Dogue alemão convive bem com crianças?

Imagine a cena. Você está na sala de estar tentando tomar um café em paz, e de repente percebe que o cachorro da família, que até ontem parecia um filhotinho desajeitado, agora tem o tamanho de um potro e resolveu deitar exatamente em cima dos seus pés. A diferença é que, em vez de um labrador comum, estamos falando de um Dogue alemão. Com esse cenário na cabeça, a pergunta que não quer calar surge na hora: afinal, Dogue alemão convive bem com crianças?
Sim, o Dogue alemão convive muito bem com crianças. A prática de quem convive com a raça descreve o temperamento desses gigantes como amigável, paciente e confiável. Eles costumam ser extremamente apegados à família, tolerantes e dóceis com os pequenos da casa. Só que existe um detalhe físico monumental entre a intenção pacífica do cão e a realidade da sua sala de estar.
O crescimento acelerado e a física do tamanho
O grande ponto de atenção não é a agressividade, que é rara, mas sim a mecânica do tamanho. Estamos diante de um animal que passa por um período de crescimento físico impressionante, decorrente de um processo de gigantismo fisiológico em que altos níveis do fator de crescimento IGF-1 mantêm o metabolismo a todo vapor. Nas primeiras semanas de vida, um filhote chega a ganhar peso a uma taxa muito superior à de cães menores. Em pouco tempo, aquele filhote fofo ganha massa corporal suficiente para superar o peso de uma criança na primeira infância.
Quando você percebe, o tapete da sala virou o território de um animal que ocupa tanto espaço quanto um sofá de três lugares. É aqui que mora o principal mal-entendido sobre a raça. Muita gente conforta-se com a fama de gigante gentil e acha que pode deixar o cão e as crianças sozinhos no quintal sem preocupação. Acontece que o Dogue alemão tem a alma de um filhote brincalhão muito tempo depois de atingir o porte de um leão. Ele não precisa morder para machucar. Um abanar de rabo mais entusiasmado na altura exata do rosto de uma criança ou um esbarrão descuidado no corredor podem causar um tombo feio.
Por que será que tanta gente esquece desse pequeno detalhe estrutural? Porque o olhar de um Dogue alemão costuma ser tão doce que desarma qualquer receio inicial. Eles parecem entender que são grandes e, por isso mesmo, costumam demonstrar uma gentileza tocante com crianças pequenas. Mas intenção boa não substitui as leis da física. Por isso, a supervisão adulta constante e ininterrupta é indispensável. Não se trata de desconfiar do cachorro, mas de reconhecer que a física não perdoa desatenções.
Regras de convivência e o papel da família
Outro clássico que sempre dá as caras envolve a imaginação das crianças. Para um pequeno de quatro anos, um cachorro com o dorso na altura da mesa não parece um cachorro: parece um pônei pronto para a montaria. É aí que os adultos precisam intervir de imediato. A coluna e a estrutura óssea do Dogue alemão não foram feitas para suportar peso nas costas. Deixar a criança subir no animal pode causar danos sérios na coluna dele, e mesmo o cão mais dócil do mundo pode reagir por reflexo se sentir uma pontada forte de dor. A regra precisa ser firme desde o primeiro dia: cachorro não serve de montaria, e a segurança dos dois depende desse limite.
Ensinar a garotada a respeitar o espaço do animal é metade do trabalho diário. As crianças precisam entender que orelha não é puxador e que a hora da refeição ou do sono é sagrada. Do outro lado da balança, o cão também precisa de treino focado em controle de impulsos desde filhote. Ensinar comandos básicos de calma ajuda o grandalhão a ter noção do próprio corpo, o que evita aquelas arrancadas estabanadas pela casa que quase sempre terminam em alguém rolando no chão.
O ritmo dessa parceria também muda com a idade do bicho. Na fase adulta, eles viram especialistas em preguiça e passam boa parte do dia estirados na sala como grandes tapetes vivos. O ponto de atenção surge de verdade quando eles envelhecem e as dores articulares começam a pesar. Um cão idoso com desconforto nas juntas perde a paciência muito mais rápido, e um esbarrão descuidado de uma criança correndo pode doer de verdade. Proteger o canto de descanso dele nessa etapa poupa o animal e evita sustos desnecessários.
A organização da casa dita o tom desse dia a dia. Colocar um gigante desses em um lugar apertado e apinhado de móveis transforma a rotina numa sucessão de trombadas, o que desgasta a paciência de todo mundo. Ter passagens livres e uma área onde o cachorro consiga se mover sem derrubar tudo pelo caminho deixa a convivência muito mais tranquila para a família inteira.
A convivência entre o Dogue alemão e as crianças costuma render uma parceria excelente de afeto e lealdade. O segredo nunca esteve na índole pacífica da raça, mas em equilibrar esse bom temperamento com espaço suficiente, limites claros para os dois lados e a presença de um adulto atento na sala.






