Gato branco é indicado para tutor de primeira viagem?

Imagine a cena: você chega em casa depois de um dia longo, olha para o sofá e lá está ele, um pequeno fantasma de pelo imaculado dormindo enrolado como uma rosca. É difícil não se apaixonar à primeira vista por um felino branquinho, que mais parece ter saído de um conto de fadas.
Afinal, gato branco é indicado para tutor de primeira viagem?
Sim, o gato branco é indicado para tutores de primeira viagem, desde que você mantenha o animal exclusivamente dentro de casa, protegido de janelas sem telas e dos riscos do sol forte, além de saber lidar com a possibilidade de ele ter algum grau de surdez.
A primeira surpresa para quem nunca teve gatos é descobrir que gato branco não é uma raça. É apenas a cor da pelagem. Você pode ter um felino totalmente branco que é um exemplar de raça pura, como o Persa ou o Angorá, ou um simpático Sem Raça Definida, o nosso bom e velho gato de apartamento. O comportamento geral e a inteligência dependem muito mais da personalidade individual do que da cor dos pelos.
Porém, a genética resolveu brincar com a pigmentação desses animais e trouxe algumas particularidades que exigem atenção redobrada de quem está marinando nessa história de ter um bichano pela primeira vez. Por que será que a cor da pelagem mexe tanto com a saúde e o comportamento do animal?
O segredo por trás do pelo branco e dos olhos azuis
Existe um gene dominante chamado W que faz o papel de apagar qualquer outra cor que estaria escondida ali na pelagem, deixando o pelo perfeitamente branco. O detalhe é que esse mesmo gene mexe com a migração de células chamadas melanócitos durante a gestação. São essas células que dão cor à pele, aos olhos e que também ajudam a estruturar o ouvido interno.
Sem esses melanócitos na região da cóclea, o gatinho pode nascer com surdez congênita, ou seja, sem conseguir ouvir desde o nascimento. Isso é muito comum em gatos brancos, principalmente naqueles que têm olhos azuis ou heterocromia, quando cada olho tem uma cor diferente.
Isso significa que todo gato branco de olho azul é surdo? Não. Mais da metade deles apresenta algum grau de alteração auditiva, mas muitos conservam a audição normal ou parcial. Se o seu gatinho não vier com o sistema de som totalmente calibrado de fábrica, não se desespere. Os felinos que não ouvem compensam isso com uma percepção visual invejável e sentem a vibração do chão quando você se aproxima.
Para conviver bem com um gato surdo, basta mudar alguns hábitos simples do dia a dia. Em vez de chegar por trás e dar um susto no bichinho, você pode pisar um pouco mais firme no piso de madeira para gerar uma vibração perceptível ou acender a luz do corredor antes de entrar no cômodo. Eles aprendem rápido e levam uma vida absolutamente normal.
A pele sensível e o sol da janela
Outro ponto que pega bastante é a saúde da pele. A ausência de pigmentação significa que falta melanina, que funciona como um escudo natural contra a radiação solar. Pense naquele seu amigo de pele muito clara que fica vermelho como um tomate após cinco minutos debaixo de sol forte no verão. O gato branco passa pela mesma situação, só que com riscos bem mais sérios.
A exposição contínua e sem proteção à luz ultravioleta, especialmente nas pontinhas das orelhas e no focinho, pode causar inflamações crônicas e lesões graves conhecidas como carcinoma de pele.
Isso quer dizer que o bichinho precisa ficar trancado num quarto escuro? De jeito nenhum. Ele pode curtir a janela da sala, desde que você tome o cuidado de usar cortinas leves ou películas protetoras nos horários de pico solar, geralmente entre dez da manhã e quatro da tarde. Se o sol bate direto no sofá onde ele gosta de tirar aquela soneca vespertina, vale a pena reorganizar o ambiente.
E atenção a um mito muito comum: nada de sair espalhando protetor solar humano ou veterinário no gato sem orientação expressa do profissional. Como os felinos passam boa parte do dia fazendo a própria higiene com lambidas, um produto inadequado pode causar uma intoxicação grave. Converse sempre com o veterinário antes de inventar moda na pele do bichinho.
Por que a rua está fora de cogitação?
No Brasil, o cenário das ruas traz perigos que pesam bastante na decisão de adotar qualquer felino, mas que se tornam críticos no caso do gato branco. Um animal que não ouve bem tem muito mais dificuldade para escapar de carros, cães ou outros perigos externos. Além disso, a pele desprotegida sofre muito mais com o sol causticante dos trópicos.
Manter o gato em regime de domiciliação estrita, ou seja, com a casa toda devidamente telada, resolve a grande maioria desses problemas. As telas de proteção nas janelas e varandas não são um capricho estético, mas a garantia de que o seu companheiro vai viver muitos anos com segurança, longe dos perigos da rua.
Outro ponto que vale desmistificar é a mania de limpeza. Muita gente acha que, por ter pelo branco, o gato vai exigir banhos semanais com água e xampu para continuar apresentando aquela aparência de nuvem limpinha. Na prática, os gatos passam horas do dia limpando a si mesmos. Banhos frequentes com água da torneira removem a camada de oleosidade natural que protege a pele e causam um estresse desnecessário. Lenços umedecidos específicos para pets ou banhos secos recomendados pelo veterinário resolvem qualquer sujeira pontual que apareça.
Ter um gato branco de primeira viagem exige apenas um olhar um pouco mais atento aos detalhes de saúde e segurança ambiental. Com a casa telada, um bom esquema de enriquecimento com brinquedos e arranhadores, e check-ups veterinários anuais para monitorar a pele e a audição, você terá um parceiro de sofá carinhoso e tranquilo para todas as horas.









