Como diferenciar Diamante-de-gould macho e fêmea

Sabe aquela hora em que você ganha ou adota um passarinho novo, coloca na gaiola da sala e começa a se perguntar se o nome dele deveria ser Juca ou Julieta? Com um Diamante-de-gould adulto da linhagem clássica, a resposta está estampada nas penas, literalmente parecendo que o macho vestiu um terno de gala impecável enquanto a fêmea optou por um visual mais discreto em tons pastéis.
Nos exemplares adultos de cor tradicional ou selvagem, o macho exibe um peito roxo bem vibrante, barriga amarelo-ouro e um colarinho azul-brilhante que parece neon ao reflexo da luz. Além disso, as duas penas centrais da cauda formam duas agulhas compridas. A fêmea, por sua vez, economiza na paleta: o peito é de um lilás pálido, a barriga tem um amarelo suave e a cauda é mais curta.
Mas calma, porque essa beleza toda na vitrine tem pegadinha. Se o seu passarinho ainda é jovem ou pertence a alguma mutação de cor, a sexagem visual simplesmente deixa de funcionar.
O mistério dos filhotes e das mutações
Se você comprou um filhote que acabou de sair do ninho, esqueça os rótulos de cor por enquanto. Nos primeiros quatro a seis meses de vida, antes de completarem a primeira muda de penas, todos os filhotes de Diamante-de-gould usam o mesmo uniforme cinza-esverdeado sem graça. Parece até estratégia de camuflagem da natureza para evitar que a gente fique ansioso tentando adivinhar o sexo da ave na marra.
O mesmo acontece quando entramos no mundo das mutações de cor, como o famoso peito-branco ou as aves totalmente azuis. Na variedade de peito-branco, por exemplo, tanto o macho quanto a fêmea exibem o peito branquinho, o que anula a principal dica visual que a natureza nos deu.
Nesse cenário de dúvida, tentar apalpar a barriga ou a região pélvica da ave é uma péssima ideia. Além de ser ineficaz para diferenciar o sexo nesse tipo de passeriforme pequeno, o manejo bruto pode causar um susto enorme, estresse severo ou até fraturas na ave.
Quando a ciência entra em campo
Se você não tem paciência para esperar meses pela muda de penas ou acabou levando para casa uma mutação que confunde qualquer um, a solução mais certeira é o teste de DNA. Pode ficar tranquilo porque o exame não machuca o pet. O laboratório só precisa de algumas peninhas arrancadas da região da barriga ou do peito, desde que aquela raiz pequenininha venha junto.
Considere esse exame como um atestado de certeza absoluta que elimina qualquer palpite. É o recurso preferido de quem cria com foco e precisa acertar em cheio a matemática dos casais.
Por sinal, quando o assunto é juntar os bichinhos, convém lembrar de um detalhe curioso sobre a rotina deles em cativeiro. Como passaram por muita reprodução humana ao longo dos anos, algumas fêmeas acabam esquecendo o instinto de mãe, deixando os ovos de lado ou negando comida aos filhotes. É por isso que o pessoal costuma usar casais de Manon, outro passarinho exótico bem pacífico, para fazer o papel de pais adotivos e chocar os ovos do Gould.
O comportamento entrega o artista
Enquanto a fêmea não passa de pios discretos e chamados bem simples, o macho adulto assume o papel de cantor e dançarino profissional. Deixe o passarinho tranquilo na sala por alguns dias e logo você vai flagrar o número de cortejo.
O rapaz estica o corpo, empina o peito roxo, arrepia a cabeça e começa a pular de um lado para o outro no poleiro, soltando um som cheio de notas. A parceira, em contrapartida, fica ali assistindo com uma postura de quem não está muito impressionada. Se o seu bicho de estimação resolveu virar bailarino da sala, pode registrar o nome dele como Juca sem medo de errar.
Detalhes legais e cuidados com a saúde
Aproveitando o embalo sobre ter esses animais em casa, lembre que o Diamante-de-gould é considerado uma espécie doméstica por aqui, segundo as regras ambientais que vigoram no país. Em termos práticos, quer dizer que você não precisa de autorizações mirabolantes nem de papéis oficiais para manter o passarinho na gaiola da varanda.
Porém, fique de olho na saúde das penas. Se o seu macho colorido começar a perder o brilho, ficar com o peito opaco ou com o visual desarrumado, não vá achar que ele mudou de sexo de repente. Mudanças assim costumam ser sinal de falta de nutrientes, estresse ou até problemas de saúde mais chatos, como parasitas indesejados.
Sempre que perceber o passarinho tristinho, magro demais ou com as cores desbotadas fora do período normal de troca de penas, o caminho mais sensato é consultar um veterinário especialista em animais exóticos. Um cuidado caprichado é o que garante penas brilhantes e muita energia no poleiro por bastante tempo.






