Filhote de cachorro com tártaro: causas e sinais de alerta

Você está sentado no sofá, tentando ver um filme, enquanto o filhote de cachorro decide que a ponta do seu tênis velho é o brinquedo mais fascinante do universo. Na hora em que ele abre a boca para dar aquele bote animado, você nota um tom amarelado nos dentes pequenininhos e uma gengiva meio avermelhada. O primeiro pensamento que cruza a sua mente é um misto de surpresa e culpa: será que um cãozinho de quatro meses já está com tártaro?
Não. O tártaro mineralizado é uma condição típica de cães adultos, costumando dar as caras de forma mais marcante a partir dos três anos de idade. Se o seu filhote tem dentes amarelados ou um hálito que não está exatamente fresco, o mais provável é que você esteja vendo apenas os efeitos colaterais da fase de troca de dentição, e não o famoso cálculo dental.
Ainda assim, é perfeitamente compreensível o susto. A gente olha para aquela boquinha e espera encontrar um branco impecável de comercial de pasta de dente. Só que os filhotes passam por um furacão fisiológico nos primeiros meses de vida.
O que realmente está acontecendo na boca do filhote?
Entre os três e os sete meses de idade, os dentes de leite começam a amolecer e caem para dar lugar aos dentes permanentes. Esse processo de erupção dentária mexe com a gengiva inteira. É bem comum que o tecido fique avermelhado, um pouco inchado e até sangre um pouquinho quando o cãozinho rói um brinquedo.
Essa verdadeira revolução na boca também traz uma alteração temporária no hálito. Não é doença periodontal instalada, mas sim o resultado biológico de dentes nascendo, gengivas cicatrizando e restos microscópicos de tecido se soltando.
Existe também o acúmulo inicial de placa bacteriana, que é aquela película macia feita de resíduos e bactérias. Se essa placa não for controlada, ela vai sim se mineralizar com o tempo e virar tártaro. Por isso, embora o tártaro verdadeiro seja raro na infância do cão, a negligência com a higiene nessa fase abre caminho para problemas futuros.
Cães vira-latas precisam de cuidados bucais?
Aproveitando o assunto, vale a pena derrubar aquela velha história de que cães sem raça definida, os famosos vira-latas, possuem uma saúde de ferro imune a qualquer problema. Muita gente acha que cachorro sem pedigree nasceu pronto para enfrentar o mundo sem precisar de escovação ou check-up.
Isso é um mito completo. Os vira-latas estão sujeitos às mesmas questões odontológicas que qualquer raça pura. A genética deles não cria um escudo invisível contra a placa bacteriana ou contra a inflamação na gengiva. Se você pular os cuidados preventivos, o vira-lata de hoje será o adulto com dentes comprometidos amanhã.
O grande perigo na hora de escovar os dentes do pet
Digamos que você decidiu fazer tudo certo. Viu que precisa criar o hábito da escovação desde cedo, foi ao banheiro, olhou para a prateleira e pensou em usar um pingo da sua própria pasta de dente para facilitar a rotina. Pare agora mesmo.
Nunca utilize creme dental humano em cães. O grande vilão dessa história é o xilitol, um adoçante comum em pastas de dente e enxaguatórios para humanos. Para o nosso organismo, ele é inofensivo, mas para os cães, o xilitol causa uma queda dramática e rápida no açúcar do sangue, além de provocar lesões graves no fígado. É uma emergência médica pesada.
Para a escovação do filhote, use exclusivamente cremes dentais desenvolvidos para pets, que são seguros caso sejam engolidos e não contêm substâncias tóxicas.
Como começar a cuidar da saúde oral sem drama
Habituar o filhote ao manejo da boca exige paciência e zero força bruta. Comece passando o dedo delicadamente na parte externa dos lábios dele, depois toque nos dentes por alguns segundos e recompense com um agrado. Com o tempo, introduza uma gaze ou uma escova de cerdas muito macias próprias para animais.
Brinquedos de textura adequada para essa fase de dentição também ajudam muito. Eles servem para aliviar o coceiro na gengiva e funcionam como um estímulo mecânico natural que ajuda a limpar os dentes enquanto o cão se diverte roendo.
Aproveite sempre as primeiras consultas de rotina do filhote no veterinário para pedir uma avaliação da cavidade oral. O profissional consegue checar se houve retenção de dentes de leite, se a mordida está encaixando direitinho e se a gengiva está respondendo bem à fase de crescimento. Cuidar dos dentes desde cedo evita dor de cabeça no futuro e garante que o hálito do seu parceiro continue suportável durante as sessões de carinho no sofá.








