Como reproduzir Betta Plakat no aquário

Imagine que você chega à sala e percebe que aquele seu aquário dedicado ao Betta Plakat está impecável, mas bateu a curiosidade de saber como funciona a reprodução dessa espécie por aí. Reproduzir o peixe beta da variedade Plakat exige a preparação de um ambiente dedicado com água em parâmetros tropicais estáveis, mantendo o pH entre 6,5 e 7,2 e a temperatura entre 24 e 28 graus, além de uma filtragem de fluxo brando para proteger o órgão respiratório do animal e o isolamento controlado dos reprodutores para evitar confrontos fatais.
Parece simples na teoria, mas colocar dois peixes territoriais no mesmo espaço sem critério é o caminho mais rápido para um desastre doméstico. Se você já ouviu por aí que basta juntar o macho e a fêmea em qualquer recipiente e deixar a natureza seguir o curso, vale a pena questionar essa ideia. Os machos dessa espécie são estritamente solitários e reagem com extrema agressividade contra outros peixes de nadadeiras vistosas ou outros machos.
Para começar do jeito certo, o primeiro passo é a escolha do tanque. Esqueça aquela velha história de que peixe beta vive bem em potes minúsculos ou beteiras sem aquecimento. A variedade Plakat, que pertence ao grupo dos anabantídeos e atende pelo nome científico de Betta splendens, precisa de um aquário com volume adequado, variando de 15 a 30 litros. É como tentar viver em um lavabo sem janela no inverno. O espaço precisa ter um termostato regulado com precisão e um filtro interno ou de esponja com vazão mínima.
Os cuidados com a água e o ritmo do aquário
O motivo para essa água calma tem nome e função específica. O Betta possui um órgão respiratório acessório chamado labirinto. Funciona como um snorkel embutido, permitindo que o animal capte o oxigênio direto da superfície da água. Se você instalar um filtro com a potência de uma turbina ou uma pedra porosa borbulhando sem parar, o peixe vai gastar uma energia absurda apenas para nadar contra a correnteza. É o equivalente a pedir para alguém caminhar contra um vendaval segurando um guarda-chuva aberto. Essa exaustão toda abre espaço para estresse severo e problemas de saúde na região da boca e das brânquias.
Antes de colocar qualquer morador por lá, o ambiente precisa estar inteiramente preparado. Trata-se da conhecida ciclagem do aquário, processo que deixa a água pronta com a ajuda de bactérias benéficas encarregadas de zerar a amônia e o nitrito. Deixar o peixe entrar num tanque recém-montado seria o equivalente a mudar para uma casa nova onde as paredes ainda estão com a tinta fresca e falta encanamento. Fique de olho nos testes químicos até que os compostos perigosos desapareçam e a dureza da água atinja o ponto ideal.
Outro ponto que costuma pegar muita gente de surpresa diz respeito aos vizinhos de tanque. Muita gente gosta de introduzir caramujos para dar aquela força na limpeza, mas os moluscos do grupo conhecido como Pomacea adoram devorar ovos de peixes. No aquário de reprodução, portanto, eles ficam banidos para preservar os ovos.
A aproximação e os limites do convívio
Assim que a água estiver nos eixos, juntar o macho e a fêmea pede um cuidado cirúrgico. Em vez de simplesmente soltá-los juntos na mesma água, vale a pena usar uma divisória transparente ou um pequeno recipiente de vidro no interior do próprio tanque por alguns dias. Desse jeito, eles conseguem se encarar e medir forças sem risco de mordidas. Como o Plakat possui nadadeiras curtas e musculosas, ele ganha muita velocidade, o que transforma qualquer rejeição numa briga perigosa.
Terminada a etapa de reprodução, o casal precisa ser separado imediatamente de forma definitiva. Deixar os dois juntos por mais tempo é convite para conflitos sangrentos e machucados feios. Se os machos demandam moradia própria e isolada, as fêmeas até toleram a companhia de outras da mesma espécie, desde que o aquário seja espaçoso e cheio de plantas.
Caso você perceba que o peixe começa a nadar de jeito estranho, passa o dia no fundo sem energia, perde o apetite ou exibe manchas e pelugens esbranquiçadas pelo corpo, pare o que estiver fazendo. Sintomas assim pedem o afastamento imediato do animal e a consulta com um veterinário para obter o diagnóstico seguro e a indicação de tratamento. Nunca recorra a fórmulas milagrosas da internet ou remédios caseiros, pois o erro na dose pode ser fatal.
Com a água em ordem, equipamentos ajustados e bastante atenção ao comportamento dos peixes, o tutor consegue observar esse comportamento fascinante sem transformar o cantinho da sala em um hospital.






