Gato com espirros: o que pode ser?

Você está sentado no sofá, concentrado no computador, quando escuta um atchim estridente vindo debaixo da poltrona. Olha para o lado e vê o seu gato balançando a cabeça, com aquela carinha de quem foi pego de surpresa pelo próprio reflexo. Na hora, a dúvida bate: será que ele pegou um resfriado como a gente, ou foi só poeira?
Afinal, o que pode ser quando o gato começa a espirrar? Na maior parte das vezes, o espirro é apenas uma resposta mecânica e natural do corpinho dele para expulsar algo que irritou o nariz. Mas, se o sintoma persiste ou vem acompanhado de outros sinais, a história muda de figura e pode indicar desde alergias simples até infecções que exigem atenção veterinária.
Para entender o que está acontecendo com o seu felino, precisamos olhar além do barulho fofinho e investigar o contexto do dia a dia.
Poeira ou virose: como diferenciar?
Sabe aquela faxina caprichada em que você resolve varrir a casa inteira e sacudir os tapetes? É muito comum que o gato comece a espirrar logo em seguida, exatamente como aconteceria com você diante de uma nuvem de poeira. Produtos de limpeza com cheiro forte, fumaça de cigarro, perfumes e até a queda brusca de temperatura costumam irritar a mucosa nasal sensível dos bichanos. Nesses casos, o espirro é pontual, passageiro e logo passa, sem deixar o animal prostrado.
O problema figura em outro patamar quando os espirros viram rotina. Se o seu gato passa o dia espirrando, pense naquela dinâmica clássica de creche infantil: quando uma criança chega gripada na escolinha, logo a turma inteira está fungando. Entre os felinos, acontece exatamente a mesma coisa com as infecções respiratórias.
Doenças como a rinotraqueíte viral, causada pelo herpesvírus felino, agem derrubando as defesas e inflamando as vias aéreas superiores. Um detalhe curioso sobre esse vírus é que ele funciona de forma parecida com a herpes humana. Depois do primeiro contato, ele nunca vai embora de vez. Fica adormecido no organismo do animal e costuma despertar justamente nos momentos de estresse, como uma mudança de casa, a chegada de um novo pet ou qualquer outra reviravolta na rotina doméstica. É aí que o gatinho acorda espirrando, com os olhos remelando e aquela coriza chata. Além dele, o calicivírus também costuma circular por aí, provocando espirros acompanhados de feridas dolorosas na boca, enquanto a clamidiose aposta em conjuntivites persistentes que deixam o bichinho com a vista bastante irritada.
Quando a feridinha no focinho exige alerta máximo
Tem aquela hora em que a gente vacila e acha que tudo é bobagem. Imagine que você repara numa pequena crosta no nariz do gato e logo pensa que foi só mais um esbarrão na quina do armário ou um desentendimento bobo com o outro bicho da casa.
Só que, se essa lesão no focinho teima em não sarar e ainda vem acompanhada de espirros constantes e secreção, o sinal vermelho acende na hora. Esse cenário costuma apontar para a esporotricose, uma infecção por fungo bastante agressiva que atinge principalmente os felinos que dão aquelas escapadas para a rua.
Neste ponto, o papo precisa ser reto sobre proteção. Essa doença fúngica passa para as pessoas por meio de arranhões, mordidas ou pelo contato com o pus e as feridas do bichinho. Caso desconfie que o seu companheiro foi pego por esse problema, esqueça a ideia de mexer na ferida com as mãos livres. Vista luvas grossas de borracha ou couro, coloque roupas de manga comprida na hora da limpeza e leve o gato ao veterinário sem demora. O tratamento existe, pede o uso de remédios antifúngicos receitados pelo profissional e costuma funcionar muito bem, desde que você siga a receita até o fim.
O que você nunca deve fazer em casa
Quando a gente vê o bichano espirrando e com aquela carinha de quem não está bem, a tentação de abrir a farmacinha e dar um remédio por conta própria é enorme. É justamente aí que o perigo mora de verdade.
Nunca invente de dar remédios de gente, analgésicos ou gotas para desentupir o nariz sem orientação médica. Fármacos banais no nosso dia a dia, a exemplo do paracetamol, funcionam como um verdadeiro veneno para os gatos, provocando falência do fígado e até a morte em pouco tempo. O corpo deles processa as substâncias de um jeito único, e aquilo que melhora a nossa gripe pode destruir a saúde de um felino.
Tentar resolver o problema sozinho só atrasa a descoberta da doença e coloca a vida do animal em risco. Se o espirro durar mais de dois dias ou se o gato recusar a comida, marque logo uma avaliação com o especialista.
Sinais de que o caso virou emergência
Nem todo espirro tem o mesmo peso, e alguns sintomas pedem uma viagem urgente para a clínica veterinária. Abra bem os olhos se o seu gato mostrar dificuldade para puxar o ar, com a caixa torácica e a barriga fazendo um esforço visível a cada respiração. Respirar com a boca aberta também denuncia um quadro sério de falta de ar.
Presença de sangue no espirro ou na secreção do nariz, gengivas ou focinho com tom pálido ou azulado, além de prostração extrema e recusa absoluta de água e comida, exigem atendimento veterinário imediato.
Se o gatinho der só alguns espirros isolados, mas continuar comendo bem, brincando e com a vista limpa, vale a pena monitorar a casa por alguns dias para checar se o pó ou algum produto de limpeza causou o incômodo. Fora isso, a vacinação continua sendo a melhor barreira de proteção: manter em dia as doses da vacina polivalente, como as fórmulas V3, V4 e V5 indicadas pelo veterinário, ajuda a blindar o sistema respiratório contra os vírus mais comuns, mesmo para quem mora em apartamento e não sai de casa. Diante de qualquer dúvida sobre um sintoma que não vai embora, consulte o profissional de sua confiança para cuidar do seu parceiro do jeito certo.




