Cachorro com diarreia: o que pode ser?

Sabe aquela cena clássica de domingo em que você cede ao olhar pidão do seu cachorro e acaba dividindo um pedaço daquela pizza cheia de queijo, ou deixa ele lamber o pote de iogurte vazio? Pois é. Na manhã seguinte, a surpresa desagradável costuma aparecer na forma de uma poça de fezes amolecidas no chão da cozinha, acompanhada por aquele barulho suspeito vindo da barriga dele.
Afinal, o que pode ser essa diarreia repentina?
A diarreia em cães é basicamente um aviso de que o sistema digestivo deles está irritado ou sobrecarregado. Pode ser desde uma simples troca repentina de ração até uma infecção mais séria, passando por intolerâncias alimentares e parasitas que resolveram fazer morada no intestino do animal.
Este texto tem caráter informativo e não substitui de jeito nenhum a avaliação, o diagnóstico e a prescrição do veterinário. Se o seu cachorro apresentar diarreia acompanhada de sangue, vômitos frequentes ou fraqueza intensa, procure um pronto-atendimento veterinário imediatamente.
Para entender o que está acontecendo com o seu peludo, vale a pena olhar para o contexto recente. O que ele comeu nas últimas horas? Teve acesso à lixeira da cozinha? Está com as vacinas e os vermífugos em dia? Essas respostas costumam revelar o ponto de partida do problema.
A famosa indiscreção alimentar e os perigos da geladeira
Um dos motivos mais comuns para a diarreia é o que chamamos de indiscreção alimentar. Cães comem o que não devem com uma facilidade impressionante. Pode ser um pedaço de gordura que caiu da carne do almoço, um abacate esquecido no chão, uvas ou alimentos da família do alho e da cebola.
O chocolate, por exemplo, contém substâncias que o organismo canino metaboliza de forma extremamente lenta. O resultado é um quadro tóxico grave que frequentemente começa com vômitos e diarreia. A teobromina presente no cacau gera um estresse enorme no sistema do animal, exigindo atenção imediata se houver suspeita de ingestão.
Outro erro clássico envolve os laticínios. Muita gente acha que dar um copo de leite ou um pedaço de queijo faz um agrado legítimo, mas a verdade é que os cães adultos perdem a capacidade de produzir em quantidade suficiente a enzima que digere a lactose. O açúcar do leite chega então intacto ao intestino, puxando muita água para o órgão e provocando aquela diarreia líquida que pega todo mundo de surpresa.
A troca de ração também entra na lista de suspeitas frequentes. Se você acabou o pacote antigo e despejou a ração nova inteira na tigela de uma só vez, o intestino do animal sofreu um choque. A microbiota intestinal, que é o conjunto de bactérias boas que ajudam na digestão, entra em colapso quando não há aquela transição gradual misturando os alimentos aos poucos durante alguns dias.
Parasitas, vírus e mitos que custam caro
Só que nem todo estrago vem direto da mesa da sala de jantar. Vermes intestinais e organismos microscópicos conhecidos como giárdia adoram transformar a vida do cão em uma diarreia sem fim, frequentemente misturada com uma baba esquisita e um cheiro nada agradável. Aquele papo furado de que vira-lata é resistente a tudo e por isso dispensa remédio de verme ou vacina é uma crença antiga que só serve para colocar o animal em risco. Qualquer cachorro pega infecções pesadas se estiver desprotegido.
Pensando em perigos de verdade, a parvovirose é um nome que faz qualquer profissional suspirar fundo. É um vírus bravo, altamente contagioso e implacável com filhotes, destruindo as paredes internas do intestino e causando diarreia com sangue vivo, vômito constante e uma desidratação tão veloz que ameaça a vida do bicho em questão de horas. Vacina em dia e vermífugo rotineiro não são exigências chatas de clínica, mas o muro de proteção que separa seu cão de uma internação grave.
Enquanto você tenta entender o tamanho do problema, fuja dos velhos palpites de internet que recomendam soluções caseiras duvidosas. Dar leite achando que vai fazer uma faxina interna, inventar de oferecer óleos ou medicar o animal com comprimidos humanos por conta própria são atitudes imprudentes que costumam estragar ainda mais o estômago dele. Determinados cachorros respondem mal a remédios comuns de farmácia humana, apresentando reações que vão desde a apatia profunda até problemas neurológicos graves.
A mania nojenta de comer fezes, conhecida como coprofagia, cria uma armadilha difícil de quebrar. O cão engole as próprias sujeiras e acaba reinfectando o próprio sistema com ovos de vermes e bactérias que mantêm o intestino irritado para sempre. Bater no animal ou esfregar o focinho dele no local do erro só serve para assustá-lo, aumentando o estresse e piorando ainda mais o hábito.
Quando a observação vira urgência médica
O segredo para não errar na dose está em reparar no comportamento geral do seu companheiro. Ele continua com aquela energia normal, pedindo atenção e bebendo água? Ou virou uma estátua entristecida no canto da sala, rejeitando qualquer comida e gemendo quando você encosta a mão na barriga dele? Um filhote que desaba e perde o pique de uma hora para a outra exige decisão rápida, sem espaço para esperar o dia amanhecer.
Se a diarreia passar de vinte e quatro horas em um cachorro adulto firme e forte, ou se der as caras rapidamente em um filhote ou num velhinho da raça, o consultório deixa de ser mera sugestão. A desidratação nesses extremos da vida bate à porta com força e precisa de soro na veia para reverter o quadro com segurança.
Abra bem os olhos para os verdadeiros sinais de alarme: fezes avermelhadas ou parecendo borra de café, febre, gengiva esbranquiçada e ânsias que não deixam o bicho reter uma única gota de água. Pintando esse cenário complicado, esqueça qualquer tentativa de resolver a situação com chá ou jejum prolongado e corra para um atendimento veterinário profissional. Descobrir a causa exata com exames de laboratório é o único jeito sensato de colocar seu cachorro de volta nos eixos.



