Como cuidar do LaPerm em dias muito quentes

O termômetro passa fácil dos trinta graus, você entra na cozinha procurando um copo de água gelada e encontra o gato estirado no piso frio perto da geladeira, parecendo um pequeno tapete cacheado sem energia. Cuidar de um LaPerm em dias muito quentes exige três atitudes diretas: facilitar o acesso à água fresca em vários pontos, manter o ambiente ventilado e gerenciar a pelagem ondulada sem cometer o erro clássico de tosar os fios até a pele.
Essa raça chama atenção logo de cara pelos cachos e ondas que cobrem o corpo todo, desde as orelhas até a cauda. Esse casaco volumoso e texturizado faz muita gente presumir que o animal está cozinhando vivo sob uma camada impenetrável de lã. A tentação imediata de alguns tutores é passar a máquina de tosa para dar alívio ao bichano. Não faça isso. A pelagem felina funciona como uma camada de isolamento térmico, protegendo a pele do calor direto e da radiação solar. Quando você tosa um LaPerm rente ao corpo, retira essa proteção natural, deixa a pele exposta a queimaduras e ainda bagunça a textura original dos cachos.
Para ajudar o felino a atravessar uma onda de calor com tranquilidade, o foco precisa estar no ambiente, na rotina de escovação e no incentivo constante ao consumo de líquidos.
O casaco encaracolado e a rotina de escovação
A pelagem do LaPerm pode variar bastante. Alguns indivíduos têm pelos curtos ondulados, enquanto outros exibem mechas longas, espirais cheias e uma gola vistosa. Independentemente do comprimento, os fios mortos tendem a ficar presos entre as ondas em vez de caírem no chão sozinhos. Quando o ar fica quente e seco, esse emaranhado de pelos soltos acumula calor junto ao corpo e atrapalha a circulação de ar na pele.
A melhor intervenção estética nos dias quentes é a escovação suave com um pente de dentes largos ou uma rasqueadeira macia. O objetivo aqui não é desmanchar os cachos com força, mas retirar o subpelo morto que sufoca a derme. Faça isso com calma, em sessões curtas, para que o animal não encare o momento como um estresse desnecessário sob o mormaço.
Se você notar que o gato parece incomodado com a escovação por causa do calor, escolha os horários mais frescos do dia, no início da manhã ou tarde da noite. A adaptação a novos pentes ou escovas deve ser gradual, recompensando a calma do felino com pequenos agrados.
Dar banho para refrescar é outra ideia tentadora que costuma dar errado. A maioria dos gatos detesta água corrente e o processo todo gera agitação, o que eleva a temperatura corporal do animal no momento em que você queria o oposto. Em vez de enfiar o bichano no chuveiro, passe uma toalha levemente umedecida em água fresca sobre as costas, o peito e a barriga dele. Esse gesto simples imita a evaporação natural da saliva quando o gato se lambe, oferecendo alívio térmico imediato sem brigas ou traumas.
Hidratação ativa e truques com a água
Gatos domésticos têm uma herança biológica que os faz sentir pouca sede espontânea, já que seus ancestrais obtinham boa parte dos líquidos das presas que caçavam. Em dias tórridos, essa característica vira um obstáculo real. Esperar que o seu LaPerm vá até a tigela velha de plástico e beba água morna é pedir demais.
A primeira medida é trocar o recipiente comum por fontes de água corrente ou espalhar várias tigelas de cerâmica, vidro ou aço inoxidável pela casa. A água parada em potes plásticos pega cheiro rápido e esquenta em poucas horas, afastando o animal. Troque o conteúdo duas ou três vezes ao dia e coloque algumas pedras de gelo nos potes. Muitos felinos dessa raça são naturalmente curiosos e adoram brincar com o gelo flutuando antes de beber a água geladinha.
O alimento úmido é outro aliado essencial nessa época. Sachês e patês contêm alta concentração de água e ajudam a manter o organismo hidratado sem esforço. Você pode misturar uma colher de sopa de água morna ou fria na comida úmida para criar um caldinho mais ralo. Outra opção divertida para os dias mais pesados é congelar um pouco do caldo do sachê em forminhas de gelo e oferecer como petisco refrescante ao longo da tarde.
Lembre-se de posicionar as vasilhas de água longe da caixa de areia e da comida seca. Gatos costumam rejeitar água que fica colada ao local onde fazem suas necessidades ou onde comem. Deixar um pote em cada cômodo onde o gato costuma descansar aumenta bastante as chances de ele dar algumas lambidas ao longo do dia.
Adequando a casa para o conforto térmico
Gatos são especialistas em mapear as áreas mais frescas da casa conforme a luz do sol se move. Você não precisa transformar sua sala em uma câmara fria, mas precisa garantir que o animal tenha opções reais de fuga do mormaço.
Feche as cortinas ou persianas nos horários em que o sol bate direto nas janelas, mantendo a circulação de ar aberta se houver redes de proteção adequadas. Se você usa ventilador, evite direcionar o vento forte diretamente para o gato, pois o fluxo contínuo nos olhos e ouvidos pode causar irritações. Aponte o ventilador para o teto ou para uma parede para fazer o ar do ambiente circular.
Tapetes de gel refrescantes, vendidos em lojas para pets, funcionam muito bem para alguns indivíduos, embora outros simplesmente prefiram ignorar o acessório. Se o seu LaPerm não demonstrar interesse pelo tapete comprado, você pode envolver uma garrafa plástica com água congelada em uma toalha seca e colocar no chão onde ele costuma dormir. Essa barreira de pano impede o contato direto do gelo com a pele e cria uma área fresca agradável.
Pisos frios como cerâmica, porcelanato e granito são os refúgios preferidos dos felinos no verão. Facilite o acesso do gato a banheiros e lavanderias durante a tarde, desde que os produtos de limpeza estejam bem guardados e a tampa do vaso sanitário permaneça abaixada.
Reconhecendo sinais de perigo e respeitando os limites
Durante as horas mais quentes do dia, é comum que qualquer gato fique mais quieto, deitado de lado com as patas esticadas para maximizar a troca de calor com o chão. Essa letargia leve é uma resposta biológica compreensível para poupar energia. O animal evita correr, pula menos e passa mais tempo dormindo.
Existe, porém, uma linha divisória clara entre o descanso esperado e o superaquecimento perigoso. Se você perceber que o LaPerm está respirando de boca aberta, arquejando como um cão, salivando em excesso ou com a língua muito avermelhada, isso não é comportamento normal da raça nem preguiça de verão. Felinos não respiram de boca aberta a menos que estejam em sofrimento respiratório severo ou estresse térmico grave.
Gengivas muito pálidas ou arroxeadas, fraqueza repentina nas patas traseiras, vômitos e desorientação também exigem ação imediata. Nesses momentos, tente resfriar o corpo do animal com panos úmidos e procure atendimento veterinário com urgência. Não coloque o felino em água gelada de repente, pois o choque térmico brusco pode agravar o quadro clínico.
Gatos filhotes, animais mais velhos ou indivíduos com histórico prévio de doenças respiratórias ou cardíacas sentem as variações de temperatura com muito mais intensidade. Cada organismo reage de um jeito e não existem garantias universais baseadas apenas no temperamento afetuoso e dócil da raça. Observe a rotina diária do seu companheiro e não hesite em pedir orientação ao veterinário sempre que notar uma mudança brusca ou persistente no comportamento dele.
Ajustando a escovação para remover pelos mortos, garantindo fontes constantes de água fresca e permitindo que o gato encontre cantos sombreados pela casa, o seu LaPerm vai atravessar até os dias mais abafados com muito conforto e vitalidade.








