Como cuidar do Lagotto Romagnolo em dias muito quentes

O termostato da sala marca trinta e quatro graus e o cachorro decide que a única superfície aceitável no universo é o piso frio do banheiro, bem esticado entre a porta e o box. Quem convive com um Lagotto Romagnolo sabe que aquela pelagem cheia de cachos fechados, excelente para caçar trufas em bosques úmidos e frios da Itália, vira um casaco pesado quando o verão aperta de verdade. A resposta imediata para cuidar dele nos dias muito quentes envolve ajustar a rotina de exercícios para os horários de temperatura mais amena, manter água fresca sempre disponível e adaptar a tosa sem remover totalmente a proteção natural da pele.
Acontece que cuidar de um cão com essas características exige entender como o corpo dele lida com a alta temperatura. Diferente de nós, os cães não suam pela pele inteira, dependendo principalmente da respiração ofegante e da troca de calor pelas patas para dissipar a energia térmica acumulada. Quando o ar externo está muito quente e abafado, esse mecanismo natural perde eficiência. Como o Lagotto possui uma pelagem densa e lanosa que cresce continuamente, o calor retido pode transformar o passeio vespertino em uma experiência desconfortável ou até perigosa se o tutor não tomar alguns cuidados fundamentais.
O mito da tosa zero e a real função da pelagem
Existe uma tendência comum de achar que a solução para o calor extremo é tosar o animal até a pele, deixando o cão completamente pelado. No entanto, a pelagem do Lagotto Romagnolo funciona como um sistema isolante que protege tanto do frio quanto do sol direto. Quando você remove todo o pelo, a pele fica exposta diretamente aos raios ultravioleta, o que aumenta o risco de queimaduras solares e irritações cutâneas graves, especialmente em cães de pelagem clara ou com áreas de pele rosada.
A melhor alternativa costuma ser manter a pelagem com um comprimento moderado e uniforme, tosando os excessos para evitar nós e feltros. Os nós fechados funcionam como uma armadilha térmica, bloqueando a circulação de ar junto à pele e retendo o calor do corpo. Escovar o animal regularmente remove os fios mortos e ajuda a manter a estrutura dos cachos arejada. Cada cão reage de uma forma específica, então observar a tolerância individual do seu animal ajuda a decidir se o comprimento atual está adequado ou se vale a pena aparar um pouco mais os pelos da região da barriga e das patas.
Ajustando a rotina de passeios e os horários de atividade
Os cães desta raça costumam ter uma energia notável e uma disposição genuína para o trabalho e a exploração. Eles querem acompanhar cada movimento da casa e não recusam um convite para caminhar, mesmo quando o asfalto está fervendo. Cabe ao tutor impor o limite com base na sensibilidade térmica do momento. O asfalto absorve o calor solar e atinge temperaturas capazes de queimar as almofadinhas das patas em poucos minutos, causando feridas dolorosas que exigem tratamento médico prolongado.
A solução mais segura é concentrar os passeios e as brincadeiras intensas nos extremos do dia, logo nas primeiras horas da manhã ou após o sol se pôr totalmente. Durante as horas de pico de calor, o ideal é manter o cão em ambientes internos frescos, com boa circulação de ar ou ar condicionado funcionando. Brincadeiras mentais dentro de casa, como buscar petiscos escondidos ou resolver enigmas caninos, ajudam a gastar a energia cognitiva sem expor o animal ao risco de exaustão térmica ou insolação.
Cuidados adicionais com a ventilação e o descanso interno
Mesmo dentro de casa, os dias de calor intenso exigem atenção redobrada aos locais onde o cão escolhe descansar. Embora muitos animais busquem o piso frio por instinto, evitar correntes de ar excessivamente frias de ventiladores ligados diretamente sobre o cão por muitas horas evita problemas musculares ou respiratórios. O ideal é manter os ambientes arejados de forma natural ou usar ventiladores de teto que movimentem o ar do cômodo sem criar um jato direto e constante sobre o corpo do animal.
Outro ponto que merece cuidado é o acesso a áreas externas ensolaradas, como varandas e quintais descobertos durante a tarde. Se o cão tiver acesso livre a essas áreas, ele pode acabar ficando exposto ao sol forte por insistência própria ou para vigiar o perímetro da casa. Garantir que sempre haja sombra fresca e abundante, além de barreiras físicas temporárias nos horários críticos, protege o animal contra o aumento súbito da temperatura corporal.
Hidratação eficiente e o papel da água na rotina diária
Manter a tigela de água limpa e fresca acessível em todos os cômodos parece óbvio, mas nos dias mais quentes a exigência de hidratação aumenta consideravelmente. Alguns cães demonstram mais interesse pela água quando ela está fresca ou quando há cubos de gelo flutuando, enquanto outros preferem fontes de água corrente que estimulam o consumo regular ao longo do dia. Vale a pena observar o comportamento hídrico do animal para garantir que ele esteja bebendo o suficiente.
Alimentos úmidos ou a adição de água fresca transformada em caldo natural sem tempero na ração também podem ser alternativas úteis para aumentar a ingestão de líquidos de forma sutil, sempre com orientação veterinária para evitar desequilíbrios nutricionais. O importante é observar se o volume consumido acompanha o aumento da temperatura ambiente, pois a desidratação em dias quentes pode se instalar de maneira silenciosa e rápida.
Sinais de alerta e quando procurar orientação profissional
Se o cão apresentar respiração ofegante excessiva que não diminui mesmo após minutos de descanso na sombra, salivação espessa, fraqueza evidente, gengivas muito vermelhas ou falta de coordenação motora, a situação exige atenção imediata. Essas podem ser manifestações de superaquecimento corporal severo, uma condição grave que requer avaliação veterinária urgente. Mudanças bruscas de comportamento ou apatia persistente nunca devem ser ignoradas ou tratadas apenas como preguiça causada pelo clima.
O acompanhamento profissional garante que qualquer desconforto térmico seja avaliado corretamente, identificando se há outras condições de saúde associadas. Cada animal possui uma capacidade única de adaptação às mudanças climáticas, e contar com o suporte de um veterinário assegura que os cuidados aplicados respeitem as necessidades reais do seu Lagotto Romagnolo, garantindo segurança e tranquilidade durante as estações mais quentes do ano.






