Gato com convulsão: quando é emergência?

Você está na sala de casa, talvez assistindo a alguma série ou mexendo no celular, quando ouve um barulho estranho vindo do canto do tapete. Olha para o lado e vê seu gato deitado de lado, com o corpo todo rígido, espasmos musculares fortes e a respiração alterada. O susto é imediato, a garganta aperta e a primeira dúvida que surge na cabeça é se aquilo vai passar sozinho ou se você precisa correr com ele para algum lugar.
Sim, toda e qualquer convulsão em gatos é uma emergência veterinária que exige atendimento médico imediato.
Não existe crise convulsiva leve ou inofensiva no mundo felino. Quando o cérebro do gato sofre uma descarga elétrica desordenada, o corpo inteiro avisa que a situação passou do limite de segurança. Diferente de humanos, que podem ter episódios isolados sem grandes causas alarmantes, os felinos costumam manifestar problemas neurológicos graves justamente porque são mestres em disfarçar a dor. Se o gato chegou ao ponto de convulsionar, é porque o organismo dele já esgotou todas as reservas e tentou compensar um problema interno ou externo até não dar mais.
Aí você pode pensar que talvez seja melhor esperar a poeira baixar, deixar o bichano recuperar o fôlego no cantinho dele e ver se acontece de novo amanhã. Essa é uma armadilha perigosa.
O que está por trás de uma crise
Por trás de uma convulsão felina podem existir desde lesões e infecções cerebrais, como a toxoplasmose, até problemas metabólicos pesados, a exemplo de uma insuficiência renal avançada que acumulou toxinas no sangue. Sem contar as intoxicações domésticas, que acontecem com mais frequência do que gostaríamos. Um pedacinho de chocolate esquecido na mesa ou o contato com substâncias proibidas já basta para causar estragos severos no sistema nervoso central de um gato.
Enquanto você tenta respirar fundo para não entrar em pânico, o que deve passar pela sua cabeça em termos de ação prática?
Primeiro, proteja o ambiente. Afaste cadeiras, mesinhas de centro, brinquedos e objetos pontiagudos para que ele não se machuque enquanto o corpo estiver espasmódico. Apague as luzes fortes, desligue a televisão e mantenha a casa o mais silenciosa possível. Reduzir os estímulos externos ajuda o cérebro a não receber mais carga de estresse naquele momento crítico.
Segundo, pegue o cronômetro do celular. Marcar quanto tempo dura a crise é uma informação de ouro para o veterinário. Se puder gravar um vídeo curto sem atrapalhar e sem manipular o animal, faça isso. Ajuda muito no diagnóstico.
Terceiro, prepare a caixa de transporte como um ninho de proteção. Forre o fundo com toalhas bem macias para amortecer qualquer movimento durante o trajeto até o pronto-socorro veterinário mais próximo.
O que nunca fazer
Agora, existem algumas atitudes que você deve evitar a todo custo, por mais que o pânico do momento tente te convencer do contrário.
Nunca coloque as mãos, os dedos ou qualquer objeto na boca do gato durante a crise. No meio dos espasmos, ele não tem nenhum controle sobre a força da mandíbula. Tentar abrir a boca ou puxar a língua só vai garantir que você leve uma mordida dolorosa, além de aumentar o risco de sufocar o animal.
Também evite dar qualquer remédio por conta própria, tampouco recorrer a analgésicos humanos ou chás calmantes. O que parece inofensivo para nós pode ser altamente tóxico e até fatal para o organismo de um felino.
Logo depois que o corpo relaxa, o gato entra numa fase conhecida como pós-ictal. Ele costuma ficar totalmente desorientado, prostrado, caminhando em círculos ou parecendo temporariamente cego, como se acordasse de um pesadelo muito ruim em um território desconhecido. Por causa dessa confusão mental e da fraqueza extrema, nunca ofereça água ou comida logo em seguida. O reflexo de deglutição ainda está falhando, e o risco de o líquido ir parar nos pulmões é imediato.
Se a crise durar mais do que cinco minutos, se ele engatar um episódio atrás do outro sem recuperar a consciência no intervalo, ou se você notar a respiração muito acelerada com a gengiva arroxeada, a situação é de extrema urgência. O corpo superaquece, o tecido cerebral sofre danos irreversíveis e cada minuto perdido pesa contra a recuperação.
Gatos idosos merecem um olhar ainda mais atento. Aquela desculpa confortável de que a desorientação ou o tropeço são apenas marcas da idade costuma mascarar problemas graves, como tumores cerebrais ou falhas metabólicas sérias. Nenhuma alteração neurológica evidente deve ser ignorada como mero detalhe da velhice.
Respire fundo, acomode o felino com cuidado na caixa de transporte e siga direto para o atendimento profissional. Investigar a origem do problema exige exames complexos que só a equipe veterinária pode realizar, garantindo que o seu companheiro receba o tratamento correto para retomar a segurança.




