Gato com gengiva branca: quando é emergência?

Sabe aquela cena em que você vai fazer carinho no queixo do gato, ele boceja bem na sua cara e, de repente, você nota que a boca dele está esquisita? Se a gengiva que costumava ser rosinha agora parece um pedaço de papel branco, respira fundo, mas preste muita atenção: sim, gengiva branca em gato é uma emergência veterinária imediata.
Não é hora de esperar para ver se a cor volta sozinha no dia seguinte. Esse tom de porcelana avisa que o corpo do felino está sofrendo com uma anemia pesada ou com uma falha circulação séria, conhecida como choque. Em termos simples, o oxigênio parou de circular como deveria pelo organismo dele.
Como olhar para a boca sem virar um pesadelo
Tentar abrir a boca de um gato assustado é o caminho mais curto para ganhar arranhões e estressar um animal que já pode não estar bem. O truque é aproveitar um momento de tranquilidade, quando ele estiver relaxado no sofá, e levantar delicadamente apenas o canto do lábio superior com o dedo.
A cor normal é um rosa saudável, bem parecido com o interior da nossa pálpebra. Se o tom sumiu e deu lugar a um branco desbotado, ou se a parte interna das pálpebras também está pálida, você tem diante de si um sinal claro de que algo grave acontece por dentro.
Gatos são especialistas em esconder que não estão bem. Quando finalmente demonstram um sintoma físico tão evidente quanto a palidez, o problema costuma estar avançado. Basicamente, duas razões principais explicam essa mudança drástica na cor.
A primeira é a anemia severa. Pode ser que o organismo do gato esteja destruindo os próprios glóbulos vermelhos por causa de alguma intoxicação, como quando comem alimentos proibidos do tipo alho e cebola, extremamente tóxicos para felinos. Também pode ser o reflexo de infecções crônicas, a exemplo do vírus da leucemia felina, ou o desgaste provocado por doenças renais avançadas, quando os rins perdem a capacidade de estimular a medula óssea a produzir novas células sanguíneas. Gatos da raça persa, por exemplo, possuem uma predisposição maior a problemas renais que podem desencadear quadros graves ao longo da vida.
A segunda razão envolve a circulação. Se o coração falha em bombear o sangue com eficiência, ou se o animal entra em choque por algum trauma ou intoxicação violenta, o corpo faz um malabarismo drástico. Ele desvia todo o sangue disponível para tentar salvar os órgãos mais vitais, como o cérebro e o coração, deixando a pele e as mucosas da boca completamente esquecidas e pálidas. Raças específicas também podem apresentar fragilidades cardíacas que merecem atenção redobrada dos tutores ao longo dos anos.
O perigo dos mitos caseiros
A gente costuma achar que o bicho só está um pouco cansado, pegando friagem ou precisando daquele suplemento vitamínico vendido na farmácia da esquina. Pior do que isso é inventar de dar analgésico humano para tentar aliviar qualquer dor, o que consegue ser letal para um organismo felino que já opera no limite. Acreditar em receita caseira, tentar dar mel ou decidir esperar até segunda-feira de manhã são atitudes que roubam justamente o tempo precioso que o profissional precisa para salvar a vida dele.
Se essa palidez vier acompanhada de outros sinais, a situação deixa de ser apenas preocupante e vira uma corrida imediata para o pronto-socorro.
Sinais de que o tempo está acabando
Ligue o alerta máximo se a boca branca vier acompanhada de falta de ar, com o felino puxando o fôlego pela boca aberta ou com a barriga respirando num ritmo rápido e esquisito. Outro indício grave é aquela prostração profunda, o momento em que o bicho despenca mole no canto e nem levanta as orelhas quando você chega perto.
Repare bem se as pernas de trás parecem frias, duras ou sem movimento, já que isso costuma denunciar uma pane circulatória séria originada no coração. Vômitos repetidos, apatia total que já dura mais de um dia ou uma gengiva com manchas amareladas misturadas ao branco também formam um pacote de urgência absoluta.
O que fazer no caminho para o hospital
Na hora de sair correndo para a clínica, acomode o felino na caixa de transporte com o máximo de suavidade possível. Jogue uma toalha leve ou um lençol por cima da caixa para abafar a claridade e o movimento da rua. Esse refúgio escuro diminui o pânico e impede que o pouco oxigênio circulando no corpo dele seja gasto com o estresse do trajeto.
Assim que chegarem, o veterinário vai investigar a causa daquela anemia pesada ou da falha circulatória usando exames laboratoriais, testes específicos e avaliações cardíacas e renais. Não tente adivinhar o diagnóstico sentado na sala de espera. Diante de uma boca desbotada desse jeito, a única conduta sensata acontece dentro do consultório.




