Filhote de gato com mancando: causas e sinais de alerta

Você chega à sala e percebe que aquele pequeno furacão de pelos que costuma destruir os seus rolos de papel higiênico está caminhando de um jeito estranho, mantendo uma das patas traseiras levemente suspensa e balançando o corpo ao andar.
Mancar, que na linguagem técnica chamamos de claudicação, é basicamente o jeito que o filhote encontra para dizer que sente dor ou que existe algum obstáculo mecânico no sistema locomotor dele. Diferente dos gatos adultos ou idosos, que costumam arrastar as patas por causa do desgaste natural das articulações ao longo dos anos, os pequenos apresentam esse sintoma por motivos bem mais dinâmicos e imediatos.
A lista costuma se resumir a traumas físicos, infecções, inflamações ou malformações genéticas que resolvem dar as caras logo cedo. O gatinho jovem tem uma curiosidade que desafia as leis da física e uma ossificação ainda em consolidação. Isso significa que aquela aterrissagem mal calculada do topo da estante, uma entorse boba durante uma corrida pelo corredor, uma unha enroscada no tapete ou uma batida feia podem resultar em fraturas ou lesões nas placas de crescimento, que são justamente as regiões responsáveis por fazer os ossos longos crescerem nessa fase.
Além dos tombos clássicos, existem os processos infecciosos. Aquela brincadeira mais ríspida com outro pet da casa ou uma pequena ferida invisível sob a pelagem podem evoluir para abscessos subcutâneos, que são bolsas de pus que geram uma dor pulsátil intensa. Para evitar a dor, o filhote simplesmente recusa a apoiar a pata no chão.
Por que os gatos escondem tanto a dor?
Existe uma armadilha biológica no comportamento felino que costuma confundir muita gente. Os gatos são mestres ancestrais na arte de mascarar o sofrimento. Na natureza, mostrar fraqueza significa virar alvo fácil para predadores. Por isso, raramente você vai ver um filhote choramingando pelos cantos só porque machucou a pata. Eles continuam tentando pular, caçar brinquedos e manter a rotina até que o limite físico seja alcançado.
Quando o desconforto aperta a ponto de não dar mais para disfarçar, o gato muda o comportamento de formas sutis. Ele para de saltar para os lugares altos onde costumava tirar sonecas, passa a se isolar embaixo da cama, demonstra hesitação na hora de usar a caixa de areia e pode ficar um pouco mais arisco se você tentar tocar na região afetada. O instinto de sobrevivência deles funciona como um escudo invisível, o que torna a observação atenta do tutor o principal recurso para notar que algo vai mal.
O perigo invisível das raças específicas
Se o seu filhote pertence a alguma linhagem específica, aquela mancada pode ter uma raiz genética. Gatos da raça Scottish Fold, conhecidos pelas orelhas dobradas, carregam uma alteração que prejudica o desenvolvimento de cartilagens e juntas, gerando rigidez e dores articulares ainda nos primeiros meses de vida. Raças de patas curtas, como o Munchkin, também pedem olho vivo, pois o formato do corpo acaba exigindo demais da coluna e dos membros, facilitando o aparecimento precoce de problemas para caminhar.
Imagine o esqueleto de um filhote como uma construção recente, onde ossos e cartilagens que estão esticando são maleáveis, mas fáceis de entortar ou machucar. Se o seu companheiro é um simpático vira-lata, essa herança genética pesa bem menos, mas as peripécias da casa continuam oferecendo riscos que pedem supervisão.
O que nunca fazer ao ver o gatinho mancando
A vontade de correr até o armário de remédios para dar um jeito na dor do bichinho costuma aparecer rápido. Analgésicos e anti-inflamatórios feitos para humanos, a exemplo de dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, são venenos potentes para os gatos e podem provocar falência de órgãos e até um desfecho fatal. O corpinho felino lida com substâncias de um jeito bem diferente do nosso, sem contar que falta a eles o maquinário enzimático necessário para filtrar esses compostos.
Até chegar a hora da consulta com o veterinário, impeça que o filhote volte a subir em móveis altos de onde possa despencar outra vez. Deixe o pequeno confinado em um espaço plano, com comida e água fáceis, caixa de areia baixa e pisos que não escorreguem para evitar novos sustos nas juntas.
Caso a mancada venha junto com perda total de movimento nas patas de trás, miados de dor que não param e patinhas geladas, ou se você notar machucados abertos, calor na região inchada e febre, a situação muda de figura e vira uma emergência veterinária que exige socorro urgente. Diante de qualquer dúvida sobre o andar esquisito do seu gato, marque uma avaliação profissional para um exame detalhado, radiografias e a medicação correta.




