Caturrita fala, canta ou imita sons?

Você está na cozinha, com a xícara de café na mão, e de repente escuta o som exato do seu telefone tocando. Você olha para o aparelho, ele está silencioso na mesa. Olha para o lado e vê a sua caturrita balançando a cabeça na gaiola, satisfeita com a própria imitação.
Afinal, a caturrita fala, canta ou imita sons?
É essa pequena ave possui a capacidade biológica de fazer as três coisas. Ela emite chamados sociais da própria espécie, canta e realiza o mimetismo vocal, que é a habilidade de copiar ruídos do ambiente e fonemas humanos. No entanto, ela não fala no sentido de entender o significado gramatical das palavras. Ela apenas reproduz sons porque tem um cérebro preparado para isso e uma forte necessidade de interagir com o bando, que no caso da sua casa é você e sua família.
Como o corpo da ave produz esses sons
Para entender de onde sai tanta variedade barulhenta, vale olhar um pouco para a biologia da espécie. Como todo bom psitacídeo, que é o grupo dos papagaios e periquitos, a caturrita é o que chamamos de aprendiz vocal.
O encéfalo dessas aves possui centros dedicados ao processamento de sons. Além disso, o aparelho fonador conta com a siringe, uma estrutura na base da traqueia equipada com músculos e uma válvula que controla a passagem do ar com muita precisão.
Quando a caturrita imita o micro-ondas, o miado do gato ou o seu bom dia, ela está usando essa engenharia anatômica para se misturar ao cotidiano. Para ela, repetir os barulhos da casa funciona como uma extensão natural da comunicação de grupo.
O canto natural e os horários de pico
Sendo uma ave bastante ativa, ela tem horários bem específicos para soltar a voz ao longo do dia. As vocalizações inatas, como pios estridentes e chamados de contato, costumam aparecer com força total nas primeiras horas da manhã e ao anoitecer.
Na natureza, esse comportamento serve para avisar os outros membros sobre a localização e manter o grupo unido. Se você mora em apartamento, esses concertos matinais exigem paciência e uma boa rotina de sono, garantindo as horas de descanso que a ave precisa no escuro e no silêncio.
Macho ou fêmea: quem leva jeito para o som?
Aquele papo de que só os machos conseguem aprender a imitar barulhos ou falar não passa de lenda urbana. A ciência não apoia essa divisão por gênero.
O segredo do mimetismo mora na personalidade de cada ave, na quantidade de estímulos que ela ganha e na intimidade com quem cuida dela. Tem fêmea por aí que fala pelos cotovelos, enquanto muito macho prefere se limitar aos pios básicos da turma.
O perigo de transformar atenção em reforço ruim
Se a caturrita percebe que um berro agudo faz você largar tudo e correr para a sala para mandar ela fechar o bico, o tiro sai pela culatra. Na cabeça dela, você só atendeu ao chamado do grupo com outro barulho.
A saída mais inteligente para barulhos exagerados é o reforço positivo. Sempre que ela estiver quietinha, falando baixinho ou produzindo sons agradáveis, aproveite para interagir, dar um agrado liberado ou conversar com calma. Quando o escândalo for pura falta do que fazer, o melhor remédio é fingir que não ouviu e recompensar o silêncio, em vez de perder a paciência.
Nem toda caturrita vai falar
Convém alinhar as expectativas antes de mais nada. Existem caturritas perfeitamente saudáveis, espertas e cheias de carinho que simplesmente decidem ignorar a língua humana. A conversa delas não passa de assobios, pios e imitações de eletrodomésticos.
Esse talento para copiar sons varia bastante de um exemplar para outro, e nenhum criador consegue assinar um contrato garantindo que a sua ave vai recitar frases. Vale prestar atenção também na saúde da garganta da sua companheira.
Se você notar uma mudança esquisita no timbre, rouquidão, mutismo repentino ou aquela moleza fora do normal, acenda o sinal amarelo. Parar de cantar ou alterar a voz de repente costuma indicar problemas respiratórios. Diante de qualquer suspeita, o passo mais prudente é agendar uma consulta com um veterinário focado em animais silvestres e exóticos.
Para fechar, a caturrita é um bicho da fauna silvestre. Ter uma em casa exige nota fiscal de criadouro legalizado e anilha fechada na patinha, seguindo à risca as regras ambientais. Cuidar da procedência correta e caprichar em brinquedos e atenção diária é o segredo para conviver bem com esse festival de barulhos.









