Como cuidar do pelo e da higiene do Pequinês

Quem olha para um Pequinês bem cuidado percebe imediatamente o impacto daquela pelagem longa, abundante e majestosa. A cena típica envolve alguém sentado no tapete da sala com uma escova em uma mão e um cão que parece ignorar completamente o esforço estético exigido por sua herança real. Cuidar do pelo e da higiene do Pequinês exige uma rotina constante de escovação para evitar nós, banhos planejados com secagem profunda para proteger a pele e atenção rigorosa às dobras faciais e aos olhos proeminentes. Não se trata de manter um visual de exposição o tempo todo, mas de garantir conforto, mobilidade e saúde para um cão cuja estrutura física pede cuidados bem específicos no dia a dia.
A rotina real de escovação do pelo duplo
O manto do Pequinês é composto por duas camadas distintas que exigem atenção redobrada. Existe uma pelagem externa longa, lisa e reta, acompanhada de um subpelo denso, macio e curto que funciona como um isolante térmico natural. Muita gente acha que basta passar a escova rapidamente por cima quando o cão volta do passeio pela calçada. Na prática, essa abordagem superficial deixa os nós intocados bem perto da pele, onde eles acumulam umidade, poeira e criam feltros difíceis de remover depois sem causar desconforto.
A escovação precisa atingir a base do pelo para ser eficiente. Usar uma rasqueadeira de cerdas macias combinada com um pente metálico ajuda a desfazer pequenos emaranhados antes que virem problemas maiores. Esse processo costuma ser feito por partes, levantando a pelagem externa para trabalhar o subpelo com calma e suavidade. Dividir o tempo em sessões curtas ao longo da semana funciona melhor do que tentar resolver tudo de uma vez no fim de semana, evitando estresse tanto para quem cuida quanto para o cão.
Durante as mudas sazonais, a quantidade de pelo solto aumenta consideravelmente. O subpelo antigo precisa ser removido com mais frequência para evitar que fique preso sob a pelagem longa e cause abafamento na pele. A adaptação a esse manejo varia bastante de um cão para outro. Alguns aceitam o momento da escova como uma oportunidade de descanso, enquanto outros demonstram impaciência e exigem petiscos para colaborar. Respeitar o ritmo individual e transformar o momento em algo previsível ajuda bastante na aceitação gradual dessa rotina importante.
Banhos, secagem e os cuidados com as dobras faciais
O banho em um Pequinês envolve etapas que vão muito além de ensaboar e enxaguar. Como a pelagem é densa e o subpelo retém muita umidade, o processo de secagem é a parte mais crítica de todo o ritual de higiene. Deixar o pelo secar naturalmente ao ar livre não é recomendado, pois a umidade retida na pele pode favorecer o surgimento de dermatites, coceiras e odores desagradáveis. O uso de um secador em temperatura morna, mantido a uma distância segura, acompanhado de escovação simultânea, garante que cada camada fique completamente seca da raiz às pontas.
A frequência dos banhos pode variar conforme o estilo de vida do animal, o clima da região e o nível de atividade diária na rua. Banhos excessivos retiram a proteção natural da pele, enquanto intervalos muito longos acumulam poeira e oleosidade na pelagem longa. Encontrar esse ponto de equilíbrio faz parte da observação atenta do tutor em relação à rotina do cão.
As dobras faciais características da raça merecem inspeção frequente. A região ao redor do focinho acumula umidade, lágrimas e resíduos de alimentos com facilidade. Limpar essas dobras com gaze umedecida em produtos específicos ou água limpa ajuda a prevenir irritações na pele sensível da face. Secar bem o local após a limpeza é tão importante quanto a própria remoção da sujeira, impedindo a proliferação de microrganismos que gostam de ambientes úmidos e quentes.
Higiene dos olhos, orelhas e patas no dia a dia
Os olhos grandes e ligeiramente proeminentes do Pequinês exigem cuidados diários de observação e limpeza. É comum observar a formação de pequenas secreções normais que precisam ser removidas com cuidado para evitar o acúmulo de crostas ao redor da pálpebra. O uso de soro fisiológico e gaze macia resolve a limpeza superficial da área ocular de forma segura. Caso o volume de secreção mude de forma repentina ou o cão comece a apresentar vermelhidão e desconforto persistente, a avaliação do veterinário torna-se necessária, pois alterações oculares exigem diagnóstico correto antes de qualquer conduta ou uso de colírios.
As orelhas peludas também demandam atenção constante. O canal auditivo interno tem pouca ventilação natural devido ao formato da cabeça e à pelagem ao redor, o que pode favorecer o acúmulo de cera e umidade. A limpeza deve ser feita apenas na parte externa visível com produtos adequados para cães, evitando cotonetes introduzidos profundamente no conduto auditivo para prevenir lesões acidentais graves. Se houver coceira frequente na região ou odor forte, a orientação profissional deve ser buscada para investigar possíveis infecções de ouvido.
As patas acumulam detritos durante os passeios, desde pequenas folhas até terra e umidade entre os coxins. Aparar o excesso de pelo que cresce entre as almofadinhas plantares ajuda a evitar que o cão escorregue em pisos lisos dentro de casa e facilita a remoção de sujeira após a rua. O corte das unhas precisa ser feito com regularidade para manter uma passada confortável, tomando cuidado para não atingir a parte vascularizada que causa sangramento.
Quando o manejo exige olhar profissional
Cuidar da estética e da higiene do Pequinês em casa traz vantagens evidentes para o vínculo entre tutor e cão, mas há momentos em que o apoio de um profissional de banho e tosa especializado em pelagens longas faz diferença prática. Tosas higiênicas pontuais ou cortes de manutenção ajudam a controlar o volume do pelo em épocas de calor intenso ou facilitam a limpeza cotidiana após os passeios. A decisão sobre o tipo de corte depende das preferências estéticas e da rotina de cada tutor, lembrando que a pelagem atua também na proteção contra variações térmicas do ambiente.
Mudanças comportamentais associadas ao momento da higiene devem ser observadas com atenção constante. Se o cão demonstra rejeição intensa ou dor súbita ao ser manipulado em determinada região, isso pode indicar desde um pequeno nó puxando a pele até uma condição de saúde subjacente que merece investigação clínica cuidadosa. Nenhuma técnica caseira substitui a avaliação veterinária quando há desconforto persistente ou sinais clínicos evidentes no comportamento do animal.
Manter a pelagem bonita e a higiene em dia é um exercício contínuo de paciência, observação e carinho. Com constância e respeito aos limites do animal, o cuidado diário transforma-se em um hábito tranquilo para ambos, garantindo o bem-estar duradouro do Pequinês.






