Gato com pele vermelha: quando é emergência?

Imagine que você vai fazer aquele carinho clássico embaixo do queixo do seu gato e percebe que a pele dele está com uma cor de tomate bem vivo, muito além do rosinha normal. Dá um frio na barriga, a gente sabe.
A pele vermelha no gato deixa de ser um simples incômodo dermatológico e vira uma emergência veterinária imediata quando ela vem acompanhada de feridas abertas com secreção, inchaços que crescem rápido, febre, fraqueza extrema, recusa total de comida por mais de um dia ou qualquer dificuldade para respirar.
Se o seu gato estiver respirando de boca aberta ou com o abdômen acelerado, o sinal de alerta máximo está acionado. Gatos são respiradores nasais por excelência. Quando abrem a boca para buscar ar, o problema já passou da pele e atingiu o sistema respiratório de um jeito que não dá para ignorar nem esperar o dia amanhecer.
Por que a pele do gato fica vermelha?
O termo médico para isso é eritema, mas na prática significa apenas que os vasos sanguíneos da pele dilataram porque o corpo está reagindo a alguma agressão. Pode ser desde uma alergia rápida a picadas de pulga até infecções mais pesadas que se aproveitam da primeira distração do sistema imunológico.
O grande problema é que a pele felina é fina e sensível, parecendo um pouco com aquela nossa pele ardida depois de um dia inteiro torrando no sol. Quando o gato sente coceira ou dor, ele faz o que a natureza manda: lambe e coça com afinco. Só que a língua áspera de lixa do gato funciona como um trator na pele já inflamada. O que era só uma mancha vermelha vira uma ferida aberta em poucas horas, abrindo espaço para bactérias entrarem.
O perigo invisível das brigas de rua
Se o seu gato tem acesso à rua, aquela vermelhidão acompanhada de um calombo quente e dolorido costuma ser o clássico abscesso. Foi aquela mordida ou arranhão de outro gato na disputa territorial que cicatrizou por fora em poucas horas, mas trancou bactérias lá dentro. O pus acumula, a pele estica, a dor aperta e o bicho murcha num canto.
Outro ponto que merece atenção redobrada em gatos que saem é a esporotricose. Ela começa com pequenos caroços ou feridas avermelhadas, normalmente na carinha, no focinho ou nas patas, e vai espalhando nódulos pelo corpo. Como é uma doença que pode ser transmitida para humanos, todo cuidado é pouco na hora de manipular o animal.
Como examinar o seu gato sem correr riscos
Aproveite aquele momento tranquilo em que ele está relaxado no sofá para fazer uma inspeção tátil. Use os dedos para afastar o pelo delicadamente sob uma boa luz, especialmente nas regiões da cabeça e do pescoço, onde costumam aparecer os primeiros sinais de briga ou alergia.
Se o gato miar bravo, tentar fugir ou mostrar que dói quando você chega perto da vermelhidão, pare na hora. É sinal de que a sensibilidade está alta e a paciência dele chegou ao limite.
Se você notar qualquer ferida aberta, crosta grossa ou secreção, coloque uma luva grossa de borracha ou tecido antes de mexer nele. Isso não é falta de amor ou rejeição ao seu companheiro felino. É pura proteção para evitar que você acabe se machucando ou contraindo alguma infecção enquanto tenta ajudar o animal assustado.
O que nunca se deve fazer em casa
A tentação de pegar aquela pomada que sobrou no armário do banheiro é grande, mas resista. Passar remédios humanos com corticoide na pele do gato é um erro perigoso. Como ele vai se lamber logo depois, acaba ingerindo o produto, o que pode causar intoxicação séria e derrubar ainda mais a imunidade dele bem na hora em que o corpo mais precisa combater uma infecção.
O mesmo vale para analgésicos e anti-inflamatórios de farmácia humana. Dar qualquer gotinha de remédio de gente para um gato pode destruir o fígado ou os rins dele em tempo recorde. O metabolismo felino funciona de um jeito muito específico e não tolera substâncias que nós usamos sem pensar duas vezes.
O próximo passo ideal
Achou a pele vermelha, mas o gato está ativo, comendo bem e sem feridas abertas? Vale monitorar de perto e agendar uma consulta de rotina para descobrir se é apenas uma alergia alimentar, dermatite simples ou reação a algum produto de limpeza da casa.
Por outro lado, se a vermelhidão veio acompanhada de pus, cheiro forte, prostração ou se o gato parou de comer, separe um cômodo sossegado e fácil de limpar para isolá-lo de outros animais da casa e corra para o veterinário. O diagnóstico precoce com exames de pele evita que um problema simples vire uma emergência difícil de reverter.




