Como cuidar do pelo e da higiene do Borzoi

Alguém observa pela janela da sala um cão de silhueta aristocrática atravessando o quintal com passos longos e pelagem fluida, enquanto pensa se manter aquela elegância exige um exército de profissionais ou horas diárias de trabalho exaustivo. Cuidar do pelo e da higiene do Borzoi resume-se a entender a natureza da pelagem longa, sedosa e ligeiramente ondulada da raça, mantendo uma rotina constante de escovação para evitar nós, dar banhos espaçados com produtos adequados e prestar atenção a detalhes como orelhas e patas que acumulam sujeira com facilidade. A boa notícia é que o manto dessa raça não exige tosa profissional nem maquinário pesado, mas pede consistência e paciência para que o animal fique confortável e limpo.
A anatomia da pelagem e o mito da manutenção impossível
Existe a ideia persistente de que cães de pelo longo e fino transformam a casa em um campo de batalha de fios soltos e nós impenetráveis. Quando se olha para um Borzoi adulto, com aquela juba elegante e a cauda em forma de pluma, a primeira reação costuma ser o pânico diante da quantidade de trabalho. Acontece que a pelagem dessa raça possui características próprias que facilitam a manutenção para quem cria o hábito certo. Os fios são sedosos e tendem a ficar planos contra o corpo, o que evita que a sujeira grude de forma permanente com tanta facilidade quanto em raças de subpelo denso e lanoso.
A troca de pelos ocorre de forma perceptível, mudando de intensidade conforme as estações do ano e o clima local. Durante esses períodos, os fios caem pela casa de maneira generosa, exigindo que a frequência de limpeza aumente, mas isso não significa que o animal precise de tratamentos complexos. O segredo está em compreender que o pelo protege a pele contra o sol e o vento, funcionando como um termorregulador natural. Raspar ou tosar o animal por conveniência costuma prejudicar essa proteção térmica e alterar a textura natural dos fios, além de expor a pele sensível a irritações e queimaduras solares.
A rotina prática de escovação e o manejo dos nós
Manter o pelo livre de nós exige uma frequência que varia conforme o estilo de vida do cão e a quantidade de tempo que ele passa correndo ao ar livre. Passar uma escova de pinos sem bolinhas nas pontas e um pente de metal algumas vezes por semana costuma ser suficiente para a maioria dos exemplares. O erro comum consiste em passar a escova apenas na superfície, raspando levemente o topo do pelo, enquanto os nós se formam silenciosamente na raiz, especialmente nas regiões de atrito como atrás das orelhas, na gola e na parte interna das coxas.
Quando um nó aparece, a tentação de puxá-lo com força ou cortá-lo imediatamente com uma tesoura costuma gerar mais problemas do que soluções. O ideal é segurar a base do pelo próximo à pele com uma mão para evitar puxões dolorosos e desfazer o nó delicadamente com os dedos ou com a ponta de um pente metálico. Se a resistência for grande, existem fluidos desembaraçadores próprios para cães que ajudam a lubrificar os fios, facilitando o trabalho sem estressar o animal. A adaptação a esse processo deve ser feita desde cedo e de forma gradual, associando o momento da escovação a petiscos e elogios para que o cão entenda a rotina como um momento tranquilo.
Banhos, secagem e os cuidados com a pele
Dar banho em um cão de grande porte e silhueta esguia apresenta desafios logísticos peculiares, principalmente quando ele decide se recusar a entrar na banheira. A frequência dos banhos costuma ser mensal ou bimestral, dependendo de quanto o animal se sujeia nos passeios, já que banhos excessivos removem a oleosidade natural que protege a pele e mantém o pelo brilhante. O uso de xampus específicos para pelagens longas e sedosas ajuda a preservar a textura, e o enxágue precisa ser feito com total rigor para não deixar resíduos capazes de causar coceira ou descamação.
Após o banho, a secagem é uma etapa que não pode ser negligenciada. Deixar o pelo secar naturalmente pode parecer prático, mas na prática favorece a proliferação de fungos e a formação de nós severos, além de deixar o cão desconfortável com a umidade retida junto à pele. O uso de um secador em temperatura morna, nunca quente, combinado com movimentos suaves da escova, garante que o pelo fique liso e completamente seco até a raiz. Caso o animal estranhe o barulho do equipamento, vale a pena acostumá-lo ao som e ao vento de forma lenta, ligando o aparelho desligado primeiro, oferecendo recompensas e avançando apenas quando ele demonstrar tranquilidade.
Higiene de orelhas, patas e detalhes que fazem diferença
A beleza do Borzoi chama a atenção, mas a manutenção da saúde envolve áreas que ficam escondidas sob os pelos ou que entram em contato direto com o chão. As orelhas caídas e com franjas longas bloqueiam a circulação de ar, criando um ambiente propício para o acúmulo de umidade e sujeira. Inspecionar o canal auditivo semanalmente e limpá-lo com produtos recomendados pelo veterinário previne infecções incômodas. Nunca utilize hastes flexíveis de algodão profundamente no ouvido do animal, pois o risco de empurrar a cera para o fundo é real e pode causar lesões graves.
As patas merecem atenção especial devido aos tufos de pelo entre os coxins, que são as almofadinhas das patas. Esses pelos acumulam lama, sementes e pequenas pedras durante os passeios, podendo causar irritação ou dor ao caminhar. Aparar o excesso de pelo entre os dedos com cuidado ajuda a manter a região limpa e seca. As unhas também precisam de corte periódico; se começarem a fazer barulho no piso ao caminhar, o sinal de que passaram do tamanho ideal já foi dado. Caso falte segurança para realizar o corte em casa, o apoio de um profissional evita acidentes e mantém as patas saudáveis.
A convivência diária e a observação da saúde
Cuidar da estética e da higiene vai muito além de manter a aparência impecável para visitas. O momento da escovação e do banho funciona como uma oportunidade fantástica para examinar o corpo do cão de ponta a ponta, percebendo alterações na pele, caroços, parasitas ou áreas de sensibilidade antes que se transformem em problemas sérios. Cada fase da vida do animal traz demandas diferentes, exigindo flexibilidade na forma como os tutores lidam com a rotina de cuidados, respeitando o ritmo e o temperamento individual de cada cão.
Se o animal apresentar queda excessiva de pelo acompanhada de falhas na pele, coceira persistente ou odor forte mesmo após o banho, a orientação de um veterinário deve ser buscada para identificar causas clínicas e definir o tratamento adequado. A prevenção e o cuidado constante evitam transtornos maiores e garantem que o Borzoi viva com conforto, dignidade e aquela elegância natural que acompanha cada passo da raça.







