Como viajar com um Sphynx de carro ou avião

Imagine a cena: você está organizando as malas no corredor, tentando fechar o zíper de um casaco que claramente engordou na gaveta, e o seu gato pelado decide que a melhor forma de ajudar é deitar exatamente em cima da passagem da porta, olhando para você com aquela expressão de quem julga todas as suas escolhas de vida. Se a próxima parada for uma viagem de carro ou avião, a logística exige um pouco mais do que apenas jogar uma bolsinha no banco de trás, afinal, como viajar com um Sphynx de carro ou avião sem transformar o passeio num pesadelo térmico e burocrático?
O sucesso da viagem depende de duas frentes igualmente importantes: deixar toda a burocracia sanitária em dia, o que no Brasil inclui o atestado de saúde veterinário emitido em até dez dias e a vacina antirrábica atualizada, e adaptar o trajeto à biologia única da raça, que não tem pelos para se proteger do frio ou do calor e não tolera nenhum tipo de sedação química. Mas por que essa preparação precisa ser tão específica para essa raça em particular?
Esqueça a sedação e prepare o agasalho
A primeira grande armadilha em que muita gente cai é tentar resolver o estresse do gato com um comprimido para ele apagar o caminho inteiro. Esqueça essa ideia. As diretrizes internacionais de aviação e medicina felina proíbem terminantemente o uso de sedativos em voos. Em altitude, a sedação mexe com a pressão sanguínea e a respiração do animal. Como o Sphynx não tem aquela camada de pelo para reter o calor, a temperatura corporal dele despenca com facilidade. Junte o frio da cabine do avião ou do ar-condicionado do carro com o remédio, e o resultado pode ser um colapso perigoso. O melhor calmante para um gato no trânsito é a familiaridade, e não a química.
Pense no Sphynx como aquela pessoa que viaja para a serra no inverno usando apenas uma regata. Como ele não tem a própria jaqueta de pelagem, você precisa fazer esse papel. Na caixa de transporte, use mantas macias de tecido fleece e roupinhas confortáveis. Se a viagem for de carro, cuidado para o jato do ar-condicionado não ficar batendo direto na caixa do gatinho no banco de trás. Na cabine do avião, o espaço sob o assento dianteiro também pode ser fresco demais. Mantenha o animal agasalhado e protegido de correntes de ar.
A burocracia que não pode faltar no aeroporto ou na estrada
Antes de pensar em colocar o gato na caixa, você precisa resolver a papelada. Por aqui, a boa notícia é que não é preciso emitir a Guia de Trânsito Animal para felinos em viagens pelo país. Porém, você vai precisar de um atestado de saúde emitido por um veterinário registrado no conselho da categoria. E preste atenção no calendário: esse documento tem validade curtíssima, valendo por no máximo dez dias contados da data da emissão até o momento do embarque. Além disso, a carteira de vacinação precisa estar em dia. Se for a primeira dose da vacina antirrábica da vida do gato, ela precisa ter sido aplicada há pelo menos vinte e um dias da data da viagem. Caso seja um reforço anual feito dentro do prazo da dose anterior, o gato está liberado para viajar imediatamente.
Escolhendo o voo e medindo a caixa
Se o destino exigir um avião, cada companhia aérea tem suas próprias regras rígidas de peso, idade e tamanho. As principais empresas aceitam pets na cabine, mas exigem que o animal viaje em uma bolsa flexível ou caixa rígida que caiba embaixo do assento à sua frente. Há limites de peso bruto que somam o gato e a caixa, além de exigências claras de idade mínima e espaço para que o animal consiga ficar em pé e dar uma volta de trezentos e sessenta graus dentro da bolsa sem encostar a cabeça no teto. Esses detalhes não são sugestões, são testados no balcão de check-in. Se a caixa for um centímetro maior do que o permitido ou se o gato não couber confortavelmente na posição exigida, o embarque pode ser negado na hora. Por isso, consulte sempre as normas atualizadas no site da companhia aérea no dia em que fechar a passagem.
O treinamento secreto que começa semanas antes
A pior hora para apresentar a caixa de transporte ao seu gato é exatamente no dia da viagem. Para ele, aquele objeto misterioso vai parecer uma máquina de teletransporte para o consultório veterinário. A solução é simples e exige paciência: traga a caixa para a sala de casa umas duas ou três semanas antes. Deixe a porta aberta, coloque uma mantinha com o seu cheiro e jogue alguns petiscos lá dentro de vez em quando. Deixe que o Sphynx descubra o contêiner por conta própria, transforme aquilo num esconderijo divertido e tire o fator surpresa do dia do embarque. Quando chegar a hora oficial, a caixa será apenas a caminha de sempre, só que em movimento.
Antes de sair de casa, vale a pena agendar aquela visita de rotina ao veterinário para um check-up geral. Como a raça tem certa predisposição genética para problemas cardíacos, garantir que o coraçãozinho está forte o bastante para lidar com a adrenalina de uma viagem é um cuidado que traz paz de espírito para todo mundo. Com a documentação certinha, uma boa dose de conforto térmico e zero remédios desnecessários, a aventura pode acontecer com muito mais tranquilidade.







