Como cuidar do Shih-tzu em dias muito quentes

Você chega em casa num fim de tarde abafado, abre a porta e seu Shih-tzu vem correndo fazer aquela festa de sempre. Em poucos segundos, o rabinho balançando dá lugar a uma respiração acelerada, meio ruidosa, com a língua para fora e um som esquisito que parece um engasgo. Bate um aperto no coração, né.
Afinal, como cuidar do Shih-tzu em dias muito quentes?
Você precisa aliviar o estresse térmico do animal controlando a temperatura da casa, cortando os passeios nos horários de sol forte, mantendo água fresca sempre à disposição e trocando imediatamente a coleira de pescoço por uma guia peitoral.
Por que o Shih-tzu sofre tanto com o calor?
Muita gente acha que o problema é só o excesso de pelo, mas a questão vai bem mais fundo. O Shih-tzu é um cão braquicefálico. Isso quer dizer que ele tem o crânio encurtado e as vias aéreas superiores espremidas. Pense na respiração dele num dia abafado como se fosse a tentativa de fazer uma caminhada rápida respirando por um canudo fino. Fica difícil, cansa e esquenta muito rápido.
Enquanto a gente sua pela pele inteira para baixar a temperatura, os cães fazem isso principalmente trocando ar pela boca e pelo focinho. Com o focinho achatado, essa engenharia de arrefecimento natural perde muita eficiência.
O que acontece quando o calor aperta?
Quando a temperatura sobe, o Shih-tzu acelera a respiração para tentar se refrescar. Só que essa pressa toda cria uma pressão interna no peito que mexe diretamente com a traqueia. E aqui entra outro ponto delicado da raça, que é a predisposição ao colapso de traqueia.
O tubo que leva o ar até o pulmão perde rigidez com o tempo, e o esforço exagerado para respirar no calor faz esse canal se fechar parcialmente. É por isso que muitos cães começam a soltar aquela tosse seca que parece um grasnado de ganso.
Como a guia peitoral muda tudo?
Aqui vai um erro clássico que muita gente comete. Continuar usando aquela coleira de pescoço comum nos dias quentes é pedir para complicar a respiração do animal. Cada puxão no passeio aperta a garganta e comprime a traqueia, acionando crises de tosse e falta de ar.
Troque por uma guia peitoral, de preferência no formato em H. Ela abraça o corpo do cachorro pelo tórax, distribuindo a força e tirando qualquer pressão da região do pescoço. É como a diferença entre puxar uma mangueira de jardim esmagada no meio ou deixar a água correr livremente.
Como adaptar os passeios e a rotina da casa?
Esqueça aquela caminhada das quatro da tarde quando o sol ainda castiga o asfalto. Se você encostar a palma da mão no chão e achar quente demais para aguentar por alguns segundos, estará quente demais para as patinhas do seu cão. Deixe os corres e as voltas para o comecinho da manhã ou para a noite, quando o vento já resolveu dar as caras.
Dentro de casa, garanta que o animal tenha um cantinho arejado, na sombra e com circulação de ar de verdade. Água fresca precisa estar sempre à disposição. Espalhar mais de um pote pelos cômodos ajuda bastante, e até uma fonte elétrica pode ser uma boa pedida, já que muitos bichos sentem mais vontade de beber quando o líquido está em movimento.
Sabe aquela euforia típica quando você chega do trabalho? Num dia abafado, pular e correr pela sala pode ser o gatilho perfeito para fechar a via aérea do peludo. Em vez de entrar na pilha e incentivar a bagunça logo de cara, ajude o cão a se acalmar num ambiente fresco, espere ele respirar direito e só depois faça o carinho.
Cuidado com o que vai no prato
Na hora de refrescar o pet, a tentação de dar um pedaço do picolé ou comida da tigela é grande. Só que alimentos condimentados, gordurosos ou itens proibidos como chocolate, cebola e alho entram direto na lista de venenos caseiros. Eles causam intoxicações graves que aumentam ainda mais a temperatura e o estresse do organismo, algo que o sistema respiratório dele definitivamente não precisa agora.
Quando procurar ajuda veterinária urgente?
Se você notar que o Shih-tzu respira de boca aberta com um barulho fora do normal, se a língua ou a gengiva começarem a puxar para o roxo ou se ele desabar de fraqueza, esqueça os truques caseiros e corra. Esses sintomas gritam falta de oxigênio e pedem socorro profissional imediato. O manejo diário evita sustos, mas o limite entre o calor comum e a emergência médica exige atenção rápida.





