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Arara-canindé fala, canta ou imita sons?

Resposta rápida

A Arara-canindé não canta como um canário nem conversa como gente, mas é capaz de imitar palavras e emitir barulhos parecidos com uma sirene de nevoeiro. O som não é um papo consciente, mas o resultado de um mimetismo vocal usado para interagir e copiar o ambiente.

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Arara-canindé fala, canta ou imita sons?

EspéciesPor 🕒 4 min de leituraAtualizado em
Ilustração de Arara-canindé

A Arara-canindé não canta como um canário e tampouco conversa como gente, mas ela é perfeitamente capaz de imitar palavras e emitir barulhos que parecem uma sirene de nevoeiro dentro da sua sala.

Se você já ouviu falar dessas aves coloridas, deve imaginar que ter uma em casa significa acordar com um papagaio falante ensinando piadas logo cedo. Acontece que a biologia da espécie funciona de um jeito um pouco diferente. O som emitido não é um canto melódico ou um bate-papo consciente, mas sim o resultado de um mimetismo vocal bem desenvolvido.

Como funciona a voz da arara

Cientificamente conhecida como Ara ararauna, a Arara-canindé integra o grupo dos psitacídeos. Diferente das chamadas aves canoras, que contam com repertórios musicais refinados, as araras não nascem com trilhas sonoras programadas. O som que sai daquele bico potente vem de um órgão chamado siringe, localizado bem na bifurcação da traqueia. Em vez de cordas vocais humanas, elas usam músculos e uma língua bastante flexível para modular o ar que passa. Quando a ave repete o próprio nome ou o som da campainha, ela está usando esse mecanismo biológico para copiar o ambiente social ao redor.

A grande questão é que a imitação serve para interagir, e não para filosofar. A arara não entende o conceito gramatical de uma frase. Ela apenas percebe que, quando reproduz determinado som com uma entonação específica, o tutor presta atenção, ri ou traz um petisco saboroso. Pense nisso como uma caixa de som biológica que capta os ruídos mais marcantes da casa e os devolve com um timbre rouco e encorpado.

O volume da natureza dentro de casa

Aí entra um detalhe que costuma pegar os tutores de surpresa. Antes de pensar em ensinar uma palavrinha nova, lembre-se de que a voz natural da Arara-canindé foi desenhada pela evolução para atravessar quilômetros de floresta. Na natureza, os gritos estridentes e sons guturais servem para manter o bando unido e atento aos perigos ao amanhecer e ao entardecer, funcionando como os chamados de bando que checam se todos estão bem.

Imagine a cena: você mora em um apartamento aconchegante, o relógio marca seis da manhã e a sua arara decide que é hora de checar onde está o bando dela. O resultado sonoro costuma ser vigoroso o bastante para reatar a amizade com todos os vizinhos do prédio ao mesmo tempo.

Muitas vezes, aquele alvoroço fora de hora acontece simplesmente porque o animal está entediado. Uma arara sem atividades para ocupar o bico acaba focando toda a energia na própria voz. Se ela grita para chamar atenção e alguém corre até o poleiro para mandar a ave calar a boca, o efeito prático é o oposto do esperado. Para a cabeça da arara, qualquer resposta barulhenta significa que o chamado funcionou e que o bando respondeu, o que apenas estimula novos berros.

Como manter a harmonia no dia a dia

Para manter a convivência civilizada, o segredo costuma passar longe de gritar de volta. O enriquecimento ambiental faz toda a diferença nessa hora. Distribuir galhos seguros para roer, brinquedos de madeira para destruir e desafios alimentares ajuda a ocupar o tempo da ave. Em termos práticos, manter o bico e a mente entretidos reduz drasticamente a necessidade de usar a voz no volume máximo. Deixar o animal sem distrações é um pouco como testar a paciência de uma criança hiperativa sem nenhum brinquedo por perto.

Vale notar também que o comportamento vocal muda bastante dependendo de quem divide a casa com o animal. Se você adotar um casal de Arara-canindé, elas costumam conversar muito mais entre si na linguagem típica da espécie e prestam bem menos atenção aos humanos da casa. A necessidade de imitar a nossa voz diminui quando a companhia de outra arara já supre a demanda social delas.

Caso decida trazer uma companheira emplumada para o lar, a procedência é um ponto que não tolera deslizes. Por fazer parte da fauna silvestre brasileira, qualquer exemplar precisa vir de um criadouro comercial legalizado, acompanhado de nota fiscal e da anilha fechada e inviolável na pata. Comprar de fontes duvidosas alimenta o comércio ilegal e traz problemas sérios com a fiscalização ambiental.

Por fim, preste atenção em um detalhe médico importante. Aves têm o hábito instintivo de esconder quando não estão se sentindo bem. Se a sua arara é naturalmente ativa e falante, mas de repente decide ficar silenciosa, prostrada no fundo da gaiola e recusando comida, o problema pode não ser humor ou tédio. Mudanças bruscas no comportamento vocal costumam ser o primeiro sinal de alerta de que chegou a hora de buscar uma consulta com um veterinário especializado em animais silvestres.

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