Filhote de gato com gases: causas e sinais de alerta

A cena é clássica. Você está na cozinha preparando o jantar, olha para baixo e lá está o novo morador da casa, aquele filhote de gato recém-chegado, olhando para você com uma devoção comovente e um miadinho de quem passa fome há três semanas. Daí você cede, corta um pedacinho da carne temperada ou oferece um pires de leite. Algumas horas depois, você percebe uns barulhos estranhos vindos da barriga dele, seguidos por um odor nada discreto.
Gases em filhotes de gato acontecem principalmente por erros na alimentação, como a oferta de leite bovino e mudanças bruscas de ração, além de parasitoses intestinais.
Se você já passou por isso, deve estar se perguntando o que fazer. Vamos colocar os pingos nos is sobre a barriga desse pequeno.
O mito do pires de leite e a intolerância felina
Sabe aquela imagem fofa de desenho animado em que o gatinho lambe um pires de leite com enorme felicidade? Pois é. A ficção costuma criar hábitos que na vida real viram um verdadeiro pesadelo intestinal.
Enquanto ainda estão mamando, os filhotes produzem uma enzima chamada lactase, essencial para digerir o leite da mãe. Só que, conforme o desmame avança, essa produção cai drasticamente. Quando você oferece leite de vaca para um gatinho, o açúcar desse leite chega quase intacto ao intestino grosso. Lá, as bactérias fazem a festa fermentando o açúcar, o que gera uma quantidade enorme de gás, cólica e diarreia osmótica.
Aquele carinho em forma de leite acaba se transformando em um combustível inadequado para um motor que ainda está na fase de regulagem.
Quando a pressa na ração vira estrondo na barriga
Outro erro bem comum acontece na hora de trocar o alimento do filhote. Às vezes a ração acabou, você comprou uma marca nova e colocou tudo de uma vez só no potinho.
O sistema digestivo do filhote funciona com uma delicadeza impressionante. Mudar a comida de um dia para o outro desorganiza a flora de micro-organismos que habitam o intestino. Essa alteração na microbiota provoca gases, fezes moles e indigestão.
Sempre que precisar trocar a ração, faça isso de forma gradual ao longo de uma semana a dez dias. Misture proporções crescentes do alimento novo ao antigo. Essa paciência evita que a barriga do pequeno vire uma linha de montagem de gases.
Cuidado com o que sobra do seu prato
Aquele olhar de cachorro abandonado que o gato faz ao lado da mesa de jantar é uma arma de persuasão invejável. Resistir a ele, no entanto, é um ato de pura sobrevivência para o olfato de quem vive na casa.
Temperos como cebola e alho são terrivelmente agressivos para o sistema digestivo felino e ainda ameaçam a integridade das células vermelhas do sangue. Petiscos gordurosos também emperram a digestão, provocando aquela lentidão estomacal, excesso de gases e um risco real de inflamações pancreáticas bem dolorosas.
Por mais irresistível que pareça dividir o almoço, deixe o bichano focado na ração específica para a idade dele ou no leite substituto adequado, caso ele ainda dependa de mamadeira.
Quando os gases escondem um problema maior
Nem todo pum solitário é culpa de um pedaço de queijo roubado da pia. Se a barriga do pequeno estiver tensa, o comportamento mudar para pior e os gases vierem acompanhados de outros incômodos, a origem é outra.
Filhotes que vieram da rua ou que ainda não iniciaram o protocolo de vermifugação costumam carregar uma turma indesejada de vermes no intestino. Esses parasitas roubam nutrientes e inflamam as paredes internas, deixando a barriguinha redonda e esticada como um tambor.
Como os felinos são mestres em disfarçar qualquer fraqueza para não parecerem vulneráveis, cabe a você notar as pistas de que o limite foi ultrapassado.
Sinais de alerta que pedem veterinário sem demora
Se o gatinho solta um gás ocasional mas continua subindo nas cortinas e comendo com vontade, ajustar a comida costuma bastar. Certos quadros, porém, exigem consulta imediata:
- Vômitos repetidos que impedem o filhote de segurar qualquer alimento ou água.
- Diarreia forte, líquida ou com vestígios de sangue e muco.
- Prostração intensa, fraqueza evidente ou falta total de ânimo.
- Recusa absoluta para se alimentar por mais de meio dia a um dia inteiro.
- Abdômen duro como pedra, muito inchado e sensível ao menor toque.
Nessas horas, esqueça a ideia de dar remédios caseiros ou sobras da sua farmácia para aliviar as cólicas. O metabolismo dos gatos funciona de um jeito muito específico, e o que parece um comprimido inofensivo pode causar uma intoxicação severa.
Criar um filhote pede mais atenção aos detalhes do que fórmulas mirabolantes. Mantenha uma rotina alimentar sensata, evite invenções culinárias na tigela e, diante de qualquer dúvida persistente, coloque o pequeno na caixa de transporte e procure ajuda profissional.




