Diamante-mandarim fala, canta ou imita sons?

Imagine a cena. Você acabou de colocar o café na xícara, senta perto da janela da sala e ouve um som agudo e curtinho vindo ali do canto, como se alguém estivesse apertando uma buzininha de borracha em miniatura ou soprando um apito metálico bem baixinho. É o seu diamante-mandarim conversando com o ambiente. Aí bate aquela dúvida comum na cabeça de quem está conhecendo a espécie. Afinal, esse passarinho tão elegante fala, canta ou imita sons como os papagaios da televisão? Não. O diamante-mandarim não fala, não aprende a repetir palavras e não possui a capacidade de imitar barulhos da casa, como o toque do celular ou a campainha. O que ele faz é emitir piados de contato e um canto bem característico, mas tudo dentro do repertório natural da própria espécie.
Se você já viu vídeos na internet de aves tagarelando frases inteiras, saiba que o protagonista daquelas cenas costuma ser um psitacídeo, como um papagaio, uma calopsita ou um periquito-australiano. Existe um abismo biológico e neurológico entre essas aves. Os psitacídeos possuem áreas cerebrais altamente especializadas e uma estrutura vocal adaptada para o mimetismo, que é a habilidade de copiar sons externos. Já o diamante-mandarim pertence a outra turma, a dos passeriformes, mais especificamente à família dos estrildídeos. Eles são pequenos granívoros com bicos cônicos que vieram da Oceania e ganharam o mundo na avicultura ornamental. Na biologia deles, não existe software cerebral para repetir o seu nome ou imitar a sua risada. Os machos adultos desenvolvem um cantinho ritmado e charmoso, mas é um som feito para atrair parceiras e demarcar território entre eles, sempre em um volume muito discreto.
O barulho incomoda em casa?
Muita gente pergunta se o mandarim faz barulho suficiente para irritar os vizinhos de apartamento. A resposta costuma tranquilizar quem mora em espaços compactos. O nível de ruído deles é baixo ou muito baixo. Enquanto algumas aves canoras conseguem entoar melodias longas e potentes que ecoam pela casa inteira, o mandarim emite sons curtos e suaves. É mais um pano de fundo sonoro discreto do que um alarme de carro. Trata-se de um animal excelente para quem quer contemplar a beleza e a vivacidade de um pássaro sem precisar usar protetores auriculares na hora da novela.
No Brasil, o diamante-mandarim é considerado uma ave doméstica exótica. Isso significa que você não precisa de registro de criador amador, licença especial ou anilha para ter um casal em casa. Pode comprar e cuidar livremente, diferentemente de várias espécies da nossa fauna silvestre.
Como garantir que eles fiquem felizes e cantem na medida certa
Para que os seus mandarins emitam esses sons naturais de bem-estar, a forma como você organiza o espaço deles muda completamente a rotina. É melhor esquecer aquela história de deixar um único passarinho sozinho em uma gaiola redonda e estreita na esperança de que ele dê atenção exclusiva para você. Na natureza, eles andam sempre em bandos e levam a vida de forma bem coletiva. O melhor caminho é mantê-los pelo menos em casais ou em pequenos grupos. Gaiolas compridas na horizontal dão ótimos resultados, já que permitem curtos voos de uma ponta à outra. Poleiros com diferentes espessuras cuidam da saúde das patinhas, ao passo que uma boa mistura de sementes para exóticos, água sempre limpa e farinhadas mantêm o cardápio em dia.
Aquele papo antigo de que qualquer passarinho começa a falar se ficar na penumbra ou escutando gravações repetidas desde pequeno não passa de lenda. Nem tente fazer isso. Isolar o animal, deixá-lo no escuro ou tentar forçar um talento que ele não tem só serve para causar um estresse profundo. O diamante-mandarim nasceu para ser apreciado exatamente do jeito que é, um bichinho ornamental cheio de elegância e com um ritmo próprio.
Quando o silêncio é um sinal de alerta
Se o barulho deles quase nunca incomoda, o silêncio repentino já exige um olhar bem mais atento do tutor. Passarinhos pequenos possuem um metabolismo acelerado que não perdoa vacilos. Caso o seu mandarim passe o dia piando como de costume e, de repente, fique quietinho no fundo da gaiola, com as penas todas eriçadas, as asas caídas ou um ar de profunda tristeza, tire da cabeça a ideia de que ele só está tirando uma soneca. No mundo das aves, essas viradas repentinas costumam apontar que o bicho adoeceu e precisa de ajuda sem demora.
Nunca tente resolver isso dando remédios caseiros ou sobras de farmácia humana por conta própria. Ao notar qualquer um desses sinais de alerta, o caminho certo é correr para um veterinário especializado em aves para descobrir o que está acontecendo com segurança. No fim das contas, a melhor maneira de curtir esses bichinhos é aceitar o repertório natural deles sem cobranças.







