Border Terrier: características, temperamento e cuidados

Sabe aquela cena em que você tenta tomar um café de manhã enquanto o cachorro da vizinha parece ter descoberto a oitava maravilha do mundo atrás do portão? Se você está pensando em trazer um Border Terrier para casa, prepare-se para algo parecido, mas com um toque muito mais atlético e inteligente. O Border Terrier é um cão pequeno, cheio de energia, originalmente criado para acompanhar cavaleiros e caçar raposas, que hoje transita muito bem entre a vida urbana e a lida no campo, desde que encontre tutores dispostos a gastar toda essa carga de bateria.
Mas o que isso significa na prática do dia a dia?
O temperamento de um atleta em miniatura
Quem olha para o corpinho compacto do Border Terrier costuma imaginar um cão de colo perfeito para maratonas de séries no sofá. Grande engano. Por trás daquela carinha simpática e da pelagem rústica, existe um cão de trabalho nato. Eles são curiosos, alertas e possuem um instinto de exploração invejável. Se você mora em apartamento, a boa notícia é que eles conseguem se adaptar muito bem ao espaço reduzido, contanto que o tamanho da casa não vire desculpa para pular os passeios diários.
A grande questão com um cão desse nível de energia não é o metro quadrado do seu imóvel, mas o tamanho da sua disposição. Um Border Terrier precisa caminhar, cheirar e gastar a mente. Sem estímulos, a inteligência dele costuma encontrar caminhos alternativos que raramente agradam o tutor, como redecorar o rodapé ou testar a paciência dos vizinhos com latidos persistentes.
Como ele lida com a rotina e a companhia
Outro ponto que gera dúvidas é a famosa ansiedade de separação. Afinal, quem trabalha fora o dia todo pode ter um Border Terrier? Em geral, cães dessa raça criam um vínculo muito forte com a família e podem sofrer se passarem longas horas completamente sozinhos e sem o que fazer. O segredo está em construir essa independência desde filhote, oferecendo brinquedos de rolar e desafios de faro que mantêm o cérebro ocupado enquanto você estiver fora.
Sobre a convivência com outros animais e crianças, a história é de parceria, mas com ressalvas. Eles costumam se dar bem com crianças por causa do jeito brincalhão, e podem conviver com gatos se forem socializados desde cedo. Só não se esqueça do passado da raça: o instinto de caça a pequenos animais ainda existe, então apresentações prudentes evitam sustos desnecessários.
Cuidados com a saúde, a pelagem e a burocracia do dia a dia
Cuidar de um Border Terrier exige certa dedicação a alguns detalhes bem particulares. A pelagem dura da raça até costuma soltar pouco pelo pela casa, o que é um alívio para quem detesta faxina diária, mas ela pede manutenções periódicas. Isso inclui desde a escovação regular para evitar nós e manter a pele respirando bem até a retirada manual dos fios mortos, um processo que ajuda a preservar a textura áspera característica do pelo.
No quesito saúde, nenhum segredo de outro mundo, apenas o básico que todo tutor responsável precisa fazer. As vacinas essenciais contra aquelas doenças pesadas, como cinomose e parvovirose, não podem ficar atrasadas e precisam de acompanhamento direto do veterinário, assim como a rotina de prevenção contra pulgas e carrapatos. Convém considerar o óbvio necessário: este guia é apenas informativo e não substitui de jeito nenhum a opinião de um profissional. Se o seu cãozinho começar a murchar, recusar comida, vomitar ou se coçar feito louco, pule as pesquisas na internet e leve o bicho direto ao consultório.
Dentro de casa, a atenção com a dispensa deve ser redobrada para evitar que ele alcance o que não deve. Alimentos comuns na nossa rotina como chocolate, uvas, cebola, alho e adoçantes artificiais do tipo xilitol são verdadeiros venenos para o metabolismo canino e precisam ficar fora de cogitação. Na hora em que o peludo adoecer, resista à tentação de abrir a sua própria farmacinha para resolver o problema por conta própria. Dar remédio humano sem orientação veterinária é um risco enorme que pode custar caro demais.
Para fechar o pacote, quem mora em apartamento ou condomínio fechado costuma encontrar na conveniência local o respaldo necessário para criar o pet em paz, desde que ele não vire o terror do hall de entrada com barulhos excessivos ou avanços desnecessários nos outros moradores. Com uma boa dose de treino desde cedo, socialização sem pressa e aquela disposição toda para acompanhar o ritmo dinâmico do animal, o Border Terrier logo prova que toda a energia investida vale cada segundo pela companhia fiel que ele entrega.





