Como diferenciar Agapornis Nigrigenis macho e fêmea

Você acabou de trazer para casa um lindo Agapornis Nigrigenis, aquele pequeno de face preta que parece usar uma máscara charmosa, e agora está encarando a ave na gaiola tentando decidir se compra um nome masculino ou feminino.
Não dá para saber apenas olhando. O Agapornis Nigrigenis é uma espécie monomórfica, o que significa que machos e fêmeas vestem exatamente a mesma plumagem e possuem a mesma estrutura corporal a olho nu. Tentar adivinhar o sexo desse passarinho pela cor da cabeça, pelo formato do bico ou pela postura na gaiola é como tentar ler uma carta fechada sem rasgar o envelope.
Se você quer certeza absoluta, o único caminho confiável é o exame de sexagem por DNA.
Mas por que a natureza resolveu complicar tanto a nossa vida na hora de escolher os nomes? A explicação anatômica é simples. As aves não possuem órgãos genitais externos. Os testículos do macho ficam escondidos lá dentro, pertinho dos rins, enquanto a fêmea abriga um único ovário funcional no lado esquerdo do corpo. Como tudo fica abrigado na cavidade interna e desemboca na cloaca, não sobra nenhuma pista visual na aparência para diferenciar um rapaz de uma moça.
Apesar dessa realidade, o mundo dos criadores de pássaros é cheio de dicas milagrosas que circulam por aí. Muita gente jura que basta pegar o bichinho e fazer a famosa palpação pélvica, que é aquele teste de apertar ou medir com os dedos o espaço entre os ossos da bacia. A lógica por trás disso seria que a bacia da fêmea é mais larga para a passagem dos ovos. Só que essa técnica é uma verdadeira loteria. Em aves jovens, em fêmeas que nunca reproduziram ou fora do período reprodutivo, os ossos ficam rígidos e fechados exatamente como nos machos. Mais do que falhar no diagnóstico, tentar fazer isso em casa sem nenhuma experiência coloca o seu animal em risco de sofrer lesões físicas graves, fraturas ou um estresse desnecessário.
O exame de DNA e a paz de espírito
Para acabar com a dúvida de vez, a biologia molecular resolveu o problema com um método rápido e indolor. A sexagem por DNA é feita a partir de uma amostra de material genético, que pode ser uma pequena quantidade de sangue ou algumas penas arrancadas com cuidado da região do peito da ave.
Não precisa se preocupar com dor insuportável. Coletar três ou quatro peninhas do peito para enviar ao laboratório é um processo tão rápido quanto tirar um fio de cabelo humano. O laboratório vai analisar o bulbo da pena para identificar os cromossomos sexuais, entregando um laudo com cem por cento de precisão. É o único jeito de encerrar o mistério logo nos primeiros meses de vida do animal, sem precisar adivinhar se o seu companheiro de penas vai te surpreender no futuro.
Cuidado com os casais de mentira
Existe outro detalhe curioso no comportamento desses passarinhos que costuma confundir bastante a cabeça de quem cuida. Você olha para a gaiola em uma tarde qualquer e vê duas aves grudadas o tempo todo, limpando as penas umas das outras, dividindo a mesma comedeira e até juntando pedacinhos de papel para montar um ninho. A tendência natural é cravar que você tem um casal perfeito bem ali na sua sala.
Nem sempre é assim. Quando não encontram um parceiro do sexo oposto, eles formam com facilidade o que chamamos de par amigável de mesmo sexo. São dois amigos que decidem dividir o espaço, trocar carinhos e simular todo o ritual de acasalamento, mesmo sendo ambos rapazes ou ambas moças. Inclusive, não é nada incomum que duas fêmeas dividam o mesmo canto e comecem a botar ovos que nunca vão vingar, agindo como se estivessem em um relacionamento convencional.
A única prova comportamental irrefutável de que você tem uma menina em casa é dar de cara com um ovo na gaiola, mesmo que ele seja infértil por falta de um pai na história. Se o seu exemplar vive sozinho e de repente aparece com um ovo, o mistério do nome está finalmente resolvido.
Quando o comportamento exige atenção veterinária
Enquanto você continua na dúvida sobre a identidade de gênero do seu novo companheiro de penas, vale a pena manter os olhos bem abertos para a saúde geral dele. As aves possuem um instinto de sobrevivência ancestral que as obriga a disfarçar qualquer fraqueza, parecendo sempre saudáveis para não atrair predadores na natureza.
Se você notar o pet muito quieto, com as penas bufadas no fundo da gaiola, respirando com dificuldade ou recusando a comida favorita, pare tudo o que estiver fazendo e esqueça a sexagem por um instante. Perder tempo tentando adivinhar se é macho ou fêmea pode ser fatal quando o bicho enfrenta problemas graves, como uma infecção respiratória rápida ou o perigoso ovo travado na barriga, que exige socorro médico imediato.
Na dúvida sobre qualquer sinal esquisito ou para garantir que a retirada das peninhas para o teste genético seja feita sem machucar, consulte um profissional especializado em medicina de aves. Um olhar treinado protege o animal contra o manuseio incorreto e assegura que ele cresça forte e ativo, não importa se vai se chamar Chico ou Chiquinha.







