Como cuidar do Pit bull em dias muito quentes

Você olha para a sala, vê seu Pit bull estirado de barriga para cima colado no piso frio da cerâmica e pensa que o calor realmente não está fácil para ninguém. A diferença é que, enquanto você pode tirar a blusa ou ligar o ar-condicionado, ele depende inteiramente de você para não passar mal.
Cuidar de um Pit bull em dias muito quentes exige mudar a rotina dos passeios para os horários frescos, garantir água fresca e sombra o tempo todo, checar se o chão não vai queimar as patas e, muito importante, usar o modelo certo de focinheira para que ele consiga respirar direito.
Afinal, por que o calor castiga tanto essa raça específica? Existe a ideia um tanto otimizada de que cães fortes tiram de letra qualquer tipo de clima. Só que a biologia não funciona à base de bravura. Os cachorros não transpiram pela pele como nós. Para mandar o calor embora, eles precisam basicamente da arfagem, aquela respiração ofegante com a boca aberta, e do contato com superfícies mais frias.
A armadilha do exercício e a musculatura densa
O Pit bull tem uma massa muscular invejável, muita energia acumulada e disposição para gastar. O problema é justamente esse. Em dias abafados, um cachorro atlético que corre atrás de uma bolinha acumula calor interno muito rápido. Se você insistir em brincadeiras longas debaixo de um sol forte, o corpo dele simplesmente não dá conta de resfriar sozinho. É aí que o estresse térmico bate à porta, abrindo espaço para quadros perigosos de hipertermia, que é quando a temperatura corporal dispara e a saúde entra em colapso.
Imagine tentar correr uma maratona no asfalto quente usando um casaco pesado e respirando fundo. Cansa só de pensar, não é? O cão sente exatamente isso quando o tutor ignora o termômetro.
O detalhe crucial da focinheira no calor
Quem tem um Pit bull sabe que a legislação de muitas cidades exige o uso de focinheira e guia curta em locais públicos. Essa é uma regra que deve ser seguida à risca pela segurança coletiva. Mas o verão traz um desafio técnico que pega muita gente de surpresa: o modelo da focinheira.
Se você usa aquelas versões de tecido ou náilon que amarram o focinho e mantêm a boca do cachorro totalmente fechada, pare agora mesmo. Em dias quentes, lacrar a boca de um cão é um convite ao sufocamento. Como ele vai arfar e trocar o calor do corpo se não consegue abrir a mandíbula?
A escolha certa para essa época do ano é a focinheira do tipo cesto, feita de plástico rígido, borracha ou metal. Ela cumpre a exigência legal e protege quem passa por perto, mas deixa espaço suficiente para o animal abrir a boca totalmente, respirar com facilidade, colocar a língua para fora e até beber água durante o trajeto.
Como adaptar os passeios sem estressar o cão
A regra de ouro do verão não tem segredo algum: mude os horários. Tire da cabeça aquela caminhada das dez da manhã ou das três da tarde. O asfalto funciona como uma verdadeira chapa de fogão, acumulando o calor do sol e atingindo marcas capazes de queimar as almofadinhas das patas do seu cachorro em poucos minutos.
Antes de sair de casa com a guia, teste o chão com as costas da mão por cinco segundos. Se o piso estiver desconfortável para a sua pele, esqueça, pois o solo ainda está quente demais para as patas dele. Jogue as caminhadas para o comecinho da manhã, logo cedo antes do sol castigar, ou para o final da noite, quando o asfalto finalmente dá uma trégua.
Na hora de caminhar, vale a pena aposentar o colar tradicional e usar um bom peitoral em formato de H. Com o cachorro ofegante e tentando se refrescar, qualquer puxão na coleira de pescoço aperta a traqueia e atrapalha o fôlego que ele tanto precisa. Deixe o peitoral guiar o ritmo com muito mais conforto.
Hidratação vai muito além de encher o pote
Colocar água no pote parece o básico do básico, mas no calor aquela água esquenta depressa e vira um líquido morno que o cão simplesmente evita. A saída é espalhar mais potes pela casa e renovar o líquido várias vezes ao dia, colocando algumas pedras de gelo para manter a temperatura agradável e convidativa.
Se o quintal recebe sol direto o dia inteiro, garanta que o animal encontre um refúgio totalmente na sombra e com boa ventilação. Deixar um cão preso em um corredor abafado ou em uma laje sem cobertura durante a tarde é pedir para o pior acontecer.
De olho também na pele, já que cães de pelo curto costumam penar com alergias e irritações causadas pelo calor úmido. Mantenha as dobrinhas limpas e secas, reparando se ele cismou de lamber as patas sem parar.
Quando o calor vira uma emergência médica
Ainda com todo o cuidado do mundo, é bom conhecer a linha de chegada. Se o seu Pit bull começar a arfar de um jeito desesperado e sem fim, babar muito com uma saliva grossa, mostrar a gengiva arroxeada ou fraquejar nas patas a ponto de cambalear, pare tudo na mesma hora.
Esses são indícios claros de que o corpo superaqueceu de vez. Mova o bicho para um lugar fresco, ofereça golinhos de água se ele aceitar, umedeça as patas com água fresca e corra para o veterinário. O calor não perdoa vacilos, e a rapidez no atendimento é o que garante que ele volte a ficar bem.






