Cachorro pode comer pimentão?

Sabe aquela cena clássica na cozinha, enquanto você pica os legumes para a salada do almoço e percebe um par de olhos fixos em cada movimento seu? O cachorro está ali, sentado no tapete, com aquela expressão de quem não come há dias, esperando qualquer pedacinho cair da tábua. Nessas horas, é bem natural que passe pela cabeça se aquele legume colorido que você está cortando pode ir direto para a boca dele.
Cachorros podem comer pimentão, sim. O alimento não é tóxico para os cães, funciona como um petisco de baixo teor calórico e ainda traz algumas vantagens nutricionais interessantes para o dia a dia.
Acontece que dar comida de humano para cachorro exige um cuidado que vai muito além de simplesmente abrir a geladeira e jogar um pedaço no chão. Existe uma distância segura entre um agrado ocasional saudável e uma ida inesperada à clínica veterinária por causa de um pequeno descuido na dieta.
O pimentão faz bem para o cachorro?
Do ponto de vista nutricional, o pimentão doce é um verdadeiro pacote de vitaminas. Ele carrega doses generosas de vitamina A, E, B6 e C, além de compostos antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres no organismo do animal. O beta-caroteno presente no vegetal, por exemplo, é convertido em vitamina A pelo corpo do cão, dando aquela força para a saúde dos olhos, mantendo a pele íntegra e deixando a pelagem com um brilho bonito.
Entre todas as opções que a feira ou o mercado oferecem, o pimentão vermelho costuma ser o campeão da turma. Como ele passa por um processo maior de maturação até ficar com aquela cor viva, acaba concentrando uma quantidade superior de antioxidantes e vitaminas se comparado aos irmãos verde, amarelo ou laranja. Pense nele como o confeito mais nutritivo que saiu direto da horta para o prato.
Apesar de toda essa tabela rica, existe uma regra de ouro na nutrição dos animais que não deve ser quebrada. Alimentos extras, sejam frutas ou vegetais, nunca devem ultrapassar dez por cento da ingestão calórica diária do seu amigo. A base da alimentação precisa continuar sendo a ração equilibrada, enquanto o pimentão entra apenas como um agrado pontual.
Como preparar o pimentão do jeito certo
Antes de pensar em dividir o legume com o seu cachorro, o preparo faz toda a diferença na rotina. O pimentão cru tem uma casca externa bastante rígida, o que pode dificultar a mastigação e a digestão de um estômago canino. Cães são onívoros, mas não lidam com fibras de celulose com a mesma eficiência que nós.
Para facilitar a vida do seu parceiro de quatro patas, vale seguir um ritual simples na pia da cozinha. Lave bem o pimentão, corte-o ao meio e jogue fora todo o talo verde junto com as sementes. Sementes e miolo podem causar um belo desconforto digestivo e irritar o sistema gastrointestinal do animal.
Depois de limpo, picar o pimentão em cubos bem pequenos ajuda bastante. Se o seu cachorro tiver uma digestão mais sensível ou for um senhorzinho com dentes mais fracos, dar uma leve cozida no vapor ou transformar o vegetal em um purê caseiro resolve o problema da casca dura.
Qual é o tamanho da porção ideal?
A moderação aqui é a chave para evitar que uma boa intenção termine em faxina pela casa mais tarde. A tolerância digestiva varia muito de um animal para outro, pois alguns tiram de letra qualquer novidade no prato, enquanto outros respondem com o estômago revirado.
Na hora de servir, controle o entusiasmo na quantidade:
- Cães de porte grande podem receber pedaços, mas sempre em uma porção inferior a meio pimentão por servimento.
- Cães de porte pequeno ou raças toy precisam de porções menores ainda, ficando abaixo de um quarto de pimentão por vez.
Introduza o alimento de forma gradual. Observe como o organismo reage nas primeiras vezes antes de repetir a dose.
O que nunca pode chegar perto do cachorro
Aqui é o ponto em que o tutor precisa redobrar a atenção. O pimentão que faz bem é o pimentão puro, servido em temperatura ambiente, sem nenhum tipo de complemento da nossa culinária.
Se você preparou o legume refogado na panela, com certeza usou azeite, sal e provavelmente alho ou cebola. Esqueça qualquer pedaço desse prato para o seu cachorro. Alho e cebola contêm compostos químicos chamados organossulfóxidos, que são altamente tóxicos para os cães, capazes de destruir as hemácias do sangue e provocar um quadro grave de anemia hemolítica.
Outro erro perigoso é confundir o pimentão doce com pimentas picantes. Variedades como jalapeño ou malagueta contêm muita capsaicina, a substância que arde na nossa boca. Para o estômago de um cachorro, essa pimenta funciona como um irritante severo, causando dor, inflamação e muito sofrimento. Mantenha as pimentas ardidas bem longe do alcance do focinho dele.
Sinais de que algo não saiu como o esperado
Se o seu cão encontrou um pedaço de pimentão cru escondido embaixo da mesa e comeu em excesso, ou se você acabou dando um pedaço temperado sem saber dos riscos, fique de olho nos sinais.
Um consumo exagerado de matéria vegetal crua costuma causar dores abdominais, vômitos e fezes amolecidas ou diarreia. Se o problema foi a contaminação com alho ou cebola, os sintomas mudam de figura e exigem alerta máximo. Procure observar se aparecem mucosas pálidas ou amareladas, fraqueza repentina, apatia, respiração muito acelerada ou urina com uma coloração escura.
Caso o animal tenha apenas exagerado na quantidade de pimentão puro e apresentado um episódio isolado de vômito, vale suspender o alimento imediatamente e deixar água fresca à disposição. Porém, se os sintomas persistirem ou houver qualquer suspeita de intoxicação por temperos, a visita ao veterinário deixa de ser opcional e vira prioridade.
Aproveite para conversar com o veterinário de confiança sempre que surgir alguma dúvida sobre a dieta do seu animal, garantindo que o paladar dele continue curioso, mas com a segurança que ele merece.

