Filhote de gato andando em círculos: causas e sinais de alerta

Você entra na sala e flagra o novo morador da casa, aquele filhote de gato que ainda parece ter mais pernas do que o necessário, dando voltas em torno do próprio eixo como se fosse um ponteiro de relógio desregulado. No primeiro segundo, dá até vontade de rir da cena atrapalhada. Mas aí você repara que ele faz isso de novo, e de novo, sem conseguir andar em linha reta até o pote de comida. O ato de um filhote de gato andar em círculos é um sinal clínico neurológico ou otológico anormal que indica perda de equilíbrio por alteração no sistema vestibular, infecção como otite interna ou toxoplasmose, trauma craniano ou intoxicação, exigindo avaliação veterinária imediata.
Sempre que um bicho de quatro patas começa a rodopiar sem sair do lugar, a primeira reação de muita gente é pensar que ele encontrou um brinquedo invisível ou que resolveu caçar a própria cauda em um momento de puro tédio. Afinal, filhotes saudáveis adoram correr em círculos por breves segundos durante as brincadeiras, parecidos com crianças correndo em volta de si mesmas num impulso de energia pura. A grande diferença é que, na brincadeira saudável, o gatinho para de repente, olha para você com as pupilas dilatadas de excitação, pula em direção a uma bolinha e segue a vida com total firmeza nas quatro patas. Quando o problema é físico, a história muda de figura. O gatinho tenta caminhar em direção ao sofá, mas o corpo pende teimosamente para o mesmo lado, como se houvesse uma força invisível puxando-o para o chão. Ele parece tonto, perde o prumo e demonstra um esforço contínuo para se orientar, sem conseguir parar por vontade própria.
O que acontece na cabeça e nos ouvidos do filhote
Para entender por que isso acontece, vale dar uma olhada rápida no painel de controle do equilíbrio do animal. O sistema vestibular, que fica localizado em estruturas do ouvido interno e em conexões profundas no cérebro, funciona como o nível de pedreiro do corpo. Quando alguma coisa inflama, machuca ou desregula esse sistema de um lado só, o cérebro recebe a informação falsa de que o corpo está girando o tempo todo. Para tentar compensar essa tontura desesperadora, o filhote começa a caminhar em círculos na direção do lado afetado.
Em gatos idosos, quadros de desorientação e voltas repetidas costumam acender o alerta para problemas cognitivos relacionados à idade avançada. Mas vale um recado tranquilizador sobre a idade: filhotes não desenvolvem esse tipo de desgaste cerebral. Em pacientes jovens, o problema tem origem em fatores agudos, infecciosos, congênitos ou tóxicos que exigem investigação médica rápida. Afinal, por que um gatinho tão novo perderia o rumo de casa dentro da própria sala?
As causas mais comuns na infância felina
Quando um gatinho novo começa a rodopiar, o motivo costuma ser bem mais concreto do que uma simples fase engraçada da idade. Infecções de ouvido, aquelas otites que se aprofundam na orelha média ou interna, aparecem no topo da lista porque atacam exatamente a central de equilíbrio do corpo. Uma bactéria teimosa ou um parasita escondido ali dentro bagunçam toda a noção de espaço do filhote.
Problemas que afetam diretamente o sistema nervoso central também entram na conversa. A toxoplasmose, por exemplo, consegue se alojar no cérebro de filhotes que ainda estão com a imunidade frágil, provocando falta de coordenação e tremores. Vírus específicos do universo felino também podem causar estragos parecidos. Somem a isso as quedas bobas de cima de um móvel que resultam em pancadas na cabeça, além de intoxicações por plantas ou produtos caseiros, e você tem o cenário completo para o sistema nervoso do bichinho entrar em pane.
Sinais que acompanham o rodopio
Esse andar em círculos raramente aparece sozinho. Reparando bem, você vai notar outros indícios claros de que a estabilidade do gatinho foi para o espaço. Manter a cabeça torta para um dos lados, como se ele estivesse tentando escutar algo no chão, é um clássico que costuma acompanhar a situação. Também dá para perceber os olhos fazendo movimentos rápidos e involuntários, além de tombos frequentes, moleza excessiva, enjoo por causa da tontura e uma recusa teimosa para tocar na comida ou na água.
O que fazer agora e o que evitar
Encontrar o novo morador da casa tonto e perdido dá um aperto no peito, mas perder a cabeça não resolve o problema. A prioridade imediata é proteger o gatinho de novos acidentes. Monte um cantinho seguro e pequeno para ele, como um quarto livre de perigos ou até a própria caixa de transporte forrada com cobertores macios, mantendo-o bem longe de escadas e quinas de móveis. Se conseguir sem causar mais estresse, faça um vídeo curto do comportamento. Esse registro ajuda muito o veterinário, já que é comum o gato dar uma disfarçada nos sintomas assim que chega a um consultório cheio de cheiros desconhecidos.
Agora, tente resistir à tentação de brincar de médico em casa. Nunca dê remédios de gente para dor ou inflamação, pois substâncias corriqueiras na nossa gaveta de remédios podem acabar com os rins e o fígado de um gato num piscar de olhos. Do mesmo modo, fique longe de receitas caseiras ou hastes flexíveis para limpar o ouvido do animal, já que um empurrãozinho errado no lugar errado pode perfurar o tímpano e transformar um problema simples em algo definitivo.
Acomode o filhote com cuidado em uma caixa de transporte segura e arejada, abaixe o volume do rádio no caminho e corra para o veterinário. Descobrir a raiz dessa tontura logo no início é o único jeito de garantir que o pequeno volte a andar direitinho e recupere a paz na rotina da casa.




