até o potinho de ração sentindo fome, mas o mal-estar faz com que ele recue e desista de comer. Problemas na boca, como gengivite severa ou dentes doendo, também causam tanta dor na hora da mastigação que o animal prefere passar fome a encarar a comida seca. Esse mal-estar constante exige paciência do tutor para notar que o pet não está recusando o alimento por manha, mas sim por incapacidade física de lidar com a dor ou com a náusea.
O que mais pode causar o emagrecimento?
Deixando de lado os hormônios e os rins por um instante, infecções e inflamações crônicas costumam mandar a conta direto para a balança do felino. Aqueles gatos que dão voltas na vizinhança acabam se expondo a vírus complicados, como os da imunodeficiência e da leucemia felina, além de brigas que geram abcessos silenciosos. Nessas horas, o sistema de defesa trabalha no limite para dar conta do recado, gastando uma quantidade enorme de energia e transformando qualquer gripe ou infecção numa perda de peso gradual, quase sempre acompanhada daquele ar tristinho e prostrado.
Problemas nas juntas entram na mesma dança dos suspeitos que a gente costuma ignorar. Um gato com desgaste nos ossos sente pontadas chatas toda vez que precisa se esticar ou saltar. Se o comedouro foi colocado em cima da pia ou exige que ele escale a fruteira, o esforço vira um tormento, ele come menos por pura preguiça de chegar até lá e os músculos acabam minguando por falta de uso. Acreditar que o bicho apenas sossegou com a idade pode ser o tropeço que esconde uma dor nas juntas perfeitamente tratável com o acompanhamento certo.
Algumas raças, como os Persas, já nascem com aquela loteria genética desfavorável para a doença renal policística, que vai enchendo os rins de cistos e minando a saúde deles devagarzinho até chegar ao emagrecimento. Só que qualquer felino de apartamento, sem pedigree nenhum, pode passar por sustos parecidos na balança, seja porque o intestino já não absorve os nutrientes como antigamente ou porque alguma infecção oculta está sugando as forças dele.
A forma como o corpo absorve a comida também muda conforme os anos vão pesando no documento. Gatos idosos muitas vezes aproveitam bem menos as proteínas daquela ração cara que eles comem desde filhotes. O resultado prático é que, mesmo com o prato cheio duas vezes ao dia, o organismo dele extrai menos energia do que antes, transformando a manutenção do peso num quebra-cabeça que pode exigir uma conversa com o veterinário para mudar o cardápio.
Quando a situação vira emergência?
Se o seu gato decidir fazer greve de fome e passar dois dias inteiros sem colocar nada na boca, o sinal amarelo acende de vez e vira uma emergência daquelas de correr para a clínica. Bichos que ficam sem comer por pouco tempo podem desenvolver uma pane no fígado conhecida como lipidose hepática, quando o organismo, sem receber combustível, começa a jogar gordura para dentro do órgão de uma vez só, criando um cenário gravíssimo que costuma pedir internação e sonda.
Qualquer alteração visível nos ossos saltados do gato pede uma consulta profissional sem demora. Nenhuma quantidade de pesquisa na internet vai substituir a consulta com um veterinário, que vai precisar pedir exames de sangue, checar as funções dos órgãos e talvez ultrassons para encontrar a raiz do problema em vez de chutar soluções no escuro.
Até conseguir a consulta, passe longe de qualquer ideia de dar remédios humanos para dor ou estimular o apetite por conta própria, já que substâncias banais para a nossa farmácia podem ser veneno puro para o corpinho deles. Manter a casa segura, espalhar potes de água fresca pelos cômodos e continuar de olho nas manias do seu companheiro continuam sendo as melhores defesas para pegar qualquer reviravolta no peso antes que ela vire um problemão. No fim das contas, notar esses pequenos detalhes é o maior ato de carinho que você pode oferecer para garantir que ele continue firme e ronronando por perto por muito tempo.



