Como diferenciar Pacu macho e fêmea

Sabe aquela história de que todo animal tem um detalhe na cor ou no formato do corpo que entrega se é macho ou fêmea? Esqueça isso se o assunto for o pacu. Se você pescar um pacu por aí e tentar descobrir o sexo dele olhando as nadadeiras ou a cor das escamas, vai ficar olhando para o nada. A verdade é que a diferenciação externa entre pacu macho e fêmea simplesmente não existe na maior parte do tempo. Machos e fêmeas são idênticos por fora, e tentar adivinhar isso em peixes jovens ou fora da época de reprodução é perda de tempo.
A única forma de saber quem é quem acontece quando os peixes chegam à idade adulta, por volta dos três anos, e olhe lá: isso só funciona de outubro a março, que é o período reprodutivo natural desses animais na América do Sul.
Como identificar fêmeas e machos na época certa
Fora da temporada de reprodução, o corpo do pacu é um mistério impenetrável. Mas, quando chega a primavera e o verão, a natureza dá algumas pistas para quem mexe com piscicultura ou quer entender melhor o ciclo desses peixes.
Pense na fêmea madura como alguém na reta final de uma gestação. O abdômen dela fica visivelmente abaulado, expansivo e bem macio ao toque, porque está lotado de milhares de ovos prontos para serem liberados. Além disso, a região da papila genital, que é a abertura por onde saem os óvulos, fica intumescida e com uma coloração avermelhada bem chamativa devido ao aumento do fluxo de sangue.
Já os machos não ganham barriga redonda. Para ter certeza de que você está segurando um rapaz na mão, o método usado por quem cria esses peixes envolve uma manobra cuidadosa de compressão abdominal. Com o animal contido de forma segura para não sofrer estresse desnecessário, faz-se uma leve massagem na barriga no sentido da cabeça para a cauda. Se for um macho maduro, vai aparecer um líquido leitoso, que é o sêmen, saindo pela papila genital.
Por que tanta gente insiste em procurar marcas visuais em outras épocas do ano? A resposta está no hábito de comparar peixes de rio com espécies menores de aquário, onde o dimorfismo sexual costuma saltar aos olhos logo cedo. No pacu, a evolução seguiu outro caminho e tratou de deixar ambos os sexos com o mesmo uniforme cinza e prateado o ano inteiro.
Por que não dá para saber antes disso
A tentação de olhar para um filhote e tentar adivinhar o sexo é grande. Muita gente aposta nisso guiada pelo mito de que o macho precisa ser mais colorido ou ter nadadeiras diferentes. No pacu, machos e fêmeas dividem o mesmo visual monótono o ano inteiro.
Internamente, a história é outra, mas invisível a olho nu. A separação das células que vão virar ovários começa lá no início da vida do peixe, mas as gônadas continuam microscópicas por muito tempo. Tentar sexar um pacu jovem é como tentar adivinhar qual vai ser o sabor do fruto de uma árvore que ainda não tem folhas nem flores. O corpo simplesmente não traz nenhum sinal externo para ajudar.
Quando o peixe ainda é jovem, nem mesmo o comportamento na água entrega o segredo. Eles nadam juntos, comem a mesma ração e disputam espaço do mesmo jeito, sem nenhuma hierarquia visível baseada no sexo. A biologia guarda essa informação a sete chaves até que o animal alcance a maturidade necessária.
Os cuidados que entram em jogo no manejo
Para quem cria o animal, acertar na sexagem é vital por um motivo simples: o pacu não desova sozinho em tanques fechados ou viveiros comuns. Por ser um peixe migrador de águas correntes, ele precisa da chamada piracema e de estímulos naturais ou indução hormonal na piscicultura para liberar os gametas.
Quando o criador precisa aplicar hormônios para induzir a reprodução em cativeiro, errar na escolha da matriz custa caro e gera falhas. Se a fêmea ainda não estiver no ponto ideal de maturação, o procedimento não funciona, resultando em perda de tempo e estresse desnecessário para o plantel.
Ainda assim, vale o alerta sobre a pressa e a força no manejo. Apertar a barriga do peixe com violência para tentar arrancar algum sinal de ovo ou sêmen é um erro grave. Isso causa traumas internos sérios, rompe órgãos, machuca o animal e abre portas para infecções. O toque precisa ser leve, experiente e cirúrgico.
Para plantéis de alto valor ou pesquisas, centros especializados já utilizam até exames de ultrassonografia portáteis em escala de cinza para mapear a cavidade abdominal do peixe sem causar nenhum dano físico. É uma forma moderna de olhar o que está lá dentro sem precisar adivinhar às cegas ou arriscar machucar o bicho.
Se você estiver olhando para um pacu no tanque do sítio durante o inverno, aceite que o mistério continuará guardado. Sem a ajuda da estação reprodutiva certa e da maturidade adulta, não há truque visual que resolva a questão. A paciência ainda é a melhor ferramenta para quem lida com esses gigantes da água doce.







