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Filhote de gato com nariz escorrendo: causas e sinais de alerta

Resposta rápida

Um filhote de gato com o nariz escorrendo costuma indicar infecções do trato respiratório superior, conhecidas como gripe felina. O problema pode vir de vírus e bactérias que provocam espirros e secreção. Procure um veterinário imediatamente se o filhote estiver respirando de boca aberta ou recusar comida por mais de um dia.

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Filhote de gato com nariz escorrendo: causas e sinais de alerta

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de gato

Você acorda com aquele barulhinho típico de espirro vindo da sala, vai ver o que aconteceu e encontra o novo filhote da casa com o focinho úmido, sujinho e meio quieto no canto da caminha. Se você está se perguntando o motivo de um filhote de gato estar com o nariz escorrendo, esse sintoma costuma indicar infecções do trato respiratório superior, conhecidas popularmente como gripe felina, embora também possa apontar para problemas mais complexos que exigem avaliação do veterinário o quanto antes.

Antes de qualquer coisa, convém afastar uma ideia muito comum. Gatos não costumam espirrar e ficar com o nariz escorrendo por causa de uma simples alergia à poeira ou porque pegaram uma friagem boba no piso da sala. Na enorme maioria das vezes, especialmente nos primeiros meses de vida, estamos falando de invasores microscópicos que se instalaram nas mucosas do gatinho.

De onde vem esse corrimento no focinho

O principal motor desse problema é o chamado Complexo Respiratório Felino. Pense nisso como um pacote de vírus e bactérias que circulam por aí com facilidade. Os grandes suspeitos são o Herpesvírus Felino e o Calicivírus. O primeiro costuma provocar espirros, secreção que começa transparente e vai virando um catarro amarelado, além de irritação nos olhos. O segundo costuma vir acompanhado de feridinhas dolorosas na boca e na língua.

Existe também uma bactéria chamada Chlamydia felis, que adora se instalar na região dos olhos e do nariz, causando uma conjuntivite persistente e secreção chata de ir embora. Quando o vírus ataca primeiro, ele abre a porta para que bactérias secundárias aproveitem a bagunça. É por isso que aquela aguinha clara do início rapidamente se transforma em uma secreção mais grossa e esverdeada.

O perigo invisível da perda de olfato

A gente costuma achar que, se o gato está comendo um pouquinho, o caso não é tão grave. Mas com os felinos a dinâmica é diferente. Quando o nariz entope de secreção e crostas, o gatinho perde totalmente o olfato, condição que chamamos de anosmia.

Tente imaginar como é comer o seu prato favorito quando você está com uma congestão nasal terrível e não sente gosto nem cheiro de nada. A comida perde a graça. Para o filhote, pior do que perder a graça é deixar de reconhecer o que é alimento. Como os gatos dependem do cheiro para despertar o apetite, a obstrução nasal faz com que eles simplesmente recusem a ração.

Essa greve de fome involuntária é perigosa. Filhotes têm reservas muito pequenas de energia e água. Ficar um dia inteiro sem comer ou beber pode levar rapidamente a um quadro de desidratação severa, fraqueza extrema e queda perigosa no nível de açúcar no sangue.

Quando o problema vai além da gripe comum

Embora a gripe felina reine absoluta nessas situações, existem exceções que o tutor precisa radar no dia a dia. Se a secreção for visível em apenas uma das narinas, ou se vier acompanhada de sangue, pode ser a pista de que há um corpinho estranho preso ali, um pequeno pólipo ou até mesmo uma lesão mais localizada.

Outro ponto que merece atenção extrema em algumas regiões do país é a esporotricose, uma micose transmitida pelo contato com o fungo presente no ambiente ou em brigas com outros animais. Quando essa micose afeta o focinho, ela causa secreção, espirros e feridas que não cicatrizam na face.

Existe ainda o fator imunológico. Entre a sexta e a oitava semana de vida, os anticorpos que o filhote recebeu da mãe através do leite começam a baixar. É uma janela de vulnerabilidade biológica. É justamente nessa idade que o protocolo com as vacinas polivalentes, conhecidas como V3, V4 ou V5, deve começar para blindar o organismo do pequeno contra essas infecções.

O que você pode fazer em casa enquanto o veterinário não chega

Enquanto aguarda a consulta profissional, existem alguns cuidados práticos que ajudam o gatinho a respirar um pouco melhor e aliviam o incômodo:

  • Use uma gaze umedecida em soro fisiológico morno para limpar com delicadeza as crostas e o catarro acumulado ao redor das narinas e dos olhos.
  • Deixe o filhote por alguns minutos no banheiro enquanto alguém toma um banho quente. O vapor da água ajuda a fluidificar a secreção grossa e descongestiona as vias aéreas.
  • Esquente um pouco o saché ou a comida úmida antes de servir. O alimento morno libera mais aroma, o que pode estimular o olfato bloqueado e convencer o gatinho a comer algumas colheradas.
  • Mantenha o paciente isolado em um cômodo limpo, aquecido e livre de correntes de ar, longe de outros animais da casa para evitar a transmissão de doenças.
  • Se houver feridas abertas ou lesões na face do animal, use luvas descartáveis ao manipular o filhote e higienize bem as mãos em seguida.

O que nunca se deve fazer

Em hipótese alguma recorra à automedicação. Medicamentos analgésicos e antitérmicos feitos para humanos, especialmente o paracetamol, são extremamente tóxicos e letais para os gatos. O organismo felino não possui a enzima necessária para processar essas substâncias, o que causa falência hepática e destruição dos glóbulos vermelhos em pouco tempo.

Se notar que o filhote está respirando de boca aberta, com o pescoço esticado, prostrado a ponto de não reagir aos estímulos, ou se recusar água e comida por mais de um dia, procure um veterinário imediatamente. O nariz escorrendo pode parecer só um resfriado passageiro, mas nas mãos de um filhote qualquer descuido pode virar uma emergência.

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