Como viajar com um Persa de carro ou avião

Sabe aquela cena em que você olha para o seu gato Persa esparramado no tapete da sala, com aquela carinha de quem governa o mundo da própria almofada, e se pergunta como diabos vai conseguir tirá-lo dali para uma viagem? Se você precisa pegar a estrada ou entrar em um avião com ele, a boa notícia é que dá para fazer isso com segurança, desde que você esqueça algumas ideias tradicionais e siga um plano bem realista.
Viajar com um gato Persa de carro ou avião exige, antes de qualquer coisa, entender que você não está lidando com um cão aventureiro. O Persa é um gato que valoriza a estabilidade acima de tudo. Por isso, sim, é totalmente possível viajar com ele, mas o transporte precisa ser feito exclusivamente na cabine do avião ou no banco do carro, com documentação veterinária em dia e sem nenhuma gota de sedativo químico.
O grande perigo que todo mundo ignora no avião
Muita gente acha que despachar o gato no porão da aeronave resolve o problema do espaço. Com o Persa, essa é uma ideia que você deve descartar na mesma hora. Por causa daquela carinha achatada, que os veterinários chamam de braquicefalia, o Persa tem as vias aéreas mais estreitas e um nariz que não ventila com a mesma facilidade que o de outras raças.
Quando o calor e o estresse apertam, a capacidade dele de se refrescar despenca. O Conselho Federal de Medicina Veterinária e as próprias companhias aéreas restringem ou proíbem o porão justamente porque o risco de uma crise respiratória grave é real. Na cabine, embaixo da poltrona à sua frente, ele vai no ar-condicionado junto com você, respirando o mesmo ar e sob o seu olhar atento.
E por falar em voo, aquela velha história de dar um remedinho para apagar o gato durante o trajeto não passa de um mito perigoso. Entidades internacionais de aviação e medicina felina proíbem o uso de sedativos pesados. O motivo é simples: a sedação mexe com a pressão e com a respiração do animal, impedindo que ele reaja bem às variações de altitude. Se o seu gato costuma entrar em pânico com facilidade, converse com o veterinário sobre opções mais modernas e seguras, como o uso de ansiolíticos leves que não deprimem o sistema cardiorrespiratório.
Papelada na mão e zero burocracia desnecessária
Ninguém quer passar por aquele constrangimento de ser barrado no balcão do aeroporto ou na blitz da estrada por falta de papel. A boa notícia no cenário nacional é que cães e gatos estão dispensados daquela Guia de Trânsito Animal, a famosa GTA, para viagens dentro do Brasil.
O que você realmente precisa providenciar é a carteira de vacinação atualizada, com destaque para a antirrábica, e um Atestado de Saúde emitido por um veterinário. Aqui vai o detalhe que pega muita gente desprevenida: esse atestado tem validade curtíssima, de apenas dez dias antes da data do embarque. Ou seja, não adianta correr para o veterinário com um mês de antecedência, pois o documento vai vencer antes de você botar o pé na estrada.
Se o plano for voar, as principais companhias aéreas exigem que o gato tenha pelo menos quatro meses de vida e esteja completamente desmamado. O peso total, somando o animal e a caixa de transporte, costuma girar em torno de dez a doze quilos, dependendo da empresa. A taxa para levar o pet na cabine fica geralmente na faixa de duzentos a duzentos e cinquenta reais por trecho. Vale a pena conferir as medidas exatas da bolsa ou caixa rígida no site da companhia aérea escolhida, pois alguns centímetros a mais podem estragar os seus planos de última hora.
Transformando a caixa de transporte em um refúgio
A maioria dos gatos não odeia o carro ou o avião em si; eles odeiam a caixa de transporte, que costuma aparecer misteriosamente a cada seis meses apenas para levá-los ao consultório da vacina. Se você quiser que a viagem seja pacífica, comece a preparação duas semanas antes.
Deixe a caixa de transporte aberta bem no meio da sala, forrada com uma manta macia que tenha o cheiro da casa. Jogue alguns petiscos lá dentro, coloque um brinquedo favorito e deixe o Persa explorar o espaço no tempo dele. Quando a caixa deixa de ser um monstro de plástico e vira uma toca aconchegante, metade dos seus problemas de ansiedade felina já está resolvida.
Pouco antes de sair de casa, vale a pena borrifar feromônios sintéticos próprios para gatos na caixa de transporte e no interior do carro. Eles ajudam a criar um ambiente olfativo de segurança. No carro, prenda firmemente a caixa com o cinto de segurança e mantenha a temperatura do ar-condicionado sempre amena, lembrando que o calor excessivo é o maior inimigo do focinho achatado do seu companheiro.
Quando a saúde pede um cuidado extra
Antes de colocar o seu Persa em uma viagem longa, vale dar aquela conferida geral na saúde com o veterinário. A raça tem uma predisposição conhecida para a Doença Renal Policística, um problema genético que gera cistos nos rins, além de casos eventuais de alterações cardíacas.
Um gato que já apresenta desgaste renal precisa de atenção redobrada com a hidratação para não descompensar durante o trajeto. Já animais com problemas cardíacos mais avançados simplesmente não devem passar pelo estresse de viagens longas, já que a adrenalina do momento pode sobrecarregar o coração.
No fim das contas, viajar com um Persa é um exercício de paciência e antecipação. Com a caixa certa, os documentos dentro da validade, o clima sempre fresco e você por perto para servir de porto seguro, a viagem deixa de ser um teste de sobrevivência e vira apenas mais um passeio em família.






