Dandie Dinmont Terrier é bom para apartamento?

Você acabou de chegar do trabalho, abre a porta do apartamento e ouve um latido grave, surpreendentemente encorpado para o tamanho do animal, ecoando pelo corredor. Um instante depois, a porta se abre e aparece um cãozinho de pernas curtas, tronco longo e um charmoso topete de pelos macios na cabeça, pronto para receber você com uma alegria discreta. Se você está pensando em dividir o espaço de um apartamento com um Dandie Dinmont Terrier, sim, ele se adapta muito bem a esse estilo de vida, desde que você entenda as particularidades de energia e convivência que a raça exige.
Muitas pessoas imaginam que qualquer cachorro pequeno serve para morar em espaços compactos, mas acabam se arrependendo amargamente quando percebem que o bicho tem energia para dar e vender. Com o Dandie Dinmont, a história é um pouco diferente. Trata-se de um cão de porte pequeno, pesando entre 8 e 11 quilos e medindo de 20 a 28 centímetros de altura, com uma estrutura corporal rebaixada e alongada. Ele não tem aquela hiperatividade típica de alguns terriers menores, preferindo passar boa parte do dia tirando longas sonecas no sofá ao lado da família. Mas será que essa calmaria toda resiste a uma rotina urbana intensa
De quanta energia estamos falando
A rotina de exercícios desse cão em ambiente urbano costuma ser bastante descomplicada. Esqueça a ideia de que você precisa correr uma maratona diária para cansar o animal. Duas caminhadas firmes de trinta minutos por dia, somadas a algumas brincadeiras de buscar objetos dentro de casa, bastam para mantê-lo equilibrado e feliz. Afinal, por que complicar o que foi desenhado para ser simples
Existe, porém, um detalhe anatômico importante que muita gente ignora. Por causa daquela estrutura longa e baixa, o esqueleto do animal não foi desenhado para corridas de longa distância ou para acompanhar bicicletas. Se você busca um parceiro para trilhas puxadas ou pedaladas matinais, precisa procurar outra raça. Forçar o Dandie a esse tipo de atividade representa um risco desnecessário de lesões na coluna e nas articulações. Ninguém quer ver um companheiro peludo sofrendo por excesso de boa vontade do tutor.
O desafio do latido e a convivência no prédio
Quem mora em condomínio sabe que o barulho é o calcanhar de Aquiles de qualquer pet. Acontece que o Dandie Dinmont Terrier possui um latido barítono, um tom grave e potente que parece pertencer a um cachorro três vezes maior do que ele. Como a raça foi desenvolvida para a guarda e o alerta em fazendas antigas, qualquer ruído incomum no corredor do prédio vai acionar o instinto vigilante do animal.
Isso significa que você vai precisar investir um tempo razoável em adestramento positivo desde a fase de filhote, além de posicionar a caminha dele longe da porta de entrada para diminuir os estímulos visuais e sonoros. Não adianta brigar ou perder a paciência. O cão está apenas fazendo o trabalho para o qual foi selecionado ao longo de séculos, e cabe ao tutor ensinar os limites da vizinhança. Quem diria que um cãozinho tão fofo traria consigo a responsabilidade de um pequeno guardião
Outro detalhe que merece cuidado redobrado nos corredores e elevadores é aquele instinto de caça que corre nas veias da raça. O passado de exterminador de pequenos mamíferos nas colinas da fronteira entre Escócia e Inglaterra deixou marcas profundas. Se ele avistar um gato ou um cão menor cruzando o saguão, a vontade de disparar atrás da presa surge na mesma hora. Por isso, a caminhada em áreas comuns e vias públicas precisa acontecer sempre com a guia firme e curta, evitando surpresas desagradáveis no meio do trajeto.
E a limpeza do apartamento
Quem mora em espaço compacto costuma ter pavor de encontrar pelos grudados em cada centímetro dos tapetes e estofados. Nesse quesito, o Dandie Dinmont marca pontos preciosos com o tutor. A pelagem dele é dupla e de textura dura, o que significa que o animal não fica soltando tufos de pelo espontaneamente pelos cômodos da casa.
Só que essa vantagem aparente traz uma pequena pegadinha estética. Como os fios mortos não caem sozinhos no chão, eles simplesmente continuam presos no manto. Sem escovação regular e sem aquela manutenção periódica chamada stripping, que é a remoção manual dos pelos mortos feita algumas vezes por ano, a pelagem vira um emaranhado de nós e perde a textura original. A ausência de queda natural ajuda bastante a manter o piso limpo, mas exige do tutor um compromisso semanal com a escovación. Afinal, procurar praticidade total sem esforço nenhum é ilusão, pois nem mesmo um cão rústico sobrevive sem cuidados básicos.
Também vale a pena manter o acompanhamento com o veterinário em dia para cuidar das vacinas, do controle de parasitas e da higiene dos dentes e das orelhas caídas. Esse tipo de orelha tende a acumular umidade, e a prevenção evita infecções auriculares bem incômodas para o animal. Uma rotina de saúde preventiva evita visitas de última hora à clínica e mantém o pet bem ativo.
O que a lei diz sobre ter um pet no condomínio
Mesmo que apareça aquele vizinho reclamão ou um síndico exageradamente rigoroso, a legislação brasileira está do seu lado. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que as regras internas de um condomínio não podem proibir a permanência de animais de estimação nos apartamentos de forma genérica e arbitrária. O direito de manter o seu cão na sua casa tem respaldo no Código Civil.
Qualquer restrição só passa a ser legítima se houver comprovação real de que o bicho coloca em risco a segurança, a saúde ou o sossego coletivo. Em termos práticos, desde que o cão não cause estragos nas áreas comuns e o latido seja administrado com bom senso e adestramento, você tem total tranquilidade legal para criá-lo no seu lar.
No fim das contas, levar um Dandie Dinmont Terrier para a vida em apartamento pede apenas que você aceite dividir o teto com uma criatura de personalidade marcante, que gosta de passeios regulares, precisa de atenção com a pelagem e pede um toque de treino para manter a boa vizinhança.






